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______BUÇACO______

TEXTOS ,SUBSÍDIOS, APOIO

______BUÇACO______

TEXTOS ,SUBSÍDIOS, APOIO

09
Mar19

ALEXANDRE ALMEIDA E O BUÇACO

Peter

bus1.jpg

Alexandre Almeida nasceu na Lameira de S. Pedro, Luso, em 1885, filho de Isidoro José Ferreira e de Maria da Conceição de Almeida. A família possuía nas Termas a “Casa Aliança” desde 1875, um estabelecimento comercial destinado a servir aquistas e nativos com uma larga variedade de produtos. Na sua juventude assistiu á construção do Palace do Buçaco e já adolescente ao inicio da actividade hoteleira pelas mãos pela mãos de Paul Bergamin um suíço que explorava o Hotel da  Mata e a albergaria “Chalet Suisse” e o restaurante da estação da Pampilhosa, onde atendia turistas e termalistas que se encaminhavam para o Luso-Bussaco.

Quando tomou conta da Casa Aliança a estância termal e a Mata estavam na moda e o seu caminho passou pela modernização do negócio aberto a  nacionais e estrangeiros. Instala no local a primeira máquina de café da região, a qual possuía um apito accionado por vapor de água avisando os cliente da frescura do café. Cria a secção “Suiça no Luso” onde vende artesanato helvético com legendas locais, como “Souvenir do Luso”, “Souvenir do Bussaco”importando o material directamente para a estação de Pampilhosa. É o primeiro cidadão do distrito de Aveiro a comprar um motociclo, indicio dum interesse posterior por veículos motorizados.

A sua vida na hotelaria, segundo a história da família, começa por um convite de Bergamin em 1916 para se juntar a ele e fazerem uma gestão comum do Hotel do Bussaco. Mas Alexandre tinha da industria do turismo uma visão avançada e via potencialidades para ir  em frente num caminho criativo e de desenvolvimento enquanto Begamin, desactualizado, optava por uma gestão caseira ou de merceeiro, gestão de gaveta aberta sem despesas nem receitas. Esta gestão doméstica levou o suíço a queimar no forno da cozinha a “livralhada” das contas o que levou Alexandre a virar as costas ao acordo. Em 1917, incapaz de segurar o barco, Bergamin reconhece a sua incapacidade e entrega a gestão da casa ao ex-sócio que lhe dá o nome de Palace Hotel do Bussaco por escritura de 20 de Março de 1920.

Acto importante na área do novo empresário e igualmente na história da hotelaria em Portugal, pois o Hotel começa por figurar como o melhor do país, e dos melhores da Europa e do mundo.

O sonho de Alexandre Almeida concretiza-se. O castelo e paço capaz de receber com luxo uma clientela exigente capaz de pagar um produto de alta qualidade abre-se pela primeira vez num país que o não tinha e que o exemplo do Bussaco veio abrir e ensinar a Cascais, Estoril, Sintra e poucos mais locais de então. Um hotel de charme que tem funcionado ininterruptamente nas mãos de um dos primeiros empresários  do sector em Portugal.

Foi esta unidade, única do país, que o sábio presidente da câmara deste município procurou e procura destruir. Melhor seria ir destruir a terra dele.

 

 

                                                                                                                  

 

10
Nov18

O HOTEL DO BUÇACO VAI FECHAR ?

Peter

hotel  orange.jpg

Assim com caiu a negra noite sobre as Termas , cai agora a mesma

praga sobre  o Buçaco com extenção ao hotel. A câmara quer fechar

o Palace Hotel do Buçaco , uma obra imprescindivel para coroar

os êxitos dos autarcas lá de baixo  que terão naturalmente segundas

intenções no secretismo da sua democracia.Temos pois no palco

do municipio os inimigos publicos  a quem o osso duro de reconstruir

o pavilhão do lago que deixaram cair , manifestado nos impróprios

comentários  do chefe da edilidade quase duplicando os preços

que vai pagar com o dinheiro termal  que sai do Luso , é dificil de roer.

