Segunda-feira, 9 de Novembro de 2015

A SENHORA CRISTAS

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A senhora Cristas deixou um recado ao Buçaco, vai arranjar maneira

de lhes mandar uns trocos para recuperar o irrecuperado.

Tem piada o recado da senhora Cristas , durante os quatro anos

em que podia ter resolvido alguma coisa, não mexeu uma palha,

hoje, que faz parte  dum governo em colapso  ou  extinção, o que

quererá a  senhora oferecer do vazio onde está???

Demonstrar a irresponsabilidade do seu mandato e a inconsciência

de ter deixado o património nacional do Buçaco  na deriva da anarquia

em que se encontra ? Por outras palavras, baixou a crista enquanto

teve crista , agora de crista arriada o que pretenderá a dona?

Quererá uma estátua pela porcaria que fez???

 

 

 

publicado por Peter às 10:44
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Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2011

CINE TEATRO AVENIDA

 

 

Foi nas vésperas do Natal que arranjei um espaço da tarde para ir ao cinema ao centro comercial, pouco há de fitas noutros locais deste país arregimentado sobre o monopólio político da união europeia e o monopólio cinematográfico de Hollywood. Noutros tempos ainda restava alguma liberdade de escolha e alguma identidade própria a esta boa gente da Lusitânia, para o fazer, hoje está tudo hipotecado, quer em ideias quer em obras, quer em dinheiro, a um mundo que é estranho ao nosso cerne mais intimo, coisa que também não se percebe muito bem o que seja.
Eram seis da tarde, comprei o bilhete junto com umas pipocas importadas na febre do consumismo desesperado onde vegeta o mundo e entrei numa das muitas salas, aquela onde se ia projectar a fita. Um paralelepípedo, mais ângulo menos ângulo, com um anfiteatro e umas escadas por onde subir. A meio do percurso estava sentada uma irmã religiosa com um hábito que me pareceu azul, ao lado duma senhora civil, digamos assim para abreviar a questão, únicas clientes preparadas para presenciar a sessão.
É normal, já tenho estado sozinho e sinto-me mal, ás vezes desisto mesmo por falta daquele ambiente acolhedor que tinham as velhas salas do Teatro Avenida, do Tivoli, do Sousa Bastos, no caso de Coimbra, mas retenho perfeitamente o S. Jorge, o Tivoli, o Monumental , o Politeama, o Restelo , entre outros, na Lisboa da década de sessenta e quando a ida ao cinema se fazia com encanto e uma certa cerimónia. Então na reciprocidade duma agradável companhia, era das coisas máximas que podiam acontecer.
Quando subi os degraus a irmã sorriu-me e cumprimentou-me, eu respondi ao seu aceno e sentei-me três ou quatro filas atrás. No silêncio que antecedia a obra atirei-me ao pacote das pipocas e substitui-o, a ele silêncio, pelo mastigar de roedor, mas entretanto entrou outra senhora, não irmã, não vestia hábito ou costume, e foi sentar-se umas filas atrás de mim. Éramos quatro á espera do início da sessão distribuídos em três grupos, admitindo, ainda que erradamente, cada espaça fazer um grupo. Estava portanto no grupo do meio, o das pipocas. Ou dos roedores.
Ora aconteceu que a sessão começou e esteve seguramente um quarto de hora sem haver imagens. Bem pregavam os anunciadores dos produtos que nos entravam no ouvido, mas imagens nada. Arrumei as pipocas no banco do lado, comentei com a irmã que algo estava errado e fui á bilheteira pedir que colocassem os bonecos, ao menos no filme, já que agora estamos sujeitos a meia hora de anúncios com a curiosidade de pagarmos para os ver ainda que não queiramos, como acontece comigo.
Cinco minutos depois, alguém situado no vazio do outro lado dos buracos da projecção, colocou a geringonça digital a funcionar e começou o filme. Tratava-se, como dizia o critico que me levou lá, dum belo filme francês, Dos Homens e dos Deuses, uma história equilibrada entre guerra e paz, vencedor do festival de Cannes, afinal uma excepção á regra  do monopolismo estado unidense da exibição em Portugal. No título e no guião, uma comunidade monacal do alto Atlas, a justificar a presença da religiosa que me cumprimentou tão simpaticamente. 
