Terça-feira, 7 de Novembro de 2017

APOCALIPSE

 

 DSC_0271_edited.jpg

A  nossa luta contra o fogo tornou-se  crónica e épica. Na falta de castelhanos, os únicos afinal com quem mantivemos guerras acesas na Europa envelhecida, recorremos  finalmente ao fogo posto para manter  ocupada a nossa inteligência  incendiária, especialistas,  estrategas, investigadores, magos, jornalistas, comentadores  uma plêiade de portugueses “experts” bem nascidos, bem falantes, bem sustentados nos contornos duma esfera armilar para nos comer a carne e nos deixar os ossos consumidos por lobies. O previsível voltou a acontecer perante o caos  dos  defensores e da fragilidade dum governo ainda a beneficiar das boas graças do tempo e da hetacombe eleitoral da oposição mas que voltou a não estar á altura do desafio  dos fogos. Faz a mesma triste figura dos governos terceiro mundistas que se sucedem uns aos outros e não se preocupam com esta guerra que leva riqueza e vidas. Levam décadas de estudos,  dúzias de doutoramentos, toneladas de ideias, montes de dinheiro e, pese a genialidade das armas e dos barões assinalados  , feitas as contas são incapazes de dominar o inimigo. Erram os cálculos vectoriais da mesma maneira que as fáceis contas aritméticas e acabaram por fazer   apocalipses como ninguém colocando-os no terreno como uma mortífera bomba de partículas atómicas. Perante inocentes portugueses, as cobaias estivais,  inventaram acendalhas e produziram infernos onde hoje  a pobreza e a humildade dum povo  perece em fornalhas apocalípticas como se fossem cristão-novos ou criminosos comuns. Abandonados á sua sorte por governos legitimados pela  ganância irresponsável de partidos e de jobs  que perderam a noção de quem é esta gente que dá pelo nome  de portugueses para se concentrarem nos banqueiros e nos correligionários , os  políticos  deixaram á solta a corrupção , a defesa e a miséria das pessoas , esta última como se pode ver com o espanto das imagens televisivas que nos entram  casa dentro. Esta  ineficácia de aprendizes  que após a bancarrota leva vidas, casas,  animais e bens á frente das labaredas  e deixa pregados no chão  mais de uma centena de corpos de humanos compatriotas indefesos e sem ajuda  como se fossem galinhas  depenadas,  não é própria nem digna duma democracia, mesmo que a democracia não passe do tubo de ensaio ou experiencia que ainda não conseguiu expurgar os vícios com que nasceu, a incompetência, a mediocridade ou os compadres.  Queimados numa fogueira inquisitória e laica ou numa moderna guerra química e termodinâmica  estas vitimas inocentes tem culpados na partidarite dum regime que plasmou na guerrilha dos interesses  pessoais , duma classe sem condições e princípios para governar um país, que faz da  impotência e do amadorismo baronil dos seus agentes e amigos a pedra de toque da governação. Quanto ao tratamento florestal do território, como se vê ,é pura e simplesmente o abandono a um caos sem rei nem sem roque que inclui as pessoas e os bens. Politicas de influência quemtêm calcado aos pés o interesse da economia  nacional e do cidadão e os resultados são os que estão á vista,  um falhanço total que dificilmente poderia ser pior, um cenário onde os governantes imolaram, por incumprimento dos seus deveres mais básicos, mais de uma centena de portugueses em sucessivas piras  de sofrimento e morte sem terem sequer consciência da gravidade do fenómeno no posterior  da desgraça.

Não são três ou quatro dias de luto com as lérias habituais nem um abraço á família em dor  ou mesmo  férias estragadas duma senhora ministra juntas ao peso da consciência existente no poder que apagam os erros cometidos , a asneira persistente , o trabalho não feito  que  culminou na catástrofe. Não são as visitas do Presidente da Republica que ressuscitam os mortos ou  reconstroem os bens , as famílias, os empregos, tudo o que se perdeu com as leviandades de quem manda.  