Na sinagoga de jeitos onde se vive,  a politica é para algumas 

pessoas o que as pessoas são para a política e o resultado é o

andar para trás em que vive esta terra. Porque há quem o deseje

e milite por aí , quem não saiba o que faz e nem o queira saber,

quem não sabe o que somos porque nem é do território,quem 

dedique o orçamento comum a festas para ganhar eleições  e 

controlar o rebanho.

 

 

 

 

 

 

 

07
Set17

BANCOS

Peter

DSC_0834[1].JPG

Via Sacra do Buçaco .Onde não há àrvores nem

madeira, nem cabeça, os bancos do percurso da

ViSacra ou não estão ou estão assim.

DSC_0836[1].JPG

 Quatro anos de mama não resultaram , a coisa

está  bem pior que no começo!!!! 

Quem tiver olhos, veja.

Em mais quatro anos talvez acabem com isto...

apesar de tudo, um património nacional.

11
Nov16

ÁLCACER QUIBIR

Peter

alcacer quibir.jpg

 Há dias  felizes ! Aconteceu no Buçaco pela mão

da afundação que trouxe á mata el rei D.Sebastião,

Mulei Moluco, o sultão, e o  velho cantor Cid para

em conjunto festejarem não se sabe o quê...

A verdade é que nem no Inverno deixam descansar 

a floresta como mandam as regras da recuperação

dos espaços verdes pelo mundo fora. A sofreguidão

e a ignorância são  tantas que o Buçaco irá  acabar

como acabou o rei em Alcacer..

Parafraseando Camões a propósito do desastre :

"Enfim, acabarei a vida e verão todos que fui tão

afeiçoado á minha Pátria  que não só me contentei

de morrer nela mas com ela"

 

12
Mai16

CERCO DE BADAJOZ

Peter

tasmaniafoto

 O diário de um oficial  inglês  relatando episódios das Invasões

Francesas na Peninsula Ibérica , nomeadamente no Alentejo e

em Badajoz foi encontrado num alfarrabista da Tasmânia, Austrália.

Intitulado "Journal 1811" o manuscrito é um documento inédito e

conta com detalhes e precisão técnica o cerco do exército Anglo-

-Luso a Badajoz, comandado pelo Duque de Wellington em 1811,

nos começos do séc. XlX, no seguimento da  Batalha do Bussaco.

Para Gavin Daly , especialista em Guerra Peninsular na

Universidade da Tasmânia, trata-se de um "Tesouro" e a caligrafia

já foi reconhecida e confirmada como do autor John  Squire , que

veio a falecer vitimado por doença depois do cerco à cidade da

Estremadura espanhola. Está por saber  de concreto como foi

acidentalmente parar ao espólio do alfarrabista australiano o

importante manuscrito.

Fontes: BBC e NET

 

09
Abr16

AURORA

Peter

madrugada.jpg

Palácio do Buçaco, nascer do sol ,esta semana.

Destruida pelas intempéries e pelo homem, esta

Mata Nacional precisa do Estado para ser recuperada

como o foi Sintra. Não se  percebem as políticas

nacionais, benéficas nuns casos, talvez criminosas,

noutros casos. Se a riqueza patrimonial construida e

paisagistica é superior em Sintra, ela é também

superior no Buçaco em matéria  florestal.

 

 

 

 

01
Ago13

ATRAZADOS DO PATRIMÓNIO

Peter


Os politiqueiros da Câmara da Mealhada que de há vinte anos

para cá nada fizeram por um Buçaco  Patrimónioda Unesco,

abriram agora a boca para dizer asneiras  pela voz do seu  Presidente

afirmando á imprensa que  a Fundação, orgão que continua a destruir

a Mata fez mais em  três  ou quatro anos de ocupação, que o Estado

nos últimos quarenta.

Este comentário é algo de  absurdo ,ignorante e hilariante.