Voltei satisfeito por ter ido ver o que devia ser visto, ver o que me agradou, mas logo que cheguei á minha pacata vila, cada vez mais pobre , patética e pacata e dei de caras com o cinema que existiu noutros tempos e hoje é uma ruína, fiquei saudoso e  deveras desagradado com a entidade que o comprou, a câmara municipal, que o fez em nossa representação, isto é, com o nosso dinheiro e não deu um passo ainda pela sua reconstrução. Não deu nem vai dar, porque segundo me apercebo não consta do plano de actividades do ano que vai entrar uma verba senão para ter aberta a rubrica, um euro, um faz de conta que já conheço de ginjeira, já estamos habituados a ele, apesar da nossa terra proporcionar ao município uma receita anual de noventa a cem mil contos de mão beijada, uma importância de águas que câmaras anteriores conseguiram obter mas que a minha terra viu, e vê, por um óculo. Estranhamente, não se escuta um grito de protesto pela voz dos eleitos locais. É fácil perceber porquê.
Um edil da terra, ao contrário do que eu pensava, não adianta nada e assim, para dizer ámen e embatucar na importância não faz falta nenhuma. Sempre pensei e até manifestei em publico o pensamento de que era necessário, como continuo a pensar, que sempre seria melhor que nada, ter na autarquia um bom representante. A coisa não é bem assim, um yes man não faz falta em lado nenhum e nesta matéria o Luso é um muro de Jerusalém sem lamentações!
Passei com estes raciocínios pelo velho Teatro Avenida da minha infância tal qual como passo ás vezes pelo verão que enchia de fitas as semanas e os sábados de bailes. O cinema do Luso não tem história porque ninguém a escreveu, ninguém teve a curiosidade de guardar uns papeis velhos nas gavetas do tempo para lha construir, mas tem-na igual ou maior que muitas outras casas de província e como muitas estâncias termais, no tempo em que as termas se faziam e funcionavam com a dimensão das pequenas cidades em que se transformavam os lugares. Bem diferente dos tempos actuais que correm propícios á destruição e ao roubo e se baseiam na irresponsabilidade absoluta.
Por ali passou o grande Alves da Cunha, o grande António Silva, a grande Maria Matos.
A Maria Matos que esteve para levar para o Parque Mayer o meu segundo primo, o Álvaro, um grande artista cómico das revistas locais que a encantou em duas ou três rábulas de representação. Seu pai e meu tio-avô Ernesto, não permitiram a transferência e assim se fez gorar a oportunidade, para ele, filho, de vir a ser um artista nacional.
Se tivesse história escrita, este cinema, modesto em comodidades mas com uma arquitectura comum a muitas outras salas pelo país, seria grande na dimensão da minha terra, pois por ali passaram muitas das encenações locais que se fizeram durante dezenas de anos, até á altura em que a televisão destruiu implacavelmente o associativismo e a vida social de então.
Hoje há quem me peça para escrever sobre a sala de espectáculos. Estou muito longe de ser um José Hermano Saraiva, mas estes pedidos denunciam de facto que não há ninguém que defenda o património das termas, que os eleitos não estão á altura dos acontecimentos, que os problemas não são discutidos e muito menos resolvidos.
Que não há na vila uma sala para cinema, para teatro, para ensaios, para reuniões, para congressos! É verdade. Também lamento que ainda há pouco tempo um congresso sobre a Batalha do Bussaco fosse feito no teatro vizinho. Mas lamento igualmente que levem o pouco património existente, como livros, peças de mobiliário, medalhas e outras coisas mais que são parte da nossa essência, da nossa matriz, da nossa alma, para os arquivos da Mealhada. Um povo sem alma é o pior que há. Como lamento os disparates que se fazem no trânsito, a insensibilidade para os problemas do estacionamento, a vergonhosa situação da avenida do Castanheiro, a leviandade com que se deixam reduzir as termas a um terço do que eram, matando-as. A irresponsabilidade com que se ajudam a destruir as unidades hoteleiras em vez de as ajudar a viver, e o amadorismo curioso com que é tratada em família a Mata do Buçaco.
Mas que fazem os eleitos locais pela defesa da minha e nossa terra??? E quem foi que os lá colocou ?
Quem me pede para escrever, pergunte-lhes. Há que exercer esse direito de cidadania, igual para todos, como o acto de votar. Por mim, estou farto de escrever! Hei-de ser sempre o mau da fita???
Luso, Dezembro,2010                                            Buçaco.blogs.sapo.pt

publicado por Peter às 00:03
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Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011

BUSSACO,NATAL QUE MATA

 

 

Cá me queria parecer que nada sabiam de turismo ou florestas. E particularmente da floresta do Buçaco.

