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______BUÇACO______

TEXTOS ,SUBSÍDIOS, APOIO

______BUÇACO______

TEXTOS ,SUBSÍDIOS, APOIO

11
Ago16

BOLA DE FOGO NO BUÇACO

Peter

 

DSCN4644[1].JPG

 Esta fotografia (11/8/16) batida nestes dias quentes que assolam a região  com inúmeros fogos,contradizem em absoluto as palavras exibicionistas dos responsáveis da  afundação do Buçaco e confirmam a incapacidade e a falta de dinheiro de quem gere para recuperar os cento e cinco hectares do parque botânico, um templo ambiental em plena zona centro do país. O espaço fotografado, no lugar chamado Porta das Lapas, que hoje é uma casa florestal em ruinas, tem a jusante da ribeira que ali passa o antigo sitio das hortas, propriedade da Mata Nacional e de tal forma deitado ao esquecimento e abandono que passou a constituir uma bomba atómica no que diz respeito ao actual estado calórico, capaz, a qualquer momento, de introduzir  pelo Vale dos Fetos acima uma fogueira dantesca.Quem não conhece, tome a estrada que do Luso conduz a Penacova , estacione num pequeno parque junto á Porta das Lapas e do lado oposto da estrada veja e analise as excelentes condições de propagação dum fogo.Creio que a afundação, como faz com a Porta que lhe está adjacente, não conhece ou tenta não conhecer este como outros locais da Mata Nacional , gerida por uma fundação partidária nascida nos tempos socráticos.Ficam as fotos, para ilustrar  as palavras.

 

09
Abr16

AURORA

Peter

madrugada.jpg

Palácio do Buçaco, nascer do sol ,esta semana.

Destruida pelas intempéries e pelo homem, esta

Mata Nacional precisa do Estado para ser recuperada

como o foi Sintra. Não se  percebem as políticas

nacionais, benéficas nuns casos, talvez criminosas,

noutros casos. Se a riqueza patrimonial construida e

paisagistica é superior em Sintra, ela é também

superior no Buçaco em matéria  florestal.

 

 

 

 

16
Abr15

1904-POSTAL

Peter

1904.jpg

 Este postal do Buçaco, carimbado em Lisboa Central em

23 de Junho de 1904 é do tempo da monarquia e dos primeiros

tempos também da existência do  Grande Hotel do Bussaco,

como é chamado na legenda. Tem quase 111 anos desde

a circulação e mostra a pujança da freguesia do Luso á época.

Deixamos o  postal para contrastar o mundo de então com

o mundo de declínio em que vivemos nos dias de hoje.

O espirito era bem diferente e as pessoas também, numa era

em que se davam primeiros passos no mundo da hotelaria

e do Turismo

 

12
Set14

SACO BUS...

Peter

 

Já não és Saco Bus  Buçaco amigo
esganou-te a gola o vento  e o trovão
pior porém que os deuses , de inimigo,
o homem fez de ti experimentação
 
na prática és um órfão  e partido
rebatizado em nome sem razão
teu cerne é um passado destruído
entregue a  uma madrasta afundação
 
o templo ruiu pelas arcadas
esquecidos ocupantes seculares
de José foi-se o cedro e pinceladas
 
arderam de Josefa nos altares
e á Cruz Alta se acede não por estradas
mas por crateras fundas e lunares.
 
  
29
Out10

BATALHA BUSSACO 3ª INV. RETIRADA-11

Peter

                                                                                 

     General Montbrun procura caminho alternativo                                                      

 

 A RETIRADA PARA  COIMBRA E LINHAS DE TORRES

 

Na tarde do dia 27 , suspenso o ataque francês , enquanto Wellington se mostrava aos seus regimentos e celebrava cautelosamente o que parecia o triunfo obtido sobre a primeira arremetida dos franceses, reunia Massena no  seu posto de comando do Moinho da Moura com os comandantes de  exército a fim de encontrar uma rápida saída  contornando a serra. Encarregou então o general Montbrun de enviar patrulhas de cavalaria em todas as direcções na busca duma passagem. Soult encontrou um caminho que de Mortágua a conduzia a Carvalho e Gondelim onde se podia passar a vau o Mondego para o lugar do Coiço e seguir depois para a ponte da Mucela a fim de tomar a estrada da beira, mas veio a verificar que o terreno estava nas mãos da cavalaria inglesa, o 13º de Dragões e a cavalaria portuguesa, ambas do comando de Fane e ainda da infantaria portuguesa de Lecor.