Ou o autarca está a brincar com o cidadão,ou coitado,

parece um xéxé  politico.

Além de demonstrar que nada sabe da Floresta do Buçaco,

é espantoso  o que diz , para um responsavel que  se  agarrou

á politica   há pouco menos de quarenta anos.

De facto, não sabe do que fala e só mostra que nunca conheceu

nem conhece o  Buçaco , um património do concelho a que vai

deixar de presidir. Ainda bem.

Este desconhecimento manisfestado  na imprensa com um choradinho

subjacente mais que justifica o fim dos seus mandatos, 

já que à  destruição em  marcha da Mata Nacional , se junta o fim das

Termas do Luso, com o fecho da fábrica  de engarrafamento ,

o fecho total das instalações da Fisioterapia e dos Escritórios  

administrativos, acompanhados pelo desemprego e pelo estertor do

turismo em que  agoniza a estância.

Com dois hoteis anunciados em campanhas eleitorais por fazer, mais 

um projecto LusoInova que prometia  fábricas de cosméticos, sabonetes ,

perfumes, inovação, tc,etc por realizar, sem um parque industrial de Barrô

dos cardápios municipais já com barbas  por avançar, com um parque de

campismo sem acessos dignos e fora do mercado,

uma avenida do Castanheiro vergonhosamente abandonada, e umas

ridiculas birrinhas exteriorizadas em relação á  esburacada estrada

da Cruz Alta que  a fundação esburacou e estragou (além de outras coisas)

o sacrificado autarca tinha feito melhor calando o disparate.

Preferiu juntar-se ao coro dos pessimos politicos que tem governado o país

e fazer as mesmas figuras a que assistimos diariamente!

Falta uma lei de responsabilização dos  actos e dos mandatos!!!!

 

11
Mai10

BATALHA BUSSACO-3ª INV-A DEFESA-5

Peter

 

 

 A DEFESA EM LINHA

 

 Como deixamos dito em Almeida, Arthur Wellesley, o comandante do exército anglo luso, foi recuando das posições assumidas desde Celorico, antecipando pela frente os movimentos do invasor á medida que lhe ia adivinhando as intenções e o rumo. Retirando os seus efectivos pela estrada da Beira, esperou que os franceses definissem o caminho com a intenção de os atrasar na sua caminhada até ás Linhas de Torres, cujas obras de defesa, é uma hipótese, não estariam ainda totalmente concluídas e para que isso acontecesse era preciso ganhar algum tempo. No dia 20 deixou o convento de Lorvão onde pernoitou e dirigiu-se para o Buçaco onde se instalou, deixando ás milícias de Trant a tarefa de se ocupar a retardar o mais possível a marcha dos franceses que o seguiam a pouca distância.

Aqui devemos fazer uma pausa para explicar que estas milícias portuguesas comandadas por um oficial britânico, Trant, não eram um bando de guerrilheiros sem regra nem função mas sim as milícias municipais ensaiadas por D. Sancho I e criadas a seguir por D. Sancho II, tal como as Ordenanças que foram fundadas por D. Dinis e existiram sempre na nação portuguesa em tempo de conflitos. As primeiras, organizadas em terços, prontas para acudir a uma invasão pelas fronteiras, as segundas próprias das fortalezas para resolver questões internas. Ambas organizando-se apenas na altura das necessidades, ambas também fontes de fornecimento de recrutas para o exército regular desde que começou a existir em permanência, a partir da guerra da restauração.

Quer o exército permanente que foi desmobilizado por ordem de Napoleão aquando da tomada de Lisboa por Junot, quer estas estruturas independentes mas paralelas, foram reorganizadas por William Beresford  a partir de 1808 e vieram a constituir as forças  portuguesas que expulsaram os franceses. Oriundos destas estruturas foram o Corpo Académico Militar de Coimbra, Os Voluntários do Comércio de Lisboa e do Porto, os voluntários de Portalegre, Beja, Coimbra, ou a Leal Legião Lusitana.

