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______BUÇACO______

TEXTOS ,SUBSÍDIOS, APOIO

______BUÇACO______

TEXTOS ,SUBSÍDIOS, APOIO

08
Ago14

ALEGORIA da FLORESTA

Peter

 

 

 Para finalizar a série de poesias respeitantes aos 

jogos florais da Emissora Nacional de 1949,realizados

no Buçaco, aqui fica  um poema  cujo tema era 

alusivo ao próprio local onde foram realizados .

Este trabalho recebeu o segundoprémio do concurso.

 

ALEGORIA DA FLORESTA SAGRADA

 

Eis-vos ainda,ó águas da corrente

Que banhava as raízes de Evilath...

Como se a Fonte viesse, eternamente

Do Fison,à planície de Evilath.

 

São ainda estes cedros os primeiros

Que deram sombra aos olhos da Mãe Eva...

E são ainda os troncos verdadeiros

Das primitivas árvores da treva.

 

Terra virgem de lágrimas doridas

Que os ohlos inocentes não choraram...

Ò folhas da floresta sacudidas

Pelo vento das ondas que pararam!

 

Ó àrvores da noite que morreu

Na distância do mar que o luar banha,

Dizei-me,em qual de vós deixou Orfeu

A lira de oiro, aos ventos da montanha?

 

Da Serra, aos longos vagos da planície,

A música de Orfeu é onda e cor...

E lá onde a distância for maior,

Mais longe abrange a sombra de Euridice.

 

Já no silêncio acorda a voz de Pan

O seu grito satânico de origem.

E da Cruz Alta aos raios da manhã

doiram toda a floresta de luz virem.

 

Portas do Céu,Portas do Sol, abri-vos!

Soltai Ninfas, Centauros e Naíades,

E deixai-nos cantar novas saudades

E o puro amor dos mortos e dos vivos.

 

Venham também, entre clarins e guerra,

Lusitanos espectros, e galopes

De cavalos galgando o Céu e a Serra.

Montados por fantasmas de Ciclopes.

 

Cale-se ao longe a velha voz do oceano!

Erga-se, à luz , o sangue das batalhas,

Que vai passar o peito lusitano,

Constelado de sóis e de medalhas!

 

E tu,montanha;e vós, deuses pagãos

Da Floresta Sagrada; e vós,ó naves

De penumbra,onde acordam cantos de aves,

Ajoelhai o silêncio!...erguei as mãos!!!!

                                (Duna de Castro)

 

     

 

 

 

04
Ago14

QUADRAS SOLTAS

Peter

 

 Ainda nos Jogos Florais da Emissora Nacional em 1949

realizados no Buçaco, os prémioa atribuidos na secção

de quadras populares, foram os seguintes:

 

Primeiro prémio:

 

Não há nenhuma verdade

(Vá lá saber-se porquê)

Que chegue a valer metade

Da mentira em que se crê    

                                (Ceguinha e Amor)

 

Segundo prémio:

 

Às vezes é tão lembrado

Um mal que nos faz viver,

Que a gente,olhando o passado,

Tem saudades de sofrer.

                               (Flor Silvestre)

 

Terceiro prémio :

 

Se tu não és ciumenta,

Não sei porque te amofinas

Se as meninas dos meus olhos

Fitam as outras meninas.

                               (Emeele) 

 

Quarto prémio:

 

De tudo o que a vida ensina,

O que mais custa a aprender

É esta coisa tão simples

Que se chama-envelhecer!

                             (Simplório)

 

03
Ago14

TRÊS PRENDAS

Peter

 

Continuando a saga dos Jogos Florais da

ex Emissora Nacional e relativos ao ano de 1949,

realizados no Buçaco , aqui se transcreve o segundo

prémio em Poesia Lirica:

 

CANÇÃO DAS TRÊS PRENDAS DE AMOR

 

Levava uma flor na boca.

Dei-te a flor. E tu me deste

Três lindas prendas em troca.

Uma gravata bordada.

Uma navalha. E uma fina

Pena de ponta doirada.

 

A gravata para pôr 

Ajustadinha ao peitilho

Com meu colete melhor,

O dos ramos de cereja,

De aos domingos ver a Deus

E a ti à porta da igreja.

 

A navalha (uma navalha

Com o cabo de marfim

E o fio sem uma falha),

Para envasar em nogueira

O bojo dum cavaquinho

E tocar a tarde inteira.

 

E a pena para mandar-te

Recados,cartas de amor

E versos da minha arte,

Quando,subindo a montanha,

Eu ficasse aos quinze dias

Lá para as raias de Espanha.

 

Por uma flor que eu te dera

(Qual se ao teu corpo arrancara,

Minha linda primavera!)