Faltam sim os actos , as estratégias  e um objectivo definido claramente no tempo a favor do cidadão e do interesse nacional. Falta o fim das empresas comprometidas e levantadas á pressa para o negócio do fogo , falta transparência absoluta na gestão corrente da coisa publica e um equilíbrio da economia e da cultura no sentido dum cidadão consciente com dignidade de vida e respeitado como tal.  Cem mortes de inocentes por desprezo e por incúria não são o brincar que pretendem fazer ser!

Falta fazer um país honesto e sério e acabar com esta brincadeira onde nos meteram  escolas politico-partidárias que se apoderam demagogicamente  dum poder medíocre, ignorante , num amadorismo pindérico de país  do terceiro mundo onde tudo é permitido perante a impunidade de quem é responsável. Não chega o voto  para branquear as mortes!

Reordenar o território não é tarefa difícil, o que falta é vontade , como em outras áreas, de trabalhar com seriedade sobre a realidade dum povo e não sob a égide de compadres, de afilhados e amigos e não fazer da nomeação partidária um negócio de selecção de interesses. Aqui, o regime apodreceu e apodrece-nos.

Dois meses depois da vergonhosa tragédia de Pedrogão Grande coube a bombástica experiência á zona centro de Portugal. Uma região que tem empobrecido pela desertificação constante, pela ausência de estímulos económicos e esquecimento por parte dos poderes públicos , pela falta de investimentos com estratégia , quantificados e qualificados, pela divisão do poder em capelinhas sem escala e sem dimensão.

Numa das últimas crónicas evidenciei algo semelhante em relação á Mata Nacional do Buçaco. Quis o acaso, simplesmente o acaso, que não ardesse, no entanto aconteceu muito pior, arderam pessoas. À Mata , que segue o caminho partidário  da ineficácia e do  jobismo,  há-de chegar destino igual , mas aí, do mal o menos, só arde vegetação.

Outubro,16,2017        Buçaco.blogs.sapo.pt

 

 

 

publicado por Peter às 21:26
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Segunda-feira, 14 de Agosto de 2017

O PERIGO É A FUNDAÇÃO

DSC_0709[1].JPG

N esta fotografia com data de ontem com a serra

do Buçaco envolvida pelo fumo dos fogos pode

ver-se  a partir do canto  esquerdo todo o muro da

Cerca dos Frades desde a  Porta das Lapas até á

Cruz Alta, no ponto mais alto da fotografia.

Pode ver-se , mas não se vê porque  o muro em

toda a sua extensão funde-se e desapareceu entre

a vegetação, a de  fora e a de dentro , fazendo assim

comungar a propriedade privada com a pública

numa promiscuidade total. 

Como nem uma nem outra estão limpas um

fogo que suba da estrada Luso-Prenacova em dia

ou noite de vento, pode muito provavelmente levar

pela frente o rico património florestal da Mata

Nacional do Buçaco, entregue pela política ao

municipio e á sua fundação partidária.

Como se pode perceber, a irresponsabilidade

é total!!!!!

 

publicado por Peter às 20:47
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Terça-feira, 4 de Julho de 2017

OS FOGOS E O BUÇACO

DSC_0659.JPG

Aqui temos uma imagem feita hoje que mostra o muro

da Mata Nacional do Buçaco na sua parte exterior, onde 

o abandono é total e as silvas e o mato são donos.

Este é o estado em que está o  património em todo o 

perimetro  da Cerca , quer seja do lado de fora , quer 

seja do lado de dentro, apenas alguns pontos onde 

circulam os visitantes estão limpos e tratados.

DSC_0645.JPG

Este estado de coisas é um perigo constante  a pairar

sobre o rico património que é a Mata Nacional que pode

arder em qualquer altura se as condições climatéricas

assim o proporcionarem.

A situação não é para brincar e qualquer pessoa pode

constatar in loco  estes factos se visitar o local.

DSC_0665.JPG

 A seguir a esta calamidade ambiental a serra está 

infestada de acácias que em alguns lados pendem 

para dentro dos muros arruinados , uma situação

demonstrativa da irresponsabilidade que por ali

grassa , uma gestão duma fundação partidária 

 incapaz de tratar e defender o espaço.

DSC_0630.JPG

 Estas fotografias contrariam um comunicado da

Câmara da Mealhada publicado ontem no Diário de 

Coimbra, onde se afirma que tudo está feito 

para proteger o concelho e nomeadamente a freguesia

do Luso onde está o Buçaco, dos incêndios.