Quando Massena no dia 18 de Setembro chegou a Viseu encontrou a cidade deserta, abandonada, incapaz de satisfazer as necessidades de abastecimento dum grande exército em marcha. Eram mais de sessenta mil efectivos nos três corpos e a busca de alimentos eram cada vez mais difíceis e demoradas pois a população, saindo da cidade,  ou seguiu na peugada dos anglo-lusos ou acoitou-se com alguns haveres pelos montes e matas em redor e embora toda a máquina de guerra marchasse agora ordeira e desejosa por alcançar as férteis planícies vizinhas de Lisboa, a lentidão deste comboio era grande e pouco ajustada ás exigências da conquista, um contraste abissal com a marcha de Junot durante a primeira invasão que, partindo de Castelo Branco por péssimos caminhos ultrapassou todos os obstáculos a tempo de chegar a Sacavém  pouco depois das  últimas naus da corte deixarem o Cais de Belém rumo ao  Brasil.

Desta vez porém a lentidão ultrapassou o razoável, talvez pelas dificuldades do terreno, pelas investidas das milícias, por animosidades entre os oficiais, talvez até por, segundo Santana Dionísio, o comandante beneficiar da companhia de uma garbosa amazona que o acompanhava desde Salamanca sob o disfarce dum imberbe oficial….

Mandou avançar Reynier pela via de Mangualde e Carregal  e os  corpos de Ney e de Junot por Tondela e Mortágua .

A serra do Bussaco  começa a surgir aos franceses como um grande obstáculo pouco depois do rio Dão, mas de facto não é grande a montanha, nem alta nem sequer larga, mas é robusta e comprida nos seus vinte quilómetros de cumeeira, as suas encostas íngremes levantam-se de ravinas profundas, ásperas, numa constante subida entremeada de valeiros e cabeços que só um esforço físico violento poder superar. E vista recortada num pôr de sol escarlate que desaparece atrás do cume aninhando-se no suposto oceano, dá a ilusão dum monstro comprido como se um gigantesco sáurio ali se tivesse esticado a sucumbir, fossilizando então. Mas nada disso é, embora se pesquisem e encontrem pequenas trilobotes do Silúrico a serra nada tem de dinossáurico, estende-se preguiçosamente entre o rio Mondego em Penacova, até á Portela de Oliveira e Santo António do Cântaro, dois colos de passagem, depois até á Cruz Alta, o seu ponto mais elevado e continuando a noroeste desce então pelos moinhos de Sula e Águia até ao desfiladeiro em Algeriz no vale do rio da Serra ou de Vila Nova. Note-se que em tempos recuados, foi conhecida por Alcoba pois a vertente caramuleira do oeste e sul identificou-se assim em épocas remotas até aos confins do Bussaco.

Por estes sítios e termos, temos aldeias e lugares que ficaram registadas nos escritos dos contendores e são assim adereços do evento, quer em escritos ingleses, quer franceses. Vale de Açores, Lourinha, Alcordal, Vale de Vide, Cerdeira, Moura, Sula, Carvalho, Coiço, Gondolim, Algeriz, Monte Novo, Santo António do Cântaro, Palheiros, Botão, Palmazes, Portela de Oliveira, entre outros.

Foi ao longo da estreita cumeeira que tem cerca de vinte quilómetros de extensão que o general Wellington postou o exército anglo-luso decidido a opor-se ao inimigo. A posição defensiva era excelente e Massena, não propriamente um amador das coisas da guerra, incompreensivelmente encurralou o seu exército frente a uma muralha natural impossível de escarpar. Inexpugnável, diriam depois alguns dos seus oficiais, entre eles os próprios comandantes dos seus exércitos que chegados a 26 pouco depois do meio-dia, a não quiseram atacar sem a palavra do marechal que chegou quase de noite. O próprio Napoleão, quando mais tarde escreveu sobre o Bussaco da prisão em Santa Helena diria: ‘ se a reputação de Massena acabou no Bussaco, é apenas á doença que podemos atribuir essa súbita desgraça. Não conseguindo montar a cavalo, nem ver pelos seus próprios olhos o que se passava, ele já não era ele mesmo… se o fosse, nem atacaria as linhas inexpugnáveis do Bussaco nem teria deixado Wellington acolher-se ás linhas de Torres Vedras…’