Primeiro porque só quem não conhece o ciclo da Mata se aventura a fazer festas e arraiais em pleno Inverno, porque para isso o lugar é impróprio, incómodo e impossível. O Inverno da Mata do Buçaco, para quem conhece minimamente a floresta, é frio, diluviano, enevoado, húmido, inclemente e as noites sobretudo, são por consequência insuportáveis. Cabe aos mais bem aventurados haver um hotel de cinco estrelas e só ali, sinceramente, se poderá aguentar a regularidade do clima. Os frades não o tinham, recolhiam cedo ás celas e ao aconchego das ermidas. Coziam o pão nas fogueiras dos borralhos, como dizemos nós, os de baixo, quando as nuvens se arrebitam pelo costado da serra.

Daí que as festas, como a grande maioria das visitas, se guardem para o Verão, para a romaria da Ascensão, para o renascer da primavera e depois para o calores estivais quando em realidade a Mata se torna num sítio fresco e apetecível, mercê do lençol de água onde assenta o comprimento do corpo e daquela que, teimosa, lhe fura os órgãos e assoma á superfície. São as fontes, os ribeiros, os regatos onde nos apraz sossegar das queimaduras do estio.

Por outro lado, no Inverno este chão precisa que se encharque a serra, que apodreça a folhagem e se mantenha o húmus natural que dá força e vida á vegetação abundante. A floresta é viva, precisa de descanso e de tranquilidade, precisa de dormir para se recompor da carga demográfica do verão que lhe calcou a pele e lhe destruiu muito das entranhas. Por tal motivo precisa de tempo não de agressões. Como qualquer mortal, também o coberto vegetal precisa respirar e só assim quando chegar a primavera, renasce com força e com defesas para seguir para cima e se revestir de verdes. E continuar o caminho que quatro séculos atrás abnegados monges começaram. Com devoção e amor.

Falta a estes compadres de algibeira algum dinheiro na bolsa e muito caco no miolo e na ânsia de vender seja o que for, acabam por destruir aquilo que está. Fazem-no por ignorância, acredito, não nasceram para técnicos de florestas nem para tal se prepararam, tomaram conta do terreno como se fossem família ou se tratasse dum trono, ainda que, quero acreditar, um dia se esclarecerão os porquês! E tanto assim é que, na ganância do corte de pinheiros, foram abaixo por insensatez ou ignorância, não sabemos, vinte pés de azevinheiro, uma espécie protegida por lei, que subsiste e reproduz na encosta norte da serra o que, a par com as bolsas do Gerês, será dos locais onde melhor se pode conservar a árvore em extinção. Proibido por lei, o corte é crime, tanto quanto suponho extensivo a toda a gente, a não ser que algum decreto-lei desconhecido tenha isentado da própria alguns grupos sociais ou políticos, o que não me admiraria. De qualquer maneira ninguém se vai lembrar mais disto e naturalmente, como neste país é tudo natural para algumas pessoas, é a impunidade que vai fazer esquecer o acto.

Como o seria em relação á enorme fogueira que queriam atear frente ao hotel, se tivessem público para a saltar e que adiaram a tempo para não deitar fogo á Mata, mas na verdade, porque não apareceu ninguém.

A propósito não resisto a transcrever da internet o comentário dum visitante, talvez dos únicos, que se apresentou nos festejos e escreveu a sua

opinião no sitio do diário As Beiras, de Coimbra. Diz assim:

Fui ao Buçaco com a família ver o tal presépio ao vivo. Á entrada cobraram-me 5 euros para percorrer uma estrada cheia de lama e de árvores cortadas. Depois fui ao palácio, estacionei o carro e 30 minutos depois já estava de arrancada porque sinceramente, foi uma desilusão. Muito arcaico, sem brio ou interesse e ainda me queriam cobrar mais 2 euros por cabeça (somos 5 pessoas) para visitar o Convento. Nem uma casa de banho digna desse nome para apoio! Metemo-nos no carro e regressamos a Coimbra com a sensação de que fomos enganados.