É absolutamente falso que haja segurança porque na 

realidade, para quem queira visitar o local, o perigo,

com o calor recente é eminente.

Quanto isto por incúria arder , quem são os 

responsaveis? Ninguém, estamos a saque....

publicado por Peter às 23:02
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Sábado, 25 de Março de 2017

RIO DA MULA

barragem rio mula.jpg

Barragem do Rio da Mula , na Serra de Sintra ,

rega,desportos e fogos , por acaso igual á

Barragem do Vale da Ribeira na  Serra do Buçaco,

freguesia do Luso , para rega, desportos e fogos.

O MESMO.

Os espertos políticos da nossa Câmara, uma

anedota, acharam que não era necessária ,

agora sabe-se porquê, não há fogos, não há regadio

( a obra efectuada no Vale da Vacariça ficou sêca)

e quanto a desportos, diz o presidente,

o Luso-Buçaco deixou de ser destino turistico.

Ele ordenou, está ordenado ! 

Arranjaram a lagoa  da terra onde mora, e chega!!!  

Continuem a elege-los que vão longe!!!!

O Luso-Buçaco e  o concelho.

Estão garantidos!!!!!

 

 

publicado por Peter às 14:09
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Quinta-feira, 27 de Outubro de 2016

O BUÇACO

003.JPG

Por uma acidental notícia de jornal viemos a saber um dia destes que a autarquia Câmara já gastou duzentos mil euros no Buçaco, ultrapassando até ao momento em 150 mil euros os 50 mil orçamentados no início do ano. Este é o fruto do seu envolvimento na gestão da Mata Nacional , um património que não nos pertence enquanto município, mas ao Estado, mas que a cegueira política dos eleitos levou erradamente a assumir e que nos vai custar, a nós munícipes deste território, uma boa fatia do orçamento, sem qualquer resultado a prazo. Porque de facto as contas são boas e simples de fazer e tão elementares que não se encontra uma justificação racional para este erro, a não ser na história do sapateiro que quer ir além da chinela que lhe cabe no pé. Será o caso.

De facto, bem poderia a Câmara encerrar portas por duas dúzias de anos, que os 17 milhões de euros anuais em orçamentos acumulados, não seriam suficientes para recuperar e manter o património em questão, realidade que por si só invalida o leviano envolvimento do erário municipal na solução do problema. Porque se meteu nisto a autarquia? Porque assinou com o governo de Passos esta monstruosidade financeira, substituindo-se ao dono Estado e recusando mesmo todo o seu apoio e participação? Vaidade, presunção, ambição de ultrapassar os poderes que lhes são conferidos, ou um caso de patologia política para o que não existe vacina nem medicação? Não se entende.

Para já, e raciocinando o mais simples possível, os 200 mil euros atribuídos e deitados fora são provenientes do bolo que deve ser gasto no município em favor dos munícipes , mas vão servir para satisfazer as remunerações do gestor e do assessor de imprensa da fundação, este último, soubemos recentemente, foi encaixado no sistema para refrescar com esperança notícias pré fabricadas. Porque outra das realidades evidentes é que, apesar das actividades e da venda de madeiras, as clareiras não o desmentem e não se sabe com que qualidade de controle isto é feito, as receitas são insuficientes para sustentar e recuperar o enorme património existente e que está, como qualquer cidadão pode verificar, em condições precárias. Quem conheceu o templo que era a Mata Nacional alguns anos atrás e verifica a destruição que por lá grassa hoje, pode testemunhar a ruina a que se deixou chegar um bem deste país, um estado de degradação que, francamente, a minha geração nunca presenciou!

É fácil de concluir que dos duzentos mil euros oferecidos obrigatoriamente por nós, munícipes, pouco ou nada restará desta transferência para investir na recuperação do património florestal ou construído, se é que restará alguma coisa mesmo!

Necessitava a Câmara deste concelho arcar não só com a responsabilidade financeira como com a responsabilidade moral da destruição inicial e da destruição continua que se segue, para que os seus eleitos viessem a colher medalhas e galões com a satisfação das suas mais primárias loucuras? A meu ver, claro que não. A pretensão fica-nos cara, quem paga com dinheiro alheio não tem margens.

