Quinta-feira, 15 de Outubro de 2015

SUBI LENTO À CRUZ...

DSCN4253.JPG

Subi lento á cruz alta por promessa
que não foi feita a qualquer divindade
rasgando a floresta pouco espessa
subi subi por ordem da vontade

cansado sim mas certo da viagem
alguns degraus acima o pedestal
despeja­-nos aos pés essa paisagem
que abarca quase meio Portugal

do Caramulo á Estrela ou a Lousã
de S.Jacinto á praia da Vieira
de S.João do Monte até Ançã

de S.Romão ao Círculo à Figueira
o sol aberto á vinda da manhã
ou no ocaso o mar como fronteira. 

publicado por Peter às 12:34
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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2014

SACO BUS...

 

Já não és Saco Bus  Buçaco amigo
esganou-te a gola o vento  e o trovão
pior porém que os deuses , de inimigo,
o homem fez de ti experimentação
 
na prática és um órfão  e partido
rebatizado em nome sem razão
teu cerne é um passado destruído
entregue a  uma madrasta afundação
 
o templo ruiu pelas arcadas
esquecidos ocupantes seculares
de José foi-se o cedro e pinceladas
 
arderam de Josefa nos altares
e á Cruz Alta se acede não por estradas
mas por crateras fundas e lunares.
 
  
publicado por Peter às 00:38
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Domingo, 7 de Setembro de 2014

ETIMOLOGIA DE BUÇACO

 

 A Ermida do Sepulcro  assenta os seus alicerces sobre rochas compactas  que caiem abruptamente sobre a encosta da serra formando pitorescos recantos  seguindo o desenho destas estruturas básicas. Aqui uma pequena gruta, ali uma saliência que alberga uma vista peculiar, acolá um abrigo de exuberante vegetação. Mas na parte posterior da Ermida que pende para as Portas de Coimbra  a uma loca maior se dá desde tempos antigos o nome de Gruta ou Toca do Negro. Diz a lenda que os séculos forjaram , que em tempos imemoriais ali procurou segurança um negro salteador  que aproveitando as noites escuras da floresta partia em demanda de bens sobre as aldeias vizinhas ou sobre exemplares dos rebanhos qque subiam a montanha na procura de melhores pastos.

Uma segunda versão da história chama ao mesmo local a Cova ou a Toca do Boçal, aqui retirando a cor negra da pele ao bandido que de igual moda assolava as aldeias vizinhas provocando os mesmos efeitos. Retirado o negro da história, eles só chegaram á Europa no séc.XV , a etimologia andou para trás no tempo , acertou-se com as gerações até ao século X  e o nome Bussaco atribui-se então ao termo Boçal. Dele terá , através de várias transformações semânticas, surgido Bussaco. Mas eis que uma nova versão etimológica romantiza ainda mais o assunto, agora afirmando que um velho e bom homem  nascido nas redondezas da serra, a costumava frequentar  tornando-se asceta por conta própria e deixando o seu povoado e o seu lar embrenha-se em penitência pelos bosque do Bussaco de comunhão com um rigoroso jejum , abstinência e oração.No regresso, perguntando-lhe  vizinhos e familiares  sobre o que vira no ermo, o velho, cofiando as barbas esbranquiçadas que lhe chegavam seguramente  ao tornozelo, erguendo as mãos ao céu balbuciava como se fosse  uma prece”…daquele monte saco bus”. E repetia”…daquele monte saco bus…daquele monte saco bus…” Sucessivas repetições e arranjos ortográficos e fonéticos chegaram  ao actual Buçaco.

Finalmente a última versão para esta etimologia complicada aponta  o lugar de  Sublaco, perto de Roma e onde S.Bento passou três anos em rigorosa penitencia formando a Ordem dos Beneditinos, a origem do nosso Buzzaco, Buzaco,Bussaco e hoje Buçaco derivado aqui do dito Sublaco , que ainda hoje existe.Esta derradeira teoria  era defendida pela poetisa Bernarda Ferreira de Lacerda que no seu livro” Soledades do Bussaco”, diz:

 

En aquele siglos de oro

E venturosas edades

Qual el de Lacio Sublaco

Solia el monte llamarse

 

No ano de 919, num documento em latim bárbaro, surge o nome Bussaco numa doação do lugar de Gondelim feita por  Gundesindo e outros ao mosteiro de Lorvão que  diz:”…com suas valles que discurrunt de monte Buzaco”     ( Portugalie Monumente Historica,vol. 1 pág. 14)

 

No ano de 974 ,num testamento transcrito da mesma obra , lê-se”…Inter uimeneirola et barrio ripa vacariza suptus mons buzaco.

