Sexta-feira, 27 de Maio de 2016

ROMARIA DA ASCENÇÃO

CSC_0225.JPG

 

O Dia da Ascensão foi sempre uma festa da Bairrada, pode-se dizer a mais participada romaria da região. E foi igualmente uma festa livre, uma festa do povo para o povo bairradino sem que se lhe colasse alguma vez a petulante política que anda por aí agora a descobrir coisas velhas que são da tradição dos povos para se lhes vestir uma casaca partidária como se fosse coisa de sua autoria e propriedade. Não posso concordar com esta comunização da cultura popular nem com a tomada abusiva dos usos e costumes que lhe dão suporte e valor. Isto não é uma Bastilha para ser tomada assim de pé para a mão porque afinal o que é do povo ao povo pertence e quando não houver povo, mesmo que por hipotese subsistisse a política, não haveria a Festa da Ascensão, acabaria com ele. Há que respeitar os deuses, os oráculos e as populações que estão acima dos serôdios politiqueiros e de oportunistas fundadores nestas questões que não lhes pertencem e separar devidamente o que é do trigo e do joio é correcto e conveniente.A Romaria da Ascensão foi sempre uma festa da Bairrada e de liberdade e tal como o leitão é um produto regional , a romaria é da região e não deste ou daquele municipio , é preciso que quem conjunturalmente manda saiba respeitar a tradição e os valores que dizem respeito a todos e que são efectivamente sua pertença, neste caso de dimensão regional.Em 1860 andavam por aí Guerra Junqueiro, Tomaz da Fonseca e outras figuras nacionais de mão dada com o poeta Manuel Alves de Vale de Boi, da freguesia da Moita, Anadia, grande amante da Mata que, dentro do seu estilo peculiar, foi o seu maior cantor. Juntavam-se forasteiros em comboios especiais vindos do Porto, Figueira, Leiria Pombal e outras terras . Mas era da sua Bairrada que vinham a maior parte dos ranchos , desde Anadia a Oliveira do Bairro, Agueda , Aguada ou Belazaima, Oiã, Mamarrosa, Moita, Mealhada , Ventosa , Cantanhede e muitas outras localidades da região. Os mais novos em animadas marchas e cantares, elas com os cestos á cabeça e os mais velhos ,com a experiência de anos e anos de subidas ao monte, certos a dirigir os romeiros e a procurar o chão que ia servir de mesa do almoço. A meio da manhã, do Convento às Portas de Coimbra andava um mar de gente aos encontrões entre vendedores de tudo o que fosse quinquilharia, brinquedos, bolos , bebidas, flores de papel, etc ,etc num frenesim que se prolongava tarde fora sem tristes fundações a comandar pessoas e lugares.O dia da Ascensão era ainda uma festa da família. Minha avó Teresa do Réu, matava o melhor capão da capoeira, um exemplar de crista eriçada e penas coloridas que mais parecia um faisão, minha mãe assava uma galinha no forno e as minhas tias maternas aligeiravam umas pataniscas e bolos de bacalhau ou umas feveras de porco ainda da matança do Natal. Juntavamos os farneis dentro dos cestos de verga no cimo da avenida Navarro esperando uns pelos outros e dali , manhã no inicio, integravamos o cortejo que nos levaria á Fonte Fria e ao Convento. Era na parte primeira do percurso ,quando se galgavam vagarosamente as escadas do Teatro Avenida, que se mostrava a miséria dum povo na sua legitima manifestação de pobreza e abandono. De facto, todo o escadório que conduzia á entrada da floresta, estava apinhado de pedintes, de estropiados, mutilados , gente com feridas expostas, tumores abertos , cegos , pernetas e manetas mostrando pruridos dos cotos , todos pedindo e gritando alto e bom som , de degrau em degrau e de mazelas expostas ajuda aos forasteiros. Estes lázaros, desprotegidos da sorte e espelho dum país e seus algozes, eram uma antecâmara que separava espiritos , ainda medievos em temores ancestrais, dos folguedos pagãos que se iriam seguir. Metiam-me medo as suas reais representações, em direto para um público que passava e deixava , se podia, uma esmola salvadora para descarga futura da consciência própria, se bem que, umas dezenas de metros acima, já embrenhados no arvoredo da mata, as cenas se fossem no fosso do esquecimento e do cansaço .Mais tarde, em pleno centro da circunstância, além do caminhar em redor do Convento, onde se misturavam os romeiros da Beira Alta , era sacramental seguir ao longo da Avenida do Mosteiro á Fonte da Samaritana e finalmente ás Portas de Coimbra , donde se abarcava a paisagem até á orla marítima. Era ali , sobre as ervas e flores do enome miradoiro ou nas suas redondezas , que nomalmente se estendiam as toalhas , se espalhavam caçoilas e utensílios e se saboreava paulatinamente o que de melhor se trazia da cozinha doméstica. O meu avô Ze Maria, que chegava com dificuldade ao repasto, mesmo trazido por algum dos meus tios de Lisboa, cofiava o bigode esbranquiçado e sentava-se contente ao lado da dona da casa a garantir a tribo reunida. Cantavam pessoas e ranchos numa harmonia comum e a meio da tarde , recordações guardadas e varapaus em riste , começava o movimento contrário com toda aquela gente em debandada serra abaixo , os ranchos tocando e dançando para alegrar as almas e facilitar o caminho de regresso , ás vezes noite cerrada pelos recantos dessa longa Bairrada onde acabavam em marchas e em bailes antes do sucumbir a um cansaço evidente. Podiamos contar neste resumo histórias e anedotas , de lutas , de pancada , do vinho ou do amor, mas não cabe no espaço essa aventura , seria um trabalho árduo e moroso , na verdade um romance de vida desta comunidade bairradina que espalha o habitat no vale do pequeno rio Cértima, entre o Mondego e o Vouga. A quem na realidade pertence a Romaria da Ascensão do Bussaco é ao seu povo simples , alegre e laborioso.

