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______BUÇACO______

TEXTOS ,SUBSÍDIOS, APOIO

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16
Nov10

A FLORESTA DAS ALMAS

Peter

 

A FLORESTA DAS ALMAS E O ESTADO PARALELO

 

 

Não é o primeiro nem o segundo ataque de que a floresta do Buçaco é alvo.

Já esteve para ser vendida, já esteve semi-destruída por mais de uma vez, já foi prisão, já foi hospital, foi pasto de devassos e portanto não admira que agora esteja entregue a reclusos. Não é a primeira vez que isso acontece. Depois dos frades que, esses sim, foram os únicos e voluntários reclusos que a edificaram e mantiveram como donos legítimos, passaram reclusos políticos, reclusos anacoretas, reclusos soldados, reclusos escritores, reclusos poetas, etc, etc. E valha a verdade, intervalados por alguns bons amigos do Buçaco que depois da tempestade o conseguiram restabelecer. Uma floresta de almas cheias de boas intenções quer sejam de devotos, de amantes, de amigos, e acidentalmente de intenções menos boas, seja para retirar dividendos, bens, e outras benesses ou, como no presente, intenções de dúbias boas vontades. São ciclos, mas sempre os maiores amigos têm aparecido para contrabalançar os piores.

Nunca tinha acontecido porém um ciclo partidário. É um começo, de Mata Nacional do Buçaco pode passar simplesmente a chamar-se Mata Socialista do Buçaco, Mata Social-Democrata do Buçaco, Mata Democrata Cristã do Buçaco e duvido que passe alguma vez a Mata Comunista do Buçaco, mas também pode acontecer. Generalizando, uma espécie de Mata Clientela do Buçaco, ao sabor do ciclo político dos detentores da coisa pública. E sublinho coisa pública porque por enquanto, penso que a coisa pública ainda seja pertença de todos nós, embora nos proveitos pareça ser apenas quinta de alguns bafejados pela sorte e em desfavor do colectivo.

Sem olhar a meios nem a métodos, sem regras e sem justiça, sem clareza e sem honestidade, sem igualdade de oportunidades mesmo entre profissionais do mesmo ofício é que se chega a este desiderato onde estão as fundações. Destila-se o produto conforme a cor e sai o concentrado com o sabor preferido ou requisitado.

A partida foi dada, o trabalho começado, parece em marcha. E desta discrepância entre o que é fazer bem e bem-fazer, a mata em questão, está entregue, na sua vertente de limpeza e de jardins, a reclusos. Confirmou há pouco tempo um partido político com assento na Assembleia da República numa visita ao local e que teve o cuidado de o tornar público. E nós, que vivemos por aqui, temos conhecimento presencial dos factos.

Não sei se o dito partido apreciou ou não apreciou esta solução dos funcionários presidiários da conjuntural Mata Presídio, para lá do abandono e fraco estado em que encontrou o parque botânico, isso não o disse, mas a mim, que andei graciosamente no turismo durante uma dúzia de anos, faz-me uma certa confusão mandar algum visitante passear num lugar público aberto á industria do turismo e confronta-lo com a presença de reclusos nas limpezas e nos jardins. É um pouco como convidar alguém para jantar em minha casa e contratar um ou dois ladrões para servir a refeição. A verdade é que não se trata dum sítio qualquer nem dum trabalho que não interfira com a sociedade no seu livre dia a dia e por tal motivo me parece pouca acertada esta escolha de mão de obra e pouco credível a palavra de satisfação que ás vezes se ouve da boca de responsáveis, talvez aturdidos com os fracos resultados e por isso apostados em propagandear a asneira como se fosse grande coisa. Neste país já nada nos admira, mas há limites que se devem calcular antecipadamente para não cair no ridículo ou na defesa do interesse próprio!

De facto, quando a protecção á família se apagou das necessidades dos políticos para dar lugar á protecção a gays, a marginais, drogados e a todos aqueles que são resquícios duma sociedade sem regras e de pouco civismo, tudo pode acontecer. Como àqueles que, aparecendo pela Fonte Fria e Palace Hotel a abrir automóveis estacionados, também fazem serviços de limpeza e são ao mesmo tempo sérios candidatos a reclusos! É natural que visitem hoje a mata como larápios para amanhã entrar como empregados, no exacto tempo em que se despedem centenas de chefes de família com filhos por criar e muitas outras responsabilidades assumidas como cidadãos conscientes e cumpridores! Esta é uma das pobres imagens da realidade deste Portugal, agora socialista e de calças na mão, mercê das asneiras perpetradas pelos políticos á sombra do erário público.

Como turista, pese a obra caridosa e filantrópica, não entendo claramente a situação e mesmo que a quisesse entender numa perspectiva humana, não a posso perceber como contributo para os interesses sectoriais de que estamos a falar.  

Vamos supor que os Jardins de Fontainbleau ou o Palácio de Versalhes eram patrulhados por reclusos franceses. Sentir-me-ia seguro na minha visita ao local? E levaria para lá filhos de menor idade ou adolescentes passeando pacatamente por toda a zona envolvente? Mas basta chegar ao parque de Monsanto em Lisboa e supor por lá reclusos em trabalhos municipais, a aumentar aqueles que já nos ameaçam sem ninguém os lá colocar! A questão do turismo é assunto sério, não se compadece com estas manigâncias dos políticos caseiros para fazer crer que resolveram perfeitamente situações caóticas através da pelintrice improvisada. Se não têm dinheiro nem têm força para que lho atribuam, porque se fartam de clamar pela posse da gestão? Há gato!

Estes malabarismos só podem trazer insegurança e medo e só podem servir para afastar os presumíveis visitantes. Aos reclusos pode e deve ser reservado de facto uma componente laboriosa no caminho da sua regeneração e inclusão, mas em limpeza na Mata do Buçaco onde existe o único hotel de cinco estrelas da região centro, isso é que não passaria pela cabeça de ninguém com um mínimo de bom senso. Penso!

Esta coisa de fundar institutos e fundações para satisfazer clientelas, em que sucessivos governos têm enfiado este país, é um dos progenitores mais antigos do buraco orçamental, do peso dos impostos e da penúria do cidadão. Para além do saltar por cima da velha sentença romano cristã de dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus, salta-se por cima da igualdade de acesso aos lugares, por cima da justiça, da honestidade intelectual, do respeito, das habilitações. Bem pelo contrário, promove-se o livre arbítrio, o arranjismo, o compadrio, a incompetência e já nem falo de eventuais interesses inconfessáveis. Está bem á vista a fruto destas mais de mil florestas de alminhas cujas responsabilidades financeiras fazem parte integrante do saco das irregularidades dos políticos que nos levaram á pré-bancarrota em que vivemos. Como se sabe, é o cidadão que terá sempre de pagar.

O tal Estado paralelo. É que enquanto se criaram as mil e quatrocentas fundações para dar guarida aos afilhados, colocaram-se os funcionários nos respectivos ministérios e organismos, a tocar viola nas secretárias, pior, encostados a um canto como inúteis, sem respeito por aptidões, funções e nem pelo cidadão que há-de pagar.

Um absurdo e um abuso de poder dignos dos melhores tempos da outra senhora dona que Deus tem. Inverteu-se o princípio do político a servir a população para ser a população a servir o político. Ou o próprio político, a servir-se da situação. E do que lhe está implícito, claro.

A Mata Nacional do Buçaco, a que eu posso chamar neste momento Mata Socialista do Buçaco, é que paga as favas? Não só. Paga a Mata e pagamos nós, contribuintes!

No próximo ano já vamos ver!                                     FS        

 

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