De tão privilegiadas linhas defensivas esperaram os anglo-lusos tirar o melhor proveito, pois Wellesley depressa percebeu as dificuldades que esperavam o atacante, assim conseguisse aliar a estas perfeitas condições a coesão das forças, a confiança das tropas, a disciplina. Todos os combatentes, quer ingleses, quer portugueses, eram enquadrados por generais britânicos, pois se havia confiança na bravura dos soldados ingleses, outro tanto não tinha sido ainda demonstrado pela parte portuguesa, constituída por recrutas alistados á pouco tempo, intensamente preparados sob a direcção de Beresford mas sem qualquer experiência de combate. Era imperioso que a hierarquia funcionasse e que a par da posição morfológica positiva o comportamento fosse firme, rígido e corajoso. De mão beijada, tal como acontecera a Massena com a explosão de Almeida, surgia agora ao inglês Wellington a oportunidade única de, mercê duma incompreensível análise do inimigo, o levar de vencida.

Foi ao longo da estrada construída entre os dois extremos da serra que o duque montou a estratégia, preparada para receber o inimigo em qualquer ponto e com o sentido de, para qualquer ponto por onde o inimigo tentasse atacar, movimentar rapidamente reforços e ajuda, uma mobilidade essencial que funcionou no embate de Reynier.

Entre o Ninho da Àguia, a noroeste, a Cruz Alta e a Livraria do Mondego a sudeste, a coberto do reconhecimento inimigo colocou os efectivos. Os primeiros, na confluência dos rios Alva e Mondego eram constituídos pela cavalaria portuguesa, pelo corpo de Hill postado entre o  Coiço, Gondelim, Casal e Palmazes  e depois a Senhora do Monte Alto ocupada pela Leal Legião Portuguesa e a brigada portuguesa Campbell da divisão Picton até ao cruzamento da Portela de Oliveira. Entre esta Portela e a de Santo António do Cântaro, dispunha-se em linha a Divisão Leith, Seguiam-se as Divisões Picton e Spencer ocupando as alturas da serra até ao Cerquedo. Atrás destas estabeleceu o seu posto de comando pouco acima das posições de artilharia que defendiam a estrada de Lisboa. Para a sua esquerda, já na direcção da Moura e Sula, as Divisões Crawford e Bercley, a brigada portuguesa PacK e a brigada Colleman fechavam o caminho a quem descia para o Luso e Mealhada depois  do acesso ao Convento, em cujo muro foram feitas algumas destruições, como ameias defensivas.

Para terminar este longo corredor até ao Ninho da Águia, nos cabeços sobranceiros ao lugar do Milijioso, postava-se a divisão alemã no lugar de Monte Novo, seguida de parte da brigada Campbell. Finalmente perto da Mealhada estacionava a cavalaria inglesa e Trant com as milícias, este com o encargo de patrulhar a via que de Mortágua rompia pelo Sardão para Boialvo e Avelãs.

Num breve resumo que mesmo assim se torna fastidioso para o leitor, aqui fica o dispositivo de defesa estabelecido por Lord Wellington para a defesa do Buçaco.

Deve ainda acrescentar-se que o comandante supremo das forças, William Beresford, o homem que havia organizado e preparado as forças portuguesas, instalou o seu quartel general na vizinha aldeia da Lameira de Sª Eufémia mas só a 27, depois dos combates, pernoitaria na livraria do convento.