 

publicado por Peter às 17:47
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Segunda-feira, 2 de Março de 2015

O PORTÃO DOS PASSARINHOS

passarinhosporta.jpg

Q uando se fala às gerações actuais do Buçaco , poucas hão-de ser as pessoas que não associem o nome a recordações agradáveis dum passeio, ao frondoso arvoredo, á frescura das sombras,  ao  palácio  encantado onde figuram numa fotografia num momento de felicidade, ao panorama usufruído da Cruz Alta  , à vista que ao olhar surpreende a Estrela ou uma praia atlântica. É uma voz que nos surpreende e afaga, qualquer coisa de nós próprios, como se o Buçaco, no mistério da sua história secular, fizesse parte e pertencesse a cada um de nós portugueses.

Este sentimento ou emoção alarga-se aos naturais numa dimensão mais intima e a actos próprios que vão ao pormenor de nomes, histórias e segredos, à familiaridade das fontes, das ermidas, das veredas, às portas, aos muros, às árvores, às pessoas. Aqui, o misticismo é mais agudo, mais profundo, mais vivido e mais sentido como sendo igualmente nosso, mas de coração e alma. Está neste caso o Portão dos Passarinhos, de que falei no post anterior e ao qual volto com essa devoção de arauto da saudade.

passarinhos5.jpg

Quem não recorda o primeiro passeio ao Vale dos Fetos, às Portas de Coimbra ou um jogo de futebol na primeira casa do guarda? A descoberta da Fonte Fria, das Capelas, uma merenda farta no dia da Ascensão os tiros do 27 de Setembro, a mesa posta no Carregal , na Cascata, em Santa Teresa entre família e amigos? Porque este é verdadeiramente o Buçaco da nossa interioridade, o Buçaco que temos dentro de nós, o Buçaco que nos pertence, que nos fala e nos retêm como se fosse pai, como se fosse mãe. Um Buçaco telúrico, um chão que nos ultrapassa a visita e nos encharca na humidade do sangue que nos corre nas veias, que nos inala o cheiro, o gosto e o sabor como pertença. E é certo que nada disto nos pertence individualmente mas somos nós sua pertença, presos que estamos ás recordações primárias que a alma nos gravou dentro, uma reciprocidade de nascença marcada a ferro e fogo.