 Ao general Sainte-Croix , que explorava em Mortágua uma idêntica passagem  que contornasse a serra pela direita, apareceu porém um camponês que, depois de interrogado informou da existência dum caminho  por  Boialvo e Avelãs de Caminho, onde encontrariam a estrada real do Porto para Coimbra e Lisboa. Foi uma brigada de cavalaria encarregada de fazer um reconhecimento mais aturado do percurso em toda a sua extensão, no que se fez ajudar pelo dito camponês, acabando por encontrar um caminho capaz de suportar a passagem do exército e do respectivo equipamento. Conhecedor desta alternativa na manhã do dia seguinte, sexta-feira 28, Massena mandou de imediato ocupar posições estratégicas, tendo o próprio Sainte-Criox ocupado Boialvo, e outros regimentos estabeleceram-se em Vale de Carneiros e Aveleira.

No mesmo dia mandou reforçar os postos avançados ainda espalhados pela serra e reabriu o fogo em toda a frente, convencendo Wellington que a batalha prosseguia. Deu então inicio à retirada dos seus regimentos de forma discreta e imperceptível, enganando desta maneira os vencedores que se mantinham nos postos de combate esperando por novo assalto.

Eram onze horas da noite, Wellington descansava, quando foi acordado pelos seus oficiais e tomou conhecimento dos movimentos inimigos. Saltou rápido do improvisado aposento e também com extrema rapidez deu as ordens de retirada. A partir da meia-noite as tropas anglo-lusas iniciaram precipitadamente o movimento descendo as vertentes da serra em direcção a Coimbra em tal desorganização, que  dava a ideia de fuga.

Noite escura e de chuva, os frades que ainda se conservam no convento são aconselhados a abandonar o ermitério acompanhando as tropas o que fazem sem hesitações, excepto Frei António da Soledade, frei Inácio da Natividade e Frei Silvestre que se atrasam e decidem seguir na manhã do dia seguinte.

É sábado, 29, manhã cedo, os derradeiros regimentos ingleses deixam a serra apressadamente. Ficam equipamentos, diverso material, barris de pólvora e além de algumas sentinelas dispersas fica na serra um batalhão inglês, uma espécie de carro vassoura destinado á liquidação do negócio inacabado. Além da observação sobre os movimentos inimigos, percorrem os locais dos combates, prestam ajuda aos muitos feridos abandonados e queimam do lado de fora da Porta da Rainha a grande quantidade de pólvora que constituía a reserva ainda guardada junto ao Convento que não conseguem transportar na pressa da retirada. Quanto isto acontece, o estrondo é enorme, ouve-se léguas em redor e além de provocar o abatimento de algumas árvores destrói o muro da cerca por muitos metros escancarando o ermo a toda a gente. No edifício do mosteiro, a onda sonora parte janelas e vidraças causando alguns prejuízos á ordem religiosa. Depois, deixam sessenta feridos franceses na mão dos eremitas e partem.

Para Wellington , a retirada é  vital e  a confusão gerada pressupõe que nem batalha nem vitória serviram para nada. Numa análise simples há todo um contra-senso na situação com os vencedores a retirar á frente dos vencidos comprovando que na altura foi assumida como mais uma das muitas escaramuças que tiveram lugar desde a fronteira, embora a batalha do Côa tenha ultrapassado a simples troca de tiroteio entre soldados.

Numa leitura desapaixonada, a vitória acabou por ser, á posteriori, um prémio de consolação. Dum episódio de passagem transformou-se numa batalha, mercê do momento que depois se considerou como sendo o do começo da derrota de Napoleão. Mais valor simbólico que real. Inócua, em termos militares, ela foi desastrosa em termos humanos causando perdas inúteis em vidas.