 

Noutro testamento de 1002 , lê-se :…” in loco predicto  vacariza  subtus monte nuncupato buzaco…”

 

Remontam aos mais antigos documentos escritos respeitantes á região  , diz Frei João do Sacramento” …um pico ou cume de sorte elevado que descobre , e é descoberto de grande parte do reino.

 

Alberto Pimentel, um poeta da floresta sagrada pôs em verso uma versão da história.Ei-la:

 

Não havia em toda a terra

Como aquele,um santo velho

De mais prudente conselho

De mais pio coração!

No seu doudejar sem tino

Quando o mundo o enfastiava,

Lá se ia o peregrino

A viver na solidão…

 

O que ele dizia aos troncos

D’essas árvores gigantes

Nos muito doces instantes

Do seu meditar ali

Ninguém o sabe,mistérios!...

Se não podemos sabe-los,

Não posso eu escreve-los

Nem relata-los aqui…

 

No meio da espessa mata

Tinha ali a sua ermida

A chama-lo á santa vida

Dos que vivem para Deus…

E o seu corpo já cansado

Ganhava força e alento

Sentindo a bênção dos ceus!...

 

Se o corpo ganhava tanto

Naquela tão doce calma,

Muito mais ganhava a alma

Da solidão no crisol!

Que o velho na sua ermida

Passa uma existência santa,

Desde que o sol se levanta

Até que se extingue o sol!...

 

E quando voltava ao mundo

E descia ao povoado,

Vinha o velho tão mudado

Tão airoso!Tão gentil!

Que agente pasmava ao vê-lo

E rezava o padre nosso

Vendo o velho feito moço,

O gelo tornado Abril!...

 

-Remoçaste! Vens mudado!

Tens mais pretos os cabelos!

Os olhos luzem mais belos!

Que diferença! Jesus!

Tem condão a tua mata!...

Então o velho sorria

A quem falava,dizia:

-Do meu monte-saco bus.

 

Cre-se que destas palavras

Duma santidade estranha,

Veio á sagrada montanha

O nome que hoje lhe dão

De Bussaco! Por memória

Daquele santo tão velho

De tão prudente conselho,

De tão pio coração…

publicado por Peter às 00:47
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Domingo, 3 de Agosto de 2014

TRÊS PRENDAS

 

Continuando a saga dos Jogos Florais da

ex Emissora Nacional e relativos ao ano de 1949,

realizados no Buçaco , aqui se transcreve o segundo

prémio em Poesia Lirica:

 

CANÇÃO DAS TRÊS PRENDAS DE AMOR

 

Levava uma flor na boca.

Dei-te a flor. E tu me deste

Três lindas prendas em troca.

Uma gravata bordada.

Uma navalha. E uma fina

Pena de ponta doirada.

 

A gravata para pôr 

Ajustadinha ao peitilho

Com meu colete melhor,

O dos ramos de cereja,

De aos domingos ver a Deus

E a ti à porta da igreja.

 

A navalha (uma navalha

Com o cabo de marfim

E o fio sem uma falha),

Para envasar em nogueira

O bojo dum cavaquinho

E tocar a tarde inteira.

 

E a pena para mandar-te

Recados,cartas de amor

E versos da minha arte,

Quando,subindo a montanha,

Eu ficasse aos quinze dias

Lá para as raias de Espanha.

 

Por uma flor que eu te dera

(Qual se ao teu corpo arrancara,

Minha linda primavera!)

Por uma florinha agreste,

Só rica na cor vermelha,

Três ricas prendas me deste.

 

Prendas que eu não mereci

(Eu, tão matreiro e ladrão)

Mas que por virem de ti

Gostei bem de agradecer,

(Que, em simples amor, o dar

É ainda receber)

 

Mas a flor cedo murchou.

Veio o vento que a desfez.

E veio o sol que a secou.

Da gravata a cor sumiu-se.

A navalha enferrujou-se.

E a pena de oiro partiu-se.

 

Nunca mais hei-de passar

À roda do teu pescoço

(Branco de leite e luar!)

Os meus dedos, como laços,

Tendo por nó corredio

A gravata dos meus braços.

 

Nunca mais beijos ardentes

Hão-de cortar os meus beiços

Com o fio dos meus dentes.

(Já não são coisas que valha

Para sim os cinco estalos

Da folha desta navalha...)

 

Mas a pena que me deste,

Essa molhei-a no sangue

Deste amor simples e agreste

Que te colheu flor na haste,

Te soube a fartos de mel

Mas de que ao fim te fartaste;

 

Essa molhei-a no sangue

Do meu peito em carne viva

(Que de mim ai! de quem mangue!)