Quem não entrou uma vez o Portão dos Passarinhos na cumplicidade dum embrionário amor? Uma mão dada na primeira tentativa, um arrepio no beijo roubado a medo, a sorte dum abraço apetecido, prenúncios dum supor casamenteiro? Isto fala de nós, é nosso, é um cunho do sítio e da natureza um sentimento atávico da hereditariedade.

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Este é o moderno Portão dos Passarinhos para quem sobe do Luso, não a única entrada mas sem dúvida a mais ornamentada e nobre, com uma ligação profunda à porta de que se falou anteriormente, a Porta do Serpa. Porta do Serpa que se confundiu durante algum tempo com Porta do Luso, uma simbiose entre um nome de baptismo e um nome popular. A Porta, com ambos os nomes, dava acesso à Cerca antes da anexação dos quinze hectares do Conde da Graciosa ao perímetro do Convento. Antes, quase um pequeno postigo chamado Porta do Luso, depois ambos os nomes, depois do postigo de Machado ser substituído pelo portão Perseverança. A Porta, que é a mesma, foi transferida do local da ex-porta do Luso ou do Serpa para a nova entrada pela Graciosa. Desapareceu o Serpa, chamou-se-lhe Porta do Luso como era, mas o povo, chamou-lhe dos Passarinhos com referência aos quatro passarinhos fundidos em ferro que adornam o embrenhado ferroso. Os passarinhos não voaram, estão lá, conservando o romantismo duma época passada mas não esquecida na memória dos homens.

Não sei como se conservam perante o total abandono a que votaram a obra de arte, e pergunto-me mesmo por quanto tempo se conservarão. É um crime perpetrado contra nós todos, contra a nossa cultura, contra a nossa memória, contra a nossa riqueza, contra o património construído em permanente destruição. Degradante! Portão e muro, uma ruína em marcha.

Ninguém, dos que são bem pagos para governar este país, tem vergonha dos seus actos e omissões?  Aqui ficam imagens , de testemunho!

 

publicado por Peter às 18:18
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Sábado, 14 de Fevereiro de 2015

SERPA MACHADO

Manuel_de_Serpa_Machado.png

 Imagem de Manuel Serpa Machado,

dos primeiros salvadores do Bussaco cenobitico. 

 177- UM AMIGO DO BUSSACO E A PORTA DO SERPA

 S ão incontáveis os amantes do Buçaco desde a sua criação até aos nossos dias. Desde os primeiros construtores, aos habitantes, aos visitantes, aos residentes, aos presos, aos namorados, aos merendeiros, muitos foram os que gostaram da floresta e é bom que continuem, pelo menos aqueles que amam a botânica, o ambiente, a tranquilidade, o repouso, a reflexão, o silêncio, os poeta e os pensadores, se entretanto financeiros, economistas, oportunistas, políticos, e outra gente incapaz de compreender que um bosque ou uma floresta é, como dizia Vítor Hugo, uma catedral onde os rendilhados humanos são bordados da natureza, não destruírem irresponsavelmente um bem dum país com alguns séculos de vida , às vezes de corajosa manutenção.

Vem isto a propósito de relembrar Manuel de Serpa Machado, um desses apaixonados que em 1836, dois anos depois da extinção dos conventos já visitava o Bussaco. Após a saída dos frades a Cerca ficou aberta á devassa de toda a gente, baldio sem dono nem senhor, já que o reino, a quem competia como hoje ao Estado zelar pelos seus pertences, se eximiu ao cumprimento das suas primordiais funções. Muros no chão, árvores mutiladas, ermidas saqueadas, caminhos invadidos. A meia dúzia de egressos que sobraram do convento por não terem lugar para onde ir, ficaram a vigiar voluntariamente o espaço, mas sem qualquer pagamento ou autoridade que lhes desse o crédito preciso para se impor, não eram suficientes para impedir o prejuízo.