Por uma florinha agreste,

Só rica na cor vermelha,

Três ricas prendas me deste.

 

Prendas que eu não mereci

(Eu, tão matreiro e ladrão)

Mas que por virem de ti

Gostei bem de agradecer,

(Que, em simples amor, o dar

É ainda receber)

 

Mas a flor cedo murchou.

Veio o vento que a desfez.

E veio o sol que a secou.

Da gravata a cor sumiu-se.

A navalha enferrujou-se.

E a pena de oiro partiu-se.

 

Nunca mais hei-de passar

À roda do teu pescoço

(Branco de leite e luar!)

Os meus dedos, como laços,

Tendo por nó corredio

A gravata dos meus braços.

 

Nunca mais beijos ardentes

Hão-de cortar os meus beiços

Com o fio dos meus dentes.

(Já não são coisas que valha

Para sim os cinco estalos

Da folha desta navalha...)

 

Mas a pena que me deste,

Essa molhei-a no sangue

Deste amor simples e agreste

Que te colheu flor na haste,

Te soube a fartos de mel

Mas de que ao fim te fartaste;

 

Essa molhei-a no sangue

Do meu peito em carne viva

(Que de mim ai! de quem mangue!)

E,em traço firme e direito,

Deixei escrito o meu nome

Para sempre no teu peito.

 

  Pseudónimo : CIGANO

23
Jul14

DESLUMBRAMENTO

Peter

 

 

 

 Continuando nos Jogos Florais da Emissora Nacional de 1949,

realizados no Buçaco ,na categoria de Lirica o segundo prémio foi

atribuido ao soneto DESLUMBRAMENTO, que aqui se transcreve.

Quando num labirinto andei perdido,

Labirinto de sonhos e  esperanças,

Uma voz segredava-me ao ouvido!

-"O amor é belo enquanto o não alcanças!

 

Não tenhas pressa ,que depressa cansas

Do que mais has-de ter apetecido".

Receoso de colher desesperanças,

Não tocava no fruto proíbido.

 

Porém,quando a distância se fez perto,

Tornando certo quanto fora incerto,

E a cingir-te em meus braços me disponho,

 

Quando da realidade me avizinho

E do sonho me afasto, eu adivinho

Que a realidade excede  o próprio sonho!

 

(Pseudónimo-O V DA VITÓRIA)

19
Jul14

ACONTECEU POESIA

Peter

 

 

No ano de 1949 tiveram lugar no Buçaco os Jogos Florais da então
Emissora Nacional. A transmissão da distribuição dos prémios foi
feita a partir da esplanada do Palace Hotel na noite de sábado dia
17 de Setembro ás 21,45 horas..
O programa contou com a colaboração da Orquestra de Salão da
estação dirigida por Belo Marques, a Orquestra Ligeira, dirigida por
Tavares Belo e do Coro Feminino da E.N.
A apresentação foi de CarmenDolores, Manuel Lereno, Artur
Agostinho e Pedro Moutinho e participaram ainda os cantores
La Sallet de Carvalho e Domingues Marques, a artista de cinema
Milu , as cançonetistas Luisa Maria e Irmãs Remartinez e a
fadista Deolinda Rodrigues.
No fim um baile de gala animado pela Orquestra Ligeira encerrou a

sessão. O primeiro prémio  do concurso na categoria de Poesia Lírica,

coube ao poema aconteceu poesia, assinado por pseudónimo.

Presidiu á cerimónia António Ferro,Secretário Nacional da Informação,

Cultura Popular e Turismo.

 

ACONTECEU POESIA

 

A Poesia não é

Tão rara como parece,

Na mais infima das coisas

A poesia acontece.

 

Aconteceu Poesia

Quando nos teus olhos, cor do céu,

Vi o pedaço de céu que me cabia

 

Aconteceu Poesia,

Quando as tuas mãos,numa carícia vaga,

Moldaram no meu rosto o ar de angústia

Que o tempo não apaga

 

Aconteceu Poesia

Quando nos teus olhos, cor do céu

Vi o pedaço de céu que me fugia

 

Até no dia em que morreste , Mãe,

Aconteceu Poesia.

 

       (Um Qualquer)

 

 

 

 

25
Abr14

CRUZ ALTA

Peter

         

 

Para comemorar um 25 de Abril que  deixou 

de o ser nada melhor que uma antiga imagem da

Cruz Alta numa Mata Nacional do Buçaco que  

também  não é o que foi. Um postal pintado à mão,

um documento único e bonito dum tempo criativo

e pujante nos primeiros passos do turismo

em Portugal. 

        

 

 

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