E,em traço firme e direito,

Deixei escrito o meu nome

Para sempre no teu peito.

 

  Pseudónimo : CIGANO

publicado por Peter às 21:29
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Quarta-feira, 23 de Julho de 2014

DESLUMBRAMENTO

 

 

 

 Continuando nos Jogos Florais da Emissora Nacional de 1949,

realizados no Buçaco ,na categoria de Lirica o segundo prémio foi

atribuido ao soneto DESLUMBRAMENTO, que aqui se transcreve.

Quando num labirinto andei perdido,

Labirinto de sonhos e  esperanças,

Uma voz segredava-me ao ouvido!

-"O amor é belo enquanto o não alcanças!

 

Não tenhas pressa ,que depressa cansas

Do que mais has-de ter apetecido".

Receoso de colher desesperanças,

Não tocava no fruto proíbido.

 

Porém,quando a distância se fez perto,

Tornando certo quanto fora incerto,

E a cingir-te em meus braços me disponho,

 

Quando da realidade me avizinho

E do sonho me afasto, eu adivinho

Que a realidade excede  o próprio sonho!

 

(Pseudónimo-O V DA VITÓRIA)

publicado por Peter às 22:20
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Sábado, 19 de Julho de 2014

ACONTECEU POESIA

 

 

No ano de 1949 tiveram lugar no Buçaco os Jogos Florais da então
Emissora Nacional. A transmissão da distribuição dos prémios foi
feita a partir da esplanada do Palace Hotel na noite de sábado dia
17 de Setembro ás 21,45 horas..
O programa contou com a colaboração da Orquestra de Salão da
estação dirigida por Belo Marques, a Orquestra Ligeira, dirigida por
Tavares Belo e do Coro Feminino da E.N.
A apresentação foi de CarmenDolores, Manuel Lereno, Artur
Agostinho e Pedro Moutinho e participaram ainda os cantores
La Sallet de Carvalho e Domingues Marques, a artista de cinema
Milu , as cançonetistas Luisa Maria e Irmãs Remartinez e a
fadista Deolinda Rodrigues.
No fim um baile de gala animado pela Orquestra Ligeira encerrou a

sessão. O primeiro prémio  do concurso na categoria de Poesia Lírica,

coube ao poema aconteceu poesia, assinado por pseudónimo.

Presidiu á cerimónia António Ferro,Secretário Nacional da Informação,

Cultura Popular e Turismo.

 

ACONTECEU POESIA

 

A Poesia não é

Tão rara como parece,

Na mais infima das coisas

A poesia acontece.

 

Aconteceu Poesia

Quando nos teus olhos, cor do céu,

Vi o pedaço de céu que me cabia

 

Aconteceu Poesia,

Quando as tuas mãos,numa carícia vaga,

Moldaram no meu rosto o ar de angústia

Que o tempo não apaga

 

Aconteceu Poesia

Quando nos teus olhos, cor do céu

Vi o pedaço de céu que me fugia

 

Até no dia em que morreste , Mãe,

Aconteceu Poesia.

 

       (Um Qualquer)

 

 

 

 

publicado por Peter às 20:18
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Quinta-feira, 15 de Abril de 2010

SONETOS

 

Do autor acaba de sair em Dezembro um

segundo livro de poemas intitulado

            SONETOS DO BUçACO

uma colectanea de 120 sonetos classicos

sobre o tema Buçaco.

Trata-se duma  pequena ediçao a venda

na Papelaria S Joao no Luso ou na Livraria

Portugal, em Lisboa , ou ainda da edidora

Ecopy, Paranhos,Porto.

 

publicado por Peter às 21:00
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Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

LIVROS-POESIA

       
                                                                                     

                                                                                                                                                       

O primeiro livro de poesia sobre o Buçaco está no mercado

 Chama-se Monte-Buçaco ,é da autoria do autor deste Blog e  está disponível na Papelaria S. João, Luso com o preço de capa de 15 euros.

 São 180 páginas de poemas inéditos na sua maioria respeitantes ao Buçaco.

 

 Caíu a neve pela noite inteira/por sobre a ramaria sossegada/silenciosa nuvem de poeira/branco lençol que trouxe a madrugada...

...debruçaram-se os cedros nas veredas...

 

na Livraria S. João  com um custo de 15 euros

ou Ecopy-Macalfa- tel. 916894585 fax225023032

ou  via internet : ferrazsilva@sapo.pt

                                                                                       

publicado por Peter às 22:28
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