A Serpa Machado, como ao nosso ex-moço Francisco, um dos egressos, doeu o coração e iniciou uma campanha de sensibilização junto de amigos e companheiros políticos o que levou as cortes, depois duma intervenção de Costa Cabral, então deputado, mais tarde ministro, a alterar a situação com a retirada do mosteiro da lista de bens á venda e de imediato em 1938  se procedeu à nomeação de Frei António de Santa Luzia, o último prior do Convento, para administrador da Mata sem pagamento de renda mas com o dever de reparar os muros derrubados da cerca que por essa altura tinha duas entradas, as portas de Coimbra e as de Sulla. A seguir, reconhecendo que as duas portas existentes eram insuficientes, promoveu Serpa Machado a abertura duma pequena porta, pouco mais que um postigo, a juzante do vale de S. Silvestre para dar acesso mais cómodo e mais rápido á aldeia do Luso, por onde se passou a fazer a maior parte do movimento. Esta porta, enquanto existiu, duas dezenas de anos, ficou assim denominada por Porta do Serpa.

MOSTEIRO 875.jpg

 Imagem  do Mosteiro, ao tempo de Serpa Machado

 

Este homem, amigo desinteressado da Mata, nasceu em 1784 na freguesia de S. João das Areias, Stª Comba Dão. Foi professor de direito na Universidade, par do reino, vice-presidente das cortes e participou nas conhecidas constituintes de 1822, e como amigo que foi, foi igualmente o primeiro a retirar a Cerca e o Convento das garras dos vendilhões. Levando a cabo uma acérrima luta a favor do património monásquico, Serpa Machado conseguiu sensibilizar e juntar influências capazes de retirar da lista dos leilões do reino o valioso património .

O que seria o Bussaco nessa hipotética versão, passando para a mão de intermediários, não sabemos, porém, avaliando pelo que sucede hoje em dia, fácil seria prever que a engorda de intermediários parasitas da nação, poderia ser um cenário.  

Morreu em 2 de Agosto de 1858 e está sepultado no cemitério da sua terra natal, S. João das Areias, num acerbo tumular abandonado e esquecido. Se os mortos tivessem consciência é natural que se revolvesse na urna.

publicado por Peter às 18:07
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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2014

SACO BUS...

 

Já não és Saco Bus  Buçaco amigo
esganou-te a gola o vento  e o trovão
pior porém que os deuses , de inimigo,
o homem fez de ti experimentação
 
na prática és um órfão  e partido
rebatizado em nome sem razão
teu cerne é um passado destruído
entregue a  uma madrasta afundação
 
o templo ruiu pelas arcadas
esquecidos ocupantes seculares
de José foi-se o cedro e pinceladas
 
arderam de Josefa nos altares
e á Cruz Alta se acede não por estradas
mas por crateras fundas e lunares.
 
  
publicado por Peter às 00:38
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Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011

BUSSACO,NATAL QUE MATA

 

 

Cá me queria parecer que nada sabiam de turismo ou florestas. E particularmente da floresta do Buçaco.

Primeiro porque só quem não conhece o ciclo da Mata se aventura a fazer festas e arraiais em pleno Inverno, porque para isso o lugar é impróprio, incómodo e impossível. O Inverno da Mata do Buçaco, para quem conhece minimamente a floresta, é frio, diluviano, enevoado, húmido, inclemente e as noites sobretudo, são por consequência insuportáveis. Cabe aos mais bem aventurados haver um hotel de cinco estrelas e só ali, sinceramente, se poderá aguentar a regularidade do clima. Os frades não o tinham, recolhiam cedo ás celas e ao aconchego das ermidas. Coziam o pão nas fogueiras dos borralhos, como dizemos nós, os de baixo, quando as nuvens se arrebitam pelo costado da serra.

Daí que as festas, como a grande maioria das visitas, se guardem para o Verão, para a romaria da Ascensão, para o renascer da primavera e depois para o calores estivais quando em realidade a Mata se torna num sítio fresco e apetecível, mercê do lençol de água onde assenta o comprimento do corpo e daquela que, teimosa, lhe fura os órgãos e assoma á superfície. São as fontes, os ribeiros, os regatos onde nos apraz sossegar das queimaduras do estio.