Luso, Maio, 2010 FS (200 anos da Batalha)

23
Fev10

BATALHA BUSSACO-3ªINV-ENCARNADOURO-2

Peter

 

A CAPELA DO ENCARNADOURO OU DAS ALMAS

 

Mandada construir por Luís Rodrigues, natural de Santa Cristina da Serra, freguesia de Espinho, do concelho de Mortágua, assistente no Convento dos Carmelitas do Bussaco, a Capela do Encarnadouro, conhecida igualmente por Capela das Almas, (também aparece como capela do Emcarradouro) entrou na história pátria por ali terem sido tratados inúmeros feridos da batalha com o apoio do exército e a bênção dos frades, sem distinção de cores ou credos, condição que os devotos eremitas impuseram a si e pediram  aos intervenientes nessa jornada trágica da nossa caminhada comum, agora, se optarmos por uma versão ligt do sucedido, diremos da história comum europeia, acontecimentos que vistos á luz actual do continente e do euro podem e devem ser tratados em perspectiva diversa daquela de então.

Era o assistente Luís Rodrigues um fervoroso crente que comungava dos desígnios humildes dos construtores do mosteiro porém, não despojado dos bens terrenos no concreto da existência, ficou-se pela assistência do braço secular e foi nessa condição que fez testamento, escrito por Manuel Lebre Teixeira, da Mealhada, formado em cânones e capitão mor das ordenanças do Couto de Aguim, no próprio Convento de Santa Cruz no dia 3 de Maio de 1783. Declara Luís Rodrigues perante o também presente tabelião Manuel José de Melo, do Couto da Vacariça, que dos dinheiros que lhe devem seus sobrinhos, duzentos e setenta e nove mil reis e uns centavos, sejam deixados á capela do Encarnadouro oitenta mil reis, para que do seu rendimento se tire o juro para aparelhar a estrutura e a colocar em ordem a dizer missa. Se tal não acontecer antes da sua morte, acrescenta o assistente, seja a verba aplicada em missas e legados diversos, que descreve a seguir e atribui aos sobrinhos. Assinam testamentário e testemunhas.

 Esta é uma das versões encontradas sobre a edificação da pequena ermida, a outra, uma variante que difere em pormenores, fica para uma segunda croniqueta sobre o assunto.

Em 1810, na altura das invasões, morto portanto o fundador da altaneira ermida, não passava a capela de algumas estruturas ainda inacabadas mas óptimas para o exército anglo-luso ali estabelecer um hospital de campanha ou hospital de sangue como ficou conhecido, hospital que contou com a ajuda e apoio activo dos frades, sem descriminação dos feridos, fossem dum ou doutro lado da contenda, como se disse. Para além disto, mesas operatórias onde cirurgiões cortavam a serrote e sangue frio membros inutilizados, existiam mais pela serra, uma outra junto á actual porta da Cruz Alta, na altura apenas um largo rasgão no muro, mandado fazer por Wellington nos preparativos para a defesa. Tanto os da serra como o nosso hospital de sangue faziam parte da estrutura da guerra e eram pouco mais que improvisados, mas desempenharam uma função essencial, pese a aparência cruel da medicina militar da época.

Quanto á acção dos monges, no dia 30 de Outubro, por exemplo, foram encontrados na estrada adiante da Moura, por Frei Gerónimo do Sacramento, interno de Santa Cruz, doze franceses em estado miserável de tal sorte que apenas um se podia levantar do chão e pôr de pé. Os outros, com pernas e braços partidos, feridas coaguladas, tiritando de frio e de dores, de sede e de fome, esperavam pela morte ou que algum paisano armado, dos muitos que andavam a monte no crime e na pilhagem, os encontrasse e lhes desse o golpe de misericórdia por conta da vingança.

