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______BUÇACO______

TEXTOS ,SUBSÍDIOS, APOIO

______BUÇACO______

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07
Set14

ETIMOLOGIA DE BUÇACO

Peter

 

 A Ermida do Sepulcro  assenta os seus alicerces sobre rochas compactas  que caiem abruptamente sobre a encosta da serra formando pitorescos recantos  seguindo o desenho destas estruturas básicas. Aqui uma pequena gruta, ali uma saliência que alberga uma vista peculiar, acolá um abrigo de exuberante vegetação. Mas na parte posterior da Ermida que pende para as Portas de Coimbra  a uma loca maior se dá desde tempos antigos o nome de Gruta ou Toca do Negro. Diz a lenda que os séculos forjaram , que em tempos imemoriais ali procurou segurança um negro salteador  que aproveitando as noites escuras da floresta partia em demanda de bens sobre as aldeias vizinhas ou sobre exemplares dos rebanhos qque subiam a montanha na procura de melhores pastos.

Uma segunda versão da história chama ao mesmo local a Cova ou a Toca do Boçal, aqui retirando a cor negra da pele ao bandido que de igual moda assolava as aldeias vizinhas provocando os mesmos efeitos. Retirado o negro da história, eles só chegaram á Europa no séc.XV , a etimologia andou para trás no tempo , acertou-se com as gerações até ao século X  e o nome Bussaco atribui-se então ao termo Boçal. Dele terá , através de várias transformações semânticas, surgido Bussaco. Mas eis que uma nova versão etimológica romantiza ainda mais o assunto, agora afirmando que um velho e bom homem  nascido nas redondezas da serra, a costumava frequentar  tornando-se asceta por conta própria e deixando o seu povoado e o seu lar embrenha-se em penitência pelos bosque do Bussaco de comunhão com um rigoroso jejum , abstinência e oração.No regresso, perguntando-lhe  vizinhos e familiares  sobre o que vira no ermo, o velho, cofiando as barbas esbranquiçadas que lhe chegavam seguramente  ao tornozelo, erguendo as mãos ao céu balbuciava como se fosse  uma prece”…daquele monte saco bus”. E repetia”…daquele monte saco bus…daquele monte saco bus…” Sucessivas repetições e arranjos ortográficos e fonéticos chegaram  ao actual Buçaco.

Finalmente a última versão para esta etimologia complicada aponta  o lugar de  Sublaco, perto de Roma e onde S.Bento passou três anos em rigorosa penitencia formando a Ordem dos Beneditinos, a origem do nosso Buzzaco, Buzaco,Bussaco e hoje Buçaco derivado aqui do dito Sublaco , que ainda hoje existe.Esta derradeira teoria  era defendida pela poetisa Bernarda Ferreira de Lacerda que no seu livro” Soledades do Bussaco”, diz:

 

En aquele siglos de oro

E venturosas edades

Qual el de Lacio Sublaco

Solia el monte llamarse

 

No ano de 919, num documento em latim bárbaro, surge o nome Bussaco numa doação do lugar de Gondelim feita por  Gundesindo e outros ao mosteiro de Lorvão que  diz:”…com suas valles que discurrunt de monte Buzaco”     ( Portugalie Monumente Historica,vol. 1 pág. 14)

 

No ano de 974 ,num testamento transcrito da mesma obra , lê-se”…Inter uimeneirola et barrio ripa vacariza suptus mons buzaco.

 

Noutro testamento de 1002 , lê-se :…” in loco predicto  vacariza  subtus monte nuncupato buzaco…”

 

Remontam aos mais antigos documentos escritos respeitantes á região  , diz Frei João do Sacramento” …um pico ou cume de sorte elevado que descobre , e é descoberto de grande parte do reino.

 

Alberto Pimentel, um poeta da floresta sagrada pôs em verso uma versão da história.Ei-la:

 

Não havia em toda a terra

Como aquele,um santo velho

De mais prudente conselho

De mais pio coração!

No seu doudejar sem tino

Quando o mundo o enfastiava,

Lá se ia o peregrino

A viver na solidão…

 

O que ele dizia aos troncos

D’essas árvores gigantes

Nos muito doces instantes

Do seu meditar ali

Ninguém o sabe,mistérios!...

Se não podemos sabe-los,

Não posso eu escreve-los

Nem relata-los aqui…

 

No meio da espessa mata

Tinha ali a sua ermida

A chama-lo á santa vida

Dos que vivem para Deus…

E o seu corpo já cansado

Ganhava força e alento

Sentindo a bênção dos ceus!...

 

Se o corpo ganhava tanto

Naquela tão doce calma,

Muito mais ganhava a alma

Da solidão no crisol!

Que o velho na sua ermida

Passa uma existência santa,

Desde que o sol se levanta

Até que se extingue o sol!...

 

E quando voltava ao mundo

E descia ao povoado,

Vinha o velho tão mudado

Tão airoso!Tão gentil!

Que agente pasmava ao vê-lo

E rezava o padre nosso

Vendo o velho feito moço,

O gelo tornado Abril!...

 

-Remoçaste! Vens mudado!

Tens mais pretos os cabelos!

Os olhos luzem mais belos!

Que diferença! Jesus!

Tem condão a tua mata!...

Então o velho sorria

A quem falava,dizia:

-Do meu monte-saco bus.

 

Cre-se que destas palavras

Duma santidade estranha,

Veio á sagrada montanha

O nome que hoje lhe dão

De Bussaco! Por memória

Daquele santo tão velho

De tão prudente conselho,

De tão pio coração…

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