Por outro lado, no Inverno este chão precisa que se encharque a serra, que apodreça a folhagem e se mantenha o húmus natural que dá força e vida á vegetação abundante. A floresta é viva, precisa de descanso e de tranquilidade, precisa de dormir para se recompor da carga demográfica do verão que lhe calcou a pele e lhe destruiu muito das entranhas. Por tal motivo precisa de tempo não de agressões. Como qualquer mortal, também o coberto vegetal precisa respirar e só assim quando chegar a primavera, renasce com força e com defesas para seguir para cima e se revestir de verdes. E continuar o caminho que quatro séculos atrás abnegados monges começaram. Com devoção e amor.

Falta a estes compadres de algibeira algum dinheiro na bolsa e muito caco no miolo e na ânsia de vender seja o que for, acabam por destruir aquilo que está. Fazem-no por ignorância, acredito, não nasceram para técnicos de florestas nem para tal se prepararam, tomaram conta do terreno como se fossem família ou se tratasse dum trono, ainda que, quero acreditar, um dia se esclarecerão os porquês! E tanto assim é que, na ganância do corte de pinheiros, foram abaixo por insensatez ou ignorância, não sabemos, vinte pés de azevinheiro, uma espécie protegida por lei, que subsiste e reproduz na encosta norte da serra o que, a par com as bolsas do Gerês, será dos locais onde melhor se pode conservar a árvore em extinção. Proibido por lei, o corte é crime, tanto quanto suponho extensivo a toda a gente, a não ser que algum decreto-lei desconhecido tenha isentado da própria alguns grupos sociais ou políticos, o que não me admiraria. De qualquer maneira ninguém se vai lembrar mais disto e naturalmente, como neste país é tudo natural para algumas pessoas, é a impunidade que vai fazer esquecer o acto.

Como o seria em relação á enorme fogueira que queriam atear frente ao hotel, se tivessem público para a saltar e que adiaram a tempo para não deitar fogo á Mata, mas na verdade, porque não apareceu ninguém.

A propósito não resisto a transcrever da internet o comentário dum visitante, talvez dos únicos, que se apresentou nos festejos e escreveu a sua

opinião no sitio do diário As Beiras, de Coimbra. Diz assim:

Fui ao Buçaco com a família ver o tal presépio ao vivo. Á entrada cobraram-me 5 euros para percorrer uma estrada cheia de lama e de árvores cortadas. Depois fui ao palácio, estacionei o carro e 30 minutos depois já estava de arrancada porque sinceramente, foi uma desilusão. Muito arcaico, sem brio ou interesse e ainda me queriam cobrar mais 2 euros por cabeça (somos 5 pessoas) para visitar o Convento. Nem uma casa de banho digna desse nome para apoio! Metemo-nos no carro e regressamos a Coimbra com a sensação de que fomos enganados.

Para além destes absurdos natalícios, este ano a Mata está fechada aos habitantes da região, aqueles que a visitam no inverno porque a Mata também é deles através dos impostos que pagam e que lhe acodem no calor do Verão se algum incêndio ameaçar avanço muros adentro. Essa cota parte, é pouco lúcido restringi-la por todas as razões. A febre do dinheiro não justifica passar por cima do respeito que se deve pelo menos ás gentes do município, para não ir mais longe. O tomar conta do espaço como coisa familiar não é correcto e abona pouco os autores desta proeza.

Não só se está a destruir o Buçaco físico, como o nome do Buçaco em termos de turismo. Os compadres, que na feira do Cartaxo já tinham dado um ar da sua graça, não aprenderam nada desde então.

Na demagogia duma propaganda laparota vejo escrito milhares de turistas de visita. Não os vi, mas muito mais significativo do que não os ver é que nenhum desses numerosos turistas fez uma dormida na freguesia do Luso nem no município, o mesmo acontecendo em relação a refeições ou outros gastos, nos limites cá de cima. Aí por baixo, talvez possuam oculares diferentes e vejam alguma coisa e caso não vejam, sempre podem inventar e inscrever na propaganda que pagamos.

De qualquer modo fica a pergunta: serão estes turistas que os especialistas da fundação procuram? Ou serão turistas da afundação?   FS

Buçaco.blogs.sapo.pt

 

publicado por Peter às 23:19
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