Na semana passada fui pela segunda vez á serra de Sintra para fazer comparações e a questão é que não há comparação nenhuma. Ali , sem termas ,sem leitão e sem vinho, sem essas tão famosas maravilhas,  o património está reabilitado, classificado, o turismo numa espiral de crescimento em prol da economia local que se vê a olho nú em franco progresso. Ali até se adivinha o caminho, está ensaiada a solução, há profissionalismo e empenho no processo, aqui, bem ao contrário, brinca-se. Brinca-se com o património, com os bens, com o desenvolvimento, com o futuro e sobretudo com as pessoas que aqui vivem.

Ali o património é da UNESCO, uma coisa que eu próprio já reclamava em 2004 para a Mata Nacional do Buçaco, escrevendo-o na imprensa, aqui o anúncio da triunfante entrada do património na lista de espera onde o Buçaco já está desde esse mesmo ano de 2004. Um milagre do conteúdo funcional dum assessor de imprensa que lá tem as suas razões para transformar a reinscrição numa nova inscrição. Presta talvez o serviço que lhe pedem !

O que aconteceu é que desde 2004 a Câmara não se interessou, não pretendeu, não quis iniciar sequer o processo duma candidatura a património da Unesco. Sem ambição, sem  visão e sem estratégias, preferiu a comodidade da cadeira do poder e adormeceu tranquila nas suas redes intimas de telefone e telemóvel. O que podemos esperar hoje, destruído que está aquele património que não sendo concelhio está dentro do município?

Nada, não se pode esperar nada duma rotina partidária que sucessivos anos instalaram no poder e o encheu de vícios, cegou e esvaziou-se de ideias. O poder também se cansa, o poder está cansado. Cansado de mandar em tudo como se tudo fosse seu, incluindo as pessoas e os bens. O poder e o regime dormem o sono dos beatos!

Tão cego e tão convencido que nem sequer repara em coisas pequeninas como por exemplo o facto de eu e os meus vizinhos, talvez meia centena de famílias em quinhentos habitantes comungarem diariamente do tapete de alcatrão da estrada com automóveis, motociclos, camiões para se deslocarem nas ruas das suas casas. Comungamos a velocidade das viaturas com o perigo e a fraqueza das nossas pernas e pés. A monstruosidade dos autocarros ou camiões com as paredes e muros onde aderimos como lapas para não sermos trucidados. Eleitos que têm dinheiro para fazer festas e churrascos e distribuir por futebóis e feirantes enquanto andam em simultâneo a pedir esmolas para os pobres !  Dinheiro para contratar legítimos assessores que cuidam da sua bela imagem e apaparicam as notícias como a continuação do Buçaco na tal lista da Unesco nas esperanças dos subsídios que nos dá a CEE. Como se fossem verdades, fossem coisas consumadas quando não passam de tretas ainda por definir. Foi assim que em três eleições já foram feitos outros tantos hotéis nas mini termas do Luso. Investidores de vésperas de eleições de hotéis que nunca chegamos a ver. Políticos que retiram durante dezenas de anos aos Toscanos deste país o usufruto de terrenos que lhes fazem falta para desenvolver a economia a troco de projectos que nunca põem de pé !  Políticos que dão a uma fundação sem condições nem futuro 200 mil euros anuais e não têm uns trocados para investir nas pequenas coisas dos munícipes.

Não sei se isto se chama traficância da política das ideias ou ideias políticas da traficância. Talvez sejam uma coisa e a outra ao mesmo tempo. Talvez não sejam coisa nenhuma. È o municipio da Mealhada, perante o silêncio ruidoso dos autarcas  eleitos e da oposição que não existe. 

Mas algo vai muito mal no reino da Dinamarca!!!!! Como sugeri um dia, o rei vai nu! 

 

publicado por Peter às 19:48
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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2016

DESTRUIÇÃO DO BUÇACO

 

RSCN4704[2].JPG

 O Portão dos Passarinhos uma velha entrada da Mata

Nacional do Buçaco com um portão fundido em Lisboa

há dois séculos. O embude é para não se poder entrar

e ver a miséria dum interior abandonado á incúria e

irresponsabilidade duma afundação.

