Quinta-feira, 15 de Outubro de 2015

SUBI LENTO À CRUZ...

DSCN4253.JPG

Subi lento á cruz alta por promessa
que não foi feita a qualquer divindade
rasgando a floresta pouco espessa
subi subi por ordem da vontade

cansado sim mas certo da viagem
alguns degraus acima o pedestal
despeja­-nos aos pés essa paisagem
que abarca quase meio Portugal

do Caramulo á Estrela ou a Lousã
de S.Jacinto á praia da Vieira
de S.João do Monte até Ançã

de S.Romão ao Círculo à Figueira
o sol aberto á vinda da manhã
ou no ocaso o mar como fronteira. 

publicado por Peter às 12:34
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Domingo, 3 de Agosto de 2014

TRÊS PRENDAS

 

Continuando a saga dos Jogos Florais da

ex Emissora Nacional e relativos ao ano de 1949,

realizados no Buçaco , aqui se transcreve o segundo

prémio em Poesia Lirica:

 

CANÇÃO DAS TRÊS PRENDAS DE AMOR

 

Levava uma flor na boca.

Dei-te a flor. E tu me deste

Três lindas prendas em troca.

Uma gravata bordada.

Uma navalha. E uma fina

Pena de ponta doirada.

 

A gravata para pôr 

Ajustadinha ao peitilho

Com meu colete melhor,

O dos ramos de cereja,

De aos domingos ver a Deus

E a ti à porta da igreja.

 

A navalha (uma navalha

Com o cabo de marfim

E o fio sem uma falha),

Para envasar em nogueira

O bojo dum cavaquinho

E tocar a tarde inteira.

 

E a pena para mandar-te

Recados,cartas de amor

E versos da minha arte,

Quando,subindo a montanha,

Eu ficasse aos quinze dias

Lá para as raias de Espanha.

 

Por uma flor que eu te dera

(Qual se ao teu corpo arrancara,

Minha linda primavera!)

Por uma florinha agreste,

Só rica na cor vermelha,

Três ricas prendas me deste.

 

Prendas que eu não mereci

(Eu, tão matreiro e ladrão)

Mas que por virem de ti

Gostei bem de agradecer,

(Que, em simples amor, o dar

É ainda receber)

 

Mas a flor cedo murchou.

Veio o vento que a desfez.

E veio o sol que a secou.

Da gravata a cor sumiu-se.

A navalha enferrujou-se.

E a pena de oiro partiu-se.

 

Nunca mais hei-de passar

À roda do teu pescoço

(Branco de leite e luar!)

Os meus dedos, como laços,

Tendo por nó corredio

A gravata dos meus braços.

 

Nunca mais beijos ardentes

Hão-de cortar os meus beiços

Com o fio dos meus dentes.

(Já não são coisas que valha

Para sim os cinco estalos

Da folha desta navalha...)

 

Mas a pena que me deste,

Essa molhei-a no sangue

Deste amor simples e agreste

Que te colheu flor na haste,

Te soube a fartos de mel

Mas de que ao fim te fartaste;

 

Essa molhei-a no sangue

Do meu peito em carne viva

(Que de mim ai! de quem mangue!)

E,em traço firme e direito,

Deixei escrito o meu nome

Para sempre no teu peito.

 

  Pseudónimo : CIGANO

publicado por Peter às 21:29
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Sábado, 19 de Julho de 2014

ACONTECEU POESIA

 

 

No ano de 1949 tiveram lugar no Buçaco os Jogos Florais da então
Emissora Nacional. A transmissão da distribuição dos prémios foi
feita a partir da esplanada do Palace Hotel na noite de sábado dia
17 de Setembro ás 21,45 horas..
O programa contou com a colaboração da Orquestra de Salão da
estação dirigida por Belo Marques, a Orquestra Ligeira, dirigida por
Tavares Belo e do Coro Feminino da E.N.
A apresentação foi de CarmenDolores, Manuel Lereno, Artur
Agostinho e Pedro Moutinho e participaram ainda os cantores
La Sallet de Carvalho e Domingues Marques, a artista de cinema
Milu , as cançonetistas Luisa Maria e Irmãs Remartinez e a
fadista Deolinda Rodrigues.
No fim um baile de gala animado pela Orquestra Ligeira encerrou a

sessão. O primeiro prémio  do concurso na categoria de Poesia Lírica,

coube ao poema aconteceu poesia, assinado por pseudónimo.

Presidiu á cerimónia António Ferro,Secretário Nacional da Informação,

Cultura Popular e Turismo.

 

ACONTECEU POESIA

 

A Poesia não é

Tão rara como parece,

Na mais infima das coisas

A poesia acontece.

 

Aconteceu Poesia

Quando nos teus olhos, cor do céu,

Vi o pedaço de céu que me cabia

 

Aconteceu Poesia,

Quando as tuas mãos,numa carícia vaga,

Moldaram no meu rosto o ar de angústia

Que o tempo não apaga

 

Aconteceu Poesia

Quando nos teus olhos, cor do céu

Vi o pedaço de céu que me fugia

 

Até no dia em que morreste , Mãe,

Aconteceu Poesia.

 

       (Um Qualquer)

 

 

 

 

publicado por Peter às 20:18
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