Perante a universalidade do hábito, imploraram os desgraçados ao frade em gritos desesperados, por água, pão, consolo para as dores e alívio para sofrimentos. E o frade, como vinha fazendo nestes últimos dias de mais trabalho que preces, não se furtou ao auxilio, porém, face á recusa dos populares em prestar assistência a estas almas estrangeiras, predicou o amor ao próximo, apelou á exposta miséria dos infelizes, ao abandono e á morte sem salvação e finalmente ao pecado a recair com dureza nos corações empedernidos deles próprios. E como nada conseguisse da oratória viu-se obrigado a pegar em duas botelhas de água e a ir enche-las num riacho próximo de forma a consolar os miseráveis franceses.

Á custa do exemplo e do peso da consciência, conseguiu por fim que dois deles chegassem com mais umas quantas vasilhas de liquido e uma côdea de boroa com que prestaram os primeiros socorros aos moribundos soldados. Transportaram um deles, ainda que coxo mantinha-se de pé, para a aldeia e instalaram-no na palha duma loja térrea e enquanto tornou ao Convento buscar pão, peixe e vinho, rogou encarecido aos moradores da Moura que transportassem os restantes e os guardassem, o que, temerosos, acabaram por fazer.

Era dali ao Convento pouco menos que uma légua muito inclinada para um e outro lado do monte e quando voltou da parte da tarde com uma bolsa de alimentos, saciou os doentes, lavou algumas feridas, limpou-lhes a alma e instalou-os o melhor que conseguiu na dita loja, aconchegados na improvisada e comum enxerga onde permaneceram durante quatro dias entregues aos aldeões, altura em que os transportaram num carro de bois para o hospital de sangue, na Capela do Encarnadouro. Dois deles sobreviveram.

Quarenta e nove anos depois, ou seja em 1859, foi a capela comprada pela Câmara da Mealhada presidida por Adriano Batista Ferreira com o objectivo de a tirar do abandono a que estava votada e consolidar a romaria que as populações entretanto levavam a efeito relembrando os acontecimentos no domingo 27, quando o dia era o certo com a data, no domingo anterior, nos outros casos. Porém, pouco tempo depois Batista Ferreira deixou a presidência da autarquia sem levar por diante os seus intentos e coube á edilidade seguinte fazer o mesmo, isto é, nada, fenómeno que originou mais degradação e levou mais abandono ao já arruinado esboço de templo.

Foi em 1862 que Costa Cascais, oficial do exército, conseguiu impor ao Visconde de Sá da Bandeira o justo dever de se construir um monumento a perpetuar a memória da guerra peninsular e a partir de então teve inicio o processo da recuperação da velha ruína, só levada a cabo em 1871 quando era ministro da Guerra Fontes Pereira de Melo.  Em paralelo com o projecto do Obelisco, um monólito de seis metros em pedra lioz de Pêro Pinheiro, incumbiu o ministro ao então Tenente-coronel Costa Cascais a tarefa de tomar a ermida por cedência da Câmara, que tomasse posse dela e procedesse á sua reedificação. Quase total diremos, pois pouco mais restava da antiga estrutura que paredes de pé. Além de muitas memórias que não foram, tanto quanto se sabe, nem recolhidas, nem registadas.

 Foram assim recuperadas as paredes, colocada a abóbada, acrescentadas as casas da guarda, da sacristia e do fiel e paramentada com dignidade e dotada, depois da restauração, com o primitivo quadro de S. Miguel e Almas, o qual se achava no Luso á guarda de Vicente Duarte.

Foi benzida e abençoada sob o padroado de Nª Srª da Vitória e Almas no dia 27 de Setembro de 1876, dia da passagem do 66º aniversário da batalha.

Faz hoje parte, em conjunto com o Museu Militar e o Obelisco inaugurado no mesmo ano, do património militar e cívico relativo ás invasões francesas.

Anote-se finalmente que o Museu Militar do Buçaco, uma estrutura posterior, foi inaugurado em 17 de Setembro de 1910 pelo nosso último rei, D. Manuel II, oito dias antes da implantação da República.    FS

Luso, Janeiro 2010 (200 anos da batalha) Buçaco.blogs.sapo.pt

 

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