Para além destes absurdos natalícios, este ano a Mata está fechada aos habitantes da região, aqueles que a visitam no inverno porque a Mata também é deles através dos impostos que pagam e que lhe acodem no calor do Verão se algum incêndio ameaçar avanço muros adentro. Essa cota parte, é pouco lúcido restringi-la por todas as razões. A febre do dinheiro não justifica passar por cima do respeito que se deve pelo menos ás gentes do município, para não ir mais longe. O tomar conta do espaço como coisa familiar não é correcto e abona pouco os autores desta proeza.

Não só se está a destruir o Buçaco físico, como o nome do Buçaco em termos de turismo. Os compadres, que na feira do Cartaxo já tinham dado um ar da sua graça, não aprenderam nada desde então.

Na demagogia duma propaganda laparota vejo escrito milhares de turistas de visita. Não os vi, mas muito mais significativo do que não os ver é que nenhum desses numerosos turistas fez uma dormida na freguesia do Luso nem no município, o mesmo acontecendo em relação a refeições ou outros gastos, nos limites cá de cima. Aí por baixo, talvez possuam oculares diferentes e vejam alguma coisa e caso não vejam, sempre podem inventar e inscrever na propaganda que pagamos.

De qualquer modo fica a pergunta: serão estes turistas que os especialistas da fundação procuram? Ou serão turistas da afundação?   FS

Buçaco.blogs.sapo.pt

 

publicado por Peter às 23:19
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Terça-feira, 16 de Novembro de 2010

A FLORESTA DAS ALMAS

 

A FLORESTA DAS ALMAS E O ESTADO PARALELO

 

 

Não é o primeiro nem o segundo ataque de que a floresta do Buçaco é alvo.

Já esteve para ser vendida, já esteve semi-destruída por mais de uma vez, já foi prisão, já foi hospital, foi pasto de devassos e portanto não admira que agora esteja entregue a reclusos. Não é a primeira vez que isso acontece. Depois dos frades que, esses sim, foram os únicos e voluntários reclusos que a edificaram e mantiveram como donos legítimos, passaram reclusos políticos, reclusos anacoretas, reclusos soldados, reclusos escritores, reclusos poetas, etc, etc. E valha a verdade, intervalados por alguns bons amigos do Buçaco que depois da tempestade o conseguiram restabelecer. Uma floresta de almas cheias de boas intenções quer sejam de devotos, de amantes, de amigos, e acidentalmente de intenções menos boas, seja para retirar dividendos, bens, e outras benesses ou, como no presente, intenções de dúbias boas vontades. São ciclos, mas sempre os maiores amigos têm aparecido para contrabalançar os piores.

Nunca tinha acontecido porém um ciclo partidário. É um começo, de Mata Nacional do Buçaco pode passar simplesmente a chamar-se Mata Socialista do Buçaco, Mata Social-Democrata do Buçaco, Mata Democrata Cristã do Buçaco e duvido que passe alguma vez a Mata Comunista do Buçaco, mas também pode acontecer. Generalizando, uma espécie de Mata Clientela do Buçaco, ao sabor do ciclo político dos detentores da coisa pública. E sublinho coisa pública porque por enquanto, penso que a coisa pública ainda seja pertença de todos nós, embora nos proveitos pareça ser apenas quinta de alguns bafejados pela sorte e em desfavor do colectivo.

Sem olhar a meios nem a métodos, sem regras e sem justiça, sem clareza e sem honestidade, sem igualdade de oportunidades mesmo entre profissionais do mesmo ofício é que se chega a este desiderato onde estão as fundações. Destila-se o produto conforme a cor e sai o concentrado com o sabor preferido ou requisitado.

A partida foi dada, o trabalho começado, parece em marcha. E desta discrepância entre o que é fazer bem e bem-fazer, a mata em questão, está entregue, na sua vertente de limpeza e de jardins, a reclusos. Confirmou há pouco tempo um partido político com assento na Assembleia da República numa visita ao local e que teve o cuidado de o tornar público. E nós, que vivemos por aqui, temos conhecimento presencial dos factos.

Não sei se o dito partido apreciou ou não apreciou esta solução dos funcionários presidiários da conjuntural Mata Presídio, para lá do abandono e fraco estado em que encontrou o parque botânico, isso não o disse, mas a mim, que andei graciosamente no turismo durante uma dúzia de anos, faz-me uma certa confusão mandar algum visitante passear num lugar público aberto á industria do turismo e confronta-lo com a presença de reclusos nas limpezas e nos jardins. É um pouco como convidar alguém para jantar em minha casa e contratar um ou dois ladrões para servir a refeição. A verdade é que não se trata dum sítio qualquer nem dum trabalho que não interfira com a sociedade no seu livre dia a dia e por tal motivo me parece pouca acertada esta escolha de mão de obra e pouco credível a palavra de satisfação que ás vezes se ouve da boca de responsáveis, talvez aturdidos com os fracos resultados e por isso apostados em propagandear a asneira como se fosse grande coisa. Neste país já nada nos admira, mas há limites que se devem calcular antecipadamente para não cair no ridículo ou na defesa do interesse próprio!

