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14
Fev15

SERPA MACHADO

Peter

Manuel_de_Serpa_Machado.png

 Imagem de Manuel Serpa Machado,

dos primeiros salvadores do Bussaco cenobitico. 

 177- UM AMIGO DO BUSSACO E A PORTA DO SERPA

 S ão incontáveis os amantes do Buçaco desde a sua criação até aos nossos dias. Desde os primeiros construtores, aos habitantes, aos visitantes, aos residentes, aos presos, aos namorados, aos merendeiros, muitos foram os que gostaram da floresta e é bom que continuem, pelo menos aqueles que amam a botânica, o ambiente, a tranquilidade, o repouso, a reflexão, o silêncio, os poeta e os pensadores, se entretanto financeiros, economistas, oportunistas, políticos, e outra gente incapaz de compreender que um bosque ou uma floresta é, como dizia Vítor Hugo, uma catedral onde os rendilhados humanos são bordados da natureza, não destruírem irresponsavelmente um bem dum país com alguns séculos de vida , às vezes de corajosa manutenção.

Vem isto a propósito de relembrar Manuel de Serpa Machado, um desses apaixonados que em 1836, dois anos depois da extinção dos conventos já visitava o Bussaco. Após a saída dos frades a Cerca ficou aberta á devassa de toda a gente, baldio sem dono nem senhor, já que o reino, a quem competia como hoje ao Estado zelar pelos seus pertences, se eximiu ao cumprimento das suas primordiais funções. Muros no chão, árvores mutiladas, ermidas saqueadas, caminhos invadidos. A meia dúzia de egressos que sobraram do convento por não terem lugar para onde ir, ficaram a vigiar voluntariamente o espaço, mas sem qualquer pagamento ou autoridade que lhes desse o crédito preciso para se impor, não eram suficientes para impedir o prejuízo.

A Serpa Machado, como ao nosso ex-moço Francisco, um dos egressos, doeu o coração e iniciou uma campanha de sensibilização junto de amigos e companheiros políticos o que levou as cortes, depois duma intervenção de Costa Cabral, então deputado, mais tarde ministro, a alterar a situação com a retirada do mosteiro da lista de bens á venda e de imediato em 1938  se procedeu à nomeação de Frei António de Santa Luzia, o último prior do Convento, para administrador da Mata sem pagamento de renda mas com o dever de reparar os muros derrubados da cerca que por essa altura tinha duas entradas, as portas de Coimbra e as de Sulla. A seguir, reconhecendo que as duas portas existentes eram insuficientes, promoveu Serpa Machado a abertura duma pequena porta, pouco mais que um postigo, a juzante do vale de S. Silvestre para dar acesso mais cómodo e mais rápido á aldeia do Luso, por onde se passou a fazer a maior parte do movimento. Esta porta, enquanto existiu, duas dezenas de anos, ficou assim denominada por Porta do Serpa.

MOSTEIRO 875.jpg

 Imagem  do Mosteiro, ao tempo de Serpa Machado

 

Este homem, amigo desinteressado da Mata, nasceu em 1784 na freguesia de S. João das Areias, Stª Comba Dão. Foi professor de direito na Universidade, par do reino, vice-presidente das cortes e participou nas conhecidas constituintes de 1822, e como amigo que foi, foi igualmente o primeiro a retirar a Cerca e o Convento das garras dos vendilhões. Levando a cabo uma acérrima luta a favor do património monásquico, Serpa Machado conseguiu sensibilizar e juntar influências capazes de retirar da lista dos leilões do reino o valioso património .

O que seria o Bussaco nessa hipotética versão, passando para a mão de intermediários, não sabemos, porém, avaliando pelo que sucede hoje em dia, fácil seria prever que a engorda de intermediários parasitas da nação, poderia ser um cenário.  

Morreu em 2 de Agosto de 1858 e está sepultado no cemitério da sua terra natal, S. João das Areias, num acerbo tumular abandonado e esquecido. Se os mortos tivessem consciência é natural que se revolvesse na urna.

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