Espalhado entre a Mealhada, Carqueijo, Botão e Eiras, o exército de Massena está ás portas de Coimbra em 1 de Outubro e entra na cidade. Estupefacta e horrorizada, ainda a apagar as cinzas das fogueiras e festas organizadas para comemorar a vitória do Bussaco, a pouca população que ficou assiste á chegada da cavalaria de Montbrum á ponte de Santa Clara, ainda a tempo de empurrar á cutilada alguns dos retardatários que fogem. A cidade fica abandonada á posse dos franceses que ensaiam uma rapina concertada aos supostos celeiros existentes no burgo, iniciando o roubo com marcas de ferocidade logo na freguesia de Eiras. As ordens dimanadas do comandante em chefe não são cumpridas e a politica de terra queimada do inglês dá lugar ao roubo do francês. As favas que paga sempre o inocente, recaem agora sobre os poucos habitantes que ficaram na cidade. Á maioria que seguiu o exército não cabe porém melhor sorte. Os caminhos são miseráveis, a lama que se começa rapidamente a amontoar é um obstáculo medonho, a fome começa a grassar enquanto a população em debandada se encolhe entre as colunas dos soldados em movimento ou atrás daquele macabro cortejo onde vivos, feridos e agonizantes se misturam e vão morrendo á mercê única da sorte de cada um.

E vão assim por Condeixa, Pombal, Leiria, e finalmente Alenquer já na entrada das Linhas, sempre acossados pela vanguarda dos franceses apostada em dificultar a vida e a caminhada de quem os procede no tabuleiro da guerra. O Bussaco ficava definitivamente atrás.

Encerramos o relato duma memória local sobre as invasões, sem deixar de agradecer a paciência dos leitores que nos leram bem como o estímulo recebido de alguns. Ao mesmo tempo, concluir dizendo que a vida no mosteiro continuou até 1834, ano em que foram extintas as ordens religiosas. A vida monástica tornou-se porém mais difícil, não só porque os muros levaram tempo a reparar, o que permitiu o acesso de outras pessoas estranhas ao local como pelo facto de passar a ser visitada por inúmeros participantes na luta, entre eles muitos ingleses, a quem os frades sempre prestaram auxilio, atenções e deram alojamento.

Depois da extinção da ordem, a Cerca foi praticamente abandonada pelo poder monárquico, só por milagre não foi vendida a terceiros mas invadida por autênticas romarias de gente das redondezas, em pouco tempo a maior parte do património foi destruído. Quanto ao servente Francisco, Francisco António, de seu nome verdadeiro, ainda em 1864 se mantinha como sacristão, cicerone e guardião da Mata. Sabia o que procurava guardar, não sabia porém para quem guardava. Sem família, era no cenóbio que encontrava o último laço duma existência também de eremita, com um zelo e uma eficiência que mereceu registos na época. Aqui deixo uma homenagem póstuma á sua memória, ao primeiro leigo conhecido que amou o Bussaco desinteressadamente, quando, talvez como agora, precisava de amigos para poder ressurgir. Então, como hoje, a devassa é a mesma! Mas amigos do Bussaco, este é sem dúvida, o primeiro de todos. FS

PS-A pedido de alguns leitores aqui deixo referidos alguns dos livros consultados durante a publicação destas crónicas relativas á batalha do Bussaco :

200 Anos da Guerra Peninsular, Exército Português; História Popular da Guerra Peninsular de Teixeira Botelho; Linhas de   Torres Vedras, de António Ventura; Guerra Peninsular 1801-1814;Batalha do Buçaco, Museu Militar; Buçaco, de Paulo Varela Gomes; Luso, no Tempo e na História ,Junta de Freguesia do Luso, O Tempo de Napoleão em Portugal, Comissão Portuguesa de História Militar, Bussaco, de G.L.Chambres; Bussaco 1810,Rene Chartrand; Portal da História ,Internet ;História de Portugal, Damião Peres; Dicionário de História de Portugal de Joel Serrão; Inventário Artístico de Portugal, Aveiro; História de Portugal de Oliveira Martins; História de Portugal de Oliveira  Marques; O Bussaco, de Silva Matos e Lopes Mendes; Guia Histórico do Bussaco, de Simões de Castro ; A História de Portugal, Jose Matoso;História de Portugal , de Rui Ramos ; Crónica dos Carmelitas Descalços; Memórias de Massena, de General Koch; A campanha de Portugal de A. Guingret; D.Maria I , de Luís Olivª Ramos; D.João VI , de Jorge Pedreira e Fernando Costa; História Geral Invasões Francesas, de Acursio Neves; O Combate do Côa , de Gabriel Santos ; A batalha do Bussaco de Brito Limpo; A Guerra Peninsular, de Pinheiro Chagas;Memórias do Bussaco de Adrião Forjaz de Sampaio.

Agradeço ao meu amigo querido Carlos Ferraz o material que me forneceu durante a elaboração dos artigos e ao Jornal da Mealhada pela disponibilidade da sua publicação. 

  

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