DSCN4691[1].JPG

Esta outra porta , chamada do Luso  porque dá acesso a

partir da vila, ruiu há uns anos largos e a mesma

afundação não teve dinheiro para a reconstruir , portais

muros e degraus incluidos. Então, retirou o esterco e fez

o esterqueiro  turistico que mostra a foto.

O Buçaco passa por uma gestão  de irresponsabilidade

total perante um património nacional  de valia 

turistica e económica.

 

publicado por Peter às 14:34
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Sexta-feira, 5 de Agosto de 2016

EXPOSIÇÃO ESTIVAL

frade.bmp

 

publicado por Peter às 16:40
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Sexta-feira, 27 de Maio de 2016

ROMARIA DA ASCENÇÃO

CSC_0225.JPG

 

O Dia da Ascensão foi sempre uma festa da Bairrada, pode-se dizer a mais participada romaria da região. E foi igualmente uma festa livre, uma festa do povo para o povo bairradino sem que se lhe colasse alguma vez a petulante política que anda por aí agora a descobrir coisas velhas que são da tradição dos povos para se lhes vestir uma casaca partidária como se fosse coisa de sua autoria e propriedade. Não posso concordar com esta comunização da cultura popular nem com a tomada abusiva dos usos e costumes que lhe dão suporte e valor. Isto não é uma Bastilha para ser tomada assim de pé para a mão porque afinal o que é do povo ao povo pertence e quando não houver povo, mesmo que por hipotese subsistisse a política, não haveria a Festa da Ascensão, acabaria com ele. Há que respeitar os deuses, os oráculos e as populações que estão acima dos serôdios politiqueiros e de oportunistas fundadores nestas questões que não lhes pertencem e separar devidamente o que é do trigo e do joio é correcto e conveniente.A Romaria da Ascensão foi sempre uma festa da Bairrada e de liberdade e tal como o leitão é um produto regional , a romaria é da região e não deste ou daquele municipio , é preciso que quem conjunturalmente manda saiba respeitar a tradição e os valores que dizem respeito a todos e que são efectivamente sua pertença, neste caso de dimensão regional.Em 1860 andavam por aí Guerra Junqueiro, Tomaz da Fonseca e outras figuras nacionais de mão dada com o poeta Manuel Alves de Vale de Boi, da freguesia da Moita, Anadia, grande amante da Mata que, dentro do seu estilo peculiar, foi o seu maior cantor. Juntavam-se forasteiros em comboios especiais vindos do Porto, Figueira, Leiria Pombal e outras terras . Mas era da sua Bairrada que vinham a maior parte dos ranchos , desde Anadia a Oliveira do Bairro, Agueda , Aguada ou Belazaima, Oiã, Mamarrosa, Moita, Mealhada , Ventosa , Cantanhede e muitas outras localidades da região. Os mais novos em animadas marchas e cantares, elas com os cestos á cabeça e os mais velhos ,com a experiência de anos e anos de subidas ao monte, certos a dirigir os romeiros e a procurar o chão que ia servir de mesa do almoço. A meio da manhã, do Convento às Portas de Coimbra andava um mar de gente aos encontrões entre vendedores de tudo o que fosse quinquilharia, brinquedos, bolos , bebidas, flores de papel, etc ,etc num frenesim que se prolongava tarde fora sem tristes fundações a comandar pessoas e lugares.O dia da Ascensão era ainda uma festa da família. Minha avó Teresa do Réu, matava o melhor capão da capoeira, um exemplar de crista eriçada e penas coloridas que mais parecia um faisão, minha mãe assava uma galinha no forno e as minhas tias maternas aligeiravam umas pataniscas e bolos de bacalhau ou umas feveras de porco ainda da matança do Natal. Juntavamos os farneis dentro dos cestos de verga no cimo da avenida Navarro esperando uns pelos outros e dali , manhã no inicio, integravamos o cortejo que nos levaria á Fonte Fria e ao Convento. Era na parte primeira do percurso ,quando se galgavam vagarosamente as escadas do Teatro Avenida, que se mostrava a miséria dum povo na sua legitima manifestação de pobreza e abandono. De facto, todo o escadório que conduzia á entrada da floresta, estava apinhado de pedintes, de estropiados, mutilados , gente com feridas expostas, tumores abertos , cegos , pernetas e manetas mostrando pruridos dos cotos , todos pedindo e gritando alto e bom som , de degrau em degrau e de mazelas expostas ajuda aos forasteiros. Estes lázaros, desprotegidos da sorte e espelho dum país e seus algozes, eram uma antecâmara que separava espiritos , ainda medievos em temores ancestrais, dos folguedos pagãos que se iriam seguir. Metiam-me medo as suas reais representações, em direto para um público que passava e deixava , se podia, uma esmola salvadora para descarga futura da consciência própria, se bem que, umas dezenas de metros acima, já embrenhados no arvoredo da mata, as cenas se fossem no fosso do esquecimento e do cansaço .Mais tarde, em pleno centro da circunstância, além do caminhar em redor do Convento, onde se misturavam os romeiros da Beira Alta , era sacramental seguir ao longo da Avenida do Mosteiro á Fonte da Samaritana e finalmente ás Portas de Coimbra , donde se abarcava a paisagem até á orla marítima. Era ali , sobre as ervas e flores do enome miradoiro ou nas suas redondezas , que nomalmente se estendiam as toalhas , se espalhavam caçoilas e utensílios e se saboreava paulatinamente o que de melhor se trazia da cozinha doméstica. O meu avô Ze Maria, que chegava com dificuldade ao repasto, mesmo trazido por algum dos meus tios de Lisboa, cofiava o bigode esbranquiçado e sentava-se contente ao lado da dona da casa a garantir a tribo reunida. Cantavam pessoas e ranchos numa harmonia comum e a meio da tarde , recordações guardadas e varapaus em riste , começava o movimento contrário com toda aquela gente em debandada serra abaixo , os ranchos tocando e dançando para alegrar as almas e facilitar o caminho de regresso , ás vezes noite cerrada pelos recantos dessa longa Bairrada onde acabavam em marchas e em bailes antes do sucumbir a um cansaço evidente. Podiamos contar neste resumo histórias e anedotas , de lutas , de pancada , do vinho ou do amor, mas não cabe no espaço essa aventura , seria um trabalho árduo e moroso , na verdade um romance de vida desta comunidade bairradina que espalha o habitat no vale do pequeno rio Cértima, entre o Mondego e o Vouga. A quem na realidade pertence a Romaria da Ascensão do Bussaco é ao seu povo simples , alegre e laborioso.