De facto, quando a protecção á família se apagou das necessidades dos políticos para dar lugar á protecção a gays, a marginais, drogados e a todos aqueles que são resquícios duma sociedade sem regras e de pouco civismo, tudo pode acontecer. Como àqueles que, aparecendo pela Fonte Fria e Palace Hotel a abrir automóveis estacionados, também fazem serviços de limpeza e são ao mesmo tempo sérios candidatos a reclusos! É natural que visitem hoje a mata como larápios para amanhã entrar como empregados, no exacto tempo em que se despedem centenas de chefes de família com filhos por criar e muitas outras responsabilidades assumidas como cidadãos conscientes e cumpridores! Esta é uma das pobres imagens da realidade deste Portugal, agora socialista e de calças na mão, mercê das asneiras perpetradas pelos políticos á sombra do erário público.

Como turista, pese a obra caridosa e filantrópica, não entendo claramente a situação e mesmo que a quisesse entender numa perspectiva humana, não a posso perceber como contributo para os interesses sectoriais de que estamos a falar.  

Vamos supor que os Jardins de Fontainbleau ou o Palácio de Versalhes eram patrulhados por reclusos franceses. Sentir-me-ia seguro na minha visita ao local? E levaria para lá filhos de menor idade ou adolescentes passeando pacatamente por toda a zona envolvente? Mas basta chegar ao parque de Monsanto em Lisboa e supor por lá reclusos em trabalhos municipais, a aumentar aqueles que já nos ameaçam sem ninguém os lá colocar! A questão do turismo é assunto sério, não se compadece com estas manigâncias dos políticos caseiros para fazer crer que resolveram perfeitamente situações caóticas através da pelintrice improvisada. Se não têm dinheiro nem têm força para que lho atribuam, porque se fartam de clamar pela posse da gestão? Há gato!

Estes malabarismos só podem trazer insegurança e medo e só podem servir para afastar os presumíveis visitantes. Aos reclusos pode e deve ser reservado de facto uma componente laboriosa no caminho da sua regeneração e inclusão, mas em limpeza na Mata do Buçaco onde existe o único hotel de cinco estrelas da região centro, isso é que não passaria pela cabeça de ninguém com um mínimo de bom senso. Penso!

Esta coisa de fundar institutos e fundações para satisfazer clientelas, em que sucessivos governos têm enfiado este país, é um dos progenitores mais antigos do buraco orçamental, do peso dos impostos e da penúria do cidadão. Para além do saltar por cima da velha sentença romano cristã de dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus, salta-se por cima da igualdade de acesso aos lugares, por cima da justiça, da honestidade intelectual, do respeito, das habilitações. Bem pelo contrário, promove-se o livre arbítrio, o arranjismo, o compadrio, a incompetência e já nem falo de eventuais interesses inconfessáveis. Está bem á vista a fruto destas mais de mil florestas de alminhas cujas responsabilidades financeiras fazem parte integrante do saco das irregularidades dos políticos que nos levaram á pré-bancarrota em que vivemos. Como se sabe, é o cidadão que terá sempre de pagar.

O tal Estado paralelo. É que enquanto se criaram as mil e quatrocentas fundações para dar guarida aos afilhados, colocaram-se os funcionários nos respectivos ministérios e organismos, a tocar viola nas secretárias, pior, encostados a um canto como inúteis, sem respeito por aptidões, funções e nem pelo cidadão que há-de pagar.

Um absurdo e um abuso de poder dignos dos melhores tempos da outra senhora dona que Deus tem. Inverteu-se o princípio do político a servir a população para ser a população a servir o político. Ou o próprio político, a servir-se da situação. E do que lhe está implícito, claro.

A Mata Nacional do Buçaco, a que eu posso chamar neste momento Mata Socialista do Buçaco, é que paga as favas? Não só. Paga a Mata e pagamos nós, contribuintes!

No próximo ano já vamos ver!                                     FS        

 

publicado por Peter às 22:07
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