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______BUÇACO______

TEXTOS ,SUBSÍDIOS, APOIO

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22
Jul08

DE VOLTA ÁS TERMAS

Peter

 

 

                                                                                                                                     

                    

                                    Piscina do hotel(postal ilustrado) 1960                    

 

                                                                                                                                 

                              DE VOLTA ÁS TERMAS DO LUSO
   .
    Passou-se há quarenta anos talvez, quando não havia febre pela televisão e as tertúlias de jovens se juntavam todos os dias á noite para fazer teatro. Eram peças clássicas, sobretudo comédias ou farsas e um dia, por acidente, uma revista. Entre Salve-se Quem Puder ou Alto lá com Isso, ficou com o segundo nome e por empréstimo chamou-se oficialmente Costa do Sol em Festa, uma revista de Cascais que já tinha passado pelo crivo da censura e estava portanto ao abrigo do lápis vermelho do santo oficio salazarento que tinha tanto de engano como de ser enganado.
   Claro que o texto era o nosso, escrito em noitadas de arrebatadas ceias tiradas em casa deste e daquele mas sobretudo do ensaiador, discípulo da Corina Freire. Um bloco de papel numa das mãos, um naco de chouriça, uma bebida alcoólica e a boa disposição donde disparavam quase instantaneamente as piadas, os quadros, os intérpretes.
   No seu desenvolvimento, entre danças e cenas, a coisa tinha um compere á maneira do Salvador no Parque, um bife, o Santos e era numa destas mudanças de número quando eu cruzava rapidamente o palco com um balde de cal na mão direita e um pincel de cerdas na outra, que a Maria Aurora me perguntava com cara de admirada:
   -Olha lá Manel, onde é que vais com tanta pressa?
   E respondia eu com a solícita prontidão dum trolha enfarinhado:
   -Olha, para cumprir as leis da Câmara pintei as casas todas do Luso, agora vou pintar a Câmara, que bem precisa!!!!
   Perante o texto simples desta passagem de urgência, espécie de 115, desabava a rir, da plateia á geral, o Teatro Avenida e semanas depois o Teatro Messias, sem que nós próprios descortinássemos o motivo da pilhéria, a não ser no inesperado desconcerto da sumaríssima acção.
 E só no fim do gargalheio é que o senhor Silva, sentado no banco do piano de cauda, levantava a cabeça, dava o dó e prosseguia a dedilhar a música…
 Quarenta anos depois, comparativamente, a Câmara voltou a assumir esta figura pateta do olha para o que digo não para o que eu faço, ditado antigo destinado a tipificar o desenfreado apetite de alguns monjes e abades, passe o exagero, quando se refere permanentemente ao Luso e ao Buçaco como a sala de visitas do concelho turístico para ter a sala abandonada, em termos práticos, quanto toca a trabalhar pela defesa e desenvolvimento dessa riqueza e património. Podemos desculpar aos autarcas a distracção, a ignorância, a incompetência, mas, reconhecendo embora o nervosismo e a desorientação por que passam, de hipocrisia politica já chega!!! Estamos fartos!!!!
   Não vou pormenorizar o caso da obra na fonte de S. João que podia ser requalificada em trinta dias e não em duzentos e setenta se a autarquia soubesse o que anda a fazer e tivesse algum respeito pela actividade de quem vive disto, mas sim desse outro caso que foi o assentar da administração da concessionária das águas no banco do diálogo, não pela acção da Câmara da Mealhada, mas pela acção dum grupo de pessoas das termas que vêm a sua vida a andar para traz, precisam de viver e por isso de lutar pela reanimação das mesmas e da terra, quando os eleitos, quer os locais quer os municipais, o não sabem fazer.
    Estes pontos nos ii são essenciais para se perceber mais uma vez a qualidade de quem comanda os destinos políticos do município, (e da freguesia!) de novo numa postura negligente e absolutamente nula no que toca á defesa dos interesses vitais do mesmo. Claro que não me movem as pessoas enquanto pessoas, apenas como actores e intérpretes da farsa politica que representam á qual nós, cidadãos, assistimos e a qual devemos, pela cidadania que nos cabe, analisar e criticar.
 Na minha perspectiva, os novos factos traduzem-se assim:
 Depois de no mês passado sermos brindados com o plano estratégico dum Luso Inova camarário de 50 milhões de euros para satisfazer contínuos vazios políticos de consciências angustiadas, eis que é anunciado um mês depois, por força da pressão activa do mesmo grupo de pessoas junto do Ministério da Economia, o falado Luso 2007, desta vez pela mão apressada da SAL numa parceria com uma empresa de clínicas dentárias, donde nascerá, eventualmente, uma hipotética empresa termal onde a autarquia Câmara, curiosamente, não tem assento nem voz, colocando-se mais uma vez de lado, silenciosa, muda, a ver passar os comboios…Com este executivo podia ser de outra maneira? Dramaticamente, não!
 Não faço ideia se o parceiro apresentado pela SAL é bom ou mau, se tem experiência em termas e Spa’s ou não, mas tem-no, isso é líquido, em clínicas dentárias luxuosas. Vamos esperar  mais três meses pelos projectos prometidos!
    Registe-se no entanto que o investimento anunciado de três milhões de euros (investimento total confirmado em entrevista ao MM pelo nº 2 da concessionária de seiscentos mil contos antigos) numa área de mil e quatrocentos metros quadrados, para fazer e meter um novo centro de bem estar ou spa e uma clínica, onde já estão umas termas e um bloco de fisioterapia á espera da modernidade que a concessionária lhe não tem dado, será suficiente? (Para que melhor se possa comparar a dimensão dos números, lembremos que a Câmara se propõe fazer uns novos paços municipais por dez milhões de euros, o edifício, a preços actuais))
 Será que a nova empresa termal a constituir (?) vai abrir-se a novos investidores?
 Será que depois da concessionária ter vendido o hotel e os terrenos que destinava ao SPA, irá readquirir os mesmos e recriar o seu ex- parque hoteleiro?
 Será que as novas (?) estruturas darão acesso pela via económica a toda a gente?
 Será que a autarquia Câmara aproveitou para exigir garantias escritas?
 Neste item, claro que não. Mais uma vez politicamente apalermada, pôs-se de lado, riu-se, bateu palmas e continuou a não obter nenhum compromisso escrito de mais estas promessas, bem pelo contrário, no dia imediato apressou-se a desembargar umas obras que tinha mandado embargar á concessionária, não se sabe se por cautela se para propaganda politica e juntou ao acto a ignorância de declarar que este projecto, que ainda nem sequer existe e que prevê um investimento de três milhões de euros, é melhor que o seu plano estratégico do Luso Inova que previa, disseram-no há poucos dias publicamente com claras intenções propagandísticas, um investimento de cinquenta milhões de euros!!!
 Saberão do que falam??? Saberão para quem falam? Com investimentos da concessionária das termas, para lá dos três milhões, não se podem contar. Faltam quarenta e sete milhões para o Inova. Quem vai continuar ou completar o pomposo plano estratégico do Luso? A Câmara e o seu executivo, tão falho de estratégias como de ideias, já encontrou algum parceiro?????   
 PS- Parabéns sim ao grupo de cidadãos. Sem o poder negocial nem o poder de dissuasão da autarquia, não só os obrigou a correr aflitivamente até ao Ministério da Economia como os obrigou a abrir um canal para o diálogo. Porque afinal, eles têm medo como se demonstrou facilmente! Um medo directamente proporcional á inaptidão política da maioria da Câmara! FS
Luso,maio 2008FS Jornal da Mealhada
                                                                                                         

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