 

publicado por Peter às 17:47
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2016

CERCO DE BADAJOZ

tasmaniafoto

 O diário de um oficial  inglês  relatando episódios das Invasões

Francesas na Peninsula Ibérica , nomeadamente no Alentejo e

em Badajoz foi encontrado num alfarrabista da Tasmânia, Austrália.

Intitulado "Journal 1811" o manuscrito é um documento inédito e

conta com detalhes e precisão técnica o cerco do exército Anglo-

-Luso a Badajoz, comandado pelo Duque de Wellington em 1811,

nos começos do séc. XlX, no seguimento da  Batalha do Bussaco.

Para Gavin Daly , especialista em Guerra Peninsular na

Universidade da Tasmânia, trata-se de um "Tesouro" e a caligrafia

já foi reconhecida e confirmada como do autor John  Squire , que

veio a falecer vitimado por doença depois do cerco à cidade da

Estremadura espanhola. Está por saber  de concreto como foi

acidentalmente parar ao espólio do alfarrabista australiano o

importante manuscrito.

Fontes: BBC e NET

 

publicado por Peter às 12:13
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Sábado, 9 de Abril de 2016

AURORA

madrugada.jpg

Palácio do Buçaco, nascer do sol ,esta semana.

Destruida pelas intempéries e pelo homem, esta

Mata Nacional precisa do Estado para ser recuperada

como o foi Sintra. Não se  percebem as políticas

nacionais, benéficas nuns casos, talvez criminosas,

noutros casos. Se a riqueza patrimonial construida e

paisagistica é superior em Sintra, ela é também

superior no Buçaco em matéria  florestal.

 

 

 

 

publicado por Peter às 00:00
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