Sábado, 7 de Março de 2009

A FONTE FRIA DO BUSSACO

 

 

Desenho da Fonte Fria depois da remodelação de 1866

A FONTE FRIA DO BUSSACO

Mandada construir por D.João de  Melo, da primitiva Fonte Fria constava um arco embrechado sobre a nascente, ornamentado com conchas sugerindo gotas de água. Desde o inicio considerada a principal fonte da Mata , não só pela abundância  e temperatura do caudal , como pelo grandioso arvoredo que circundava toda a zona, a sua construção obedecia aos  gostos simples dos monges residentes  e  duma edição do Guia Histórico do Bussaco , Coimbra imprensa da Universidade ,1875 , pode retirar-se …” corre esta água por uma grande descida abaixo, fazendo notáveis visos á vista, tendo duas ordens de escadas pelas ilhargas , guarnecidas de lindas pirâmides, cujas paredes são lavradas de pedrinhas pretas, brancas e azuis, e algumas conchas postas com admirável ordem; no meio destas escadas faz esta água presa , aonde se forma um chafariz, que com muita galanteria lança a  água por vários canos; daí despede para baixo, indo sempre correndo pelo meio das escadas , aonde se acha  segunda vez represada em uma engenhosa fonte, a qual lança a água por um globo, que tem no cimo , em altura duma vara, e caindo esta em larga taça , sai por várias bicas, as quais se lançam fora em um lindo tanque, que tem em baixo…” No lugar do actual lago, existia então um  pequeno pomar.

 

 

A Fonte Fria actual

 

 Em 1836, a dois anos da extinção do convento, esta fonte estava em estado de grande ruína mas a sua recuperação parece ter acontecido apenas a partir de 1866 pela mão do grande amante do Bussaco que foi o Conselheiro Rodrigo de Morais Soares.  Reconstrutor e reformador da mata, Morais Soares não só aumentou a variedade das espécies existentes, como foi um apaixonado pelo local, recuperando espaços em estado muito degradado. Foi o caso da Fonte Fria. As escadarias laterais foram substituídas por um só escadório central divididos por dez lanços cada qual com o seu pequeno patamar, donde emergia a água em bicas, em cachões, ou pias de mármore. De ambos os lados, acompanha este conjunto um muro de pedra revestido de mosaicos. Ao fundo da escadaria foi construído de raiz o actual lago da Fonte Fria.

Um contemporâneo das obras, descreveu-as assim: “…um estilo de arquitectura muito pouco usado. Foi o estilo do precipício. Quem não tiver passo firme e olho bem aberto, nestes trocadilhos de escadas , tanques e tabuleiros, correrá muito risco ou de descambar pelas rampas de vegetação, ou de cair de mergulho nas pias dos primeiros e últimos lanços.”

Desta remodelação, profunda para o espírito da época, por isso bastante criticada, fizeram parte obras de aplainamento e alargamento de velhas ruas, aberturas de novas, descobriram-se a caiaram-se muros, grandes rampas deram lugar a escadarias, lugares mais recônditos foram objecto de cortes  para acabar com medos, sombras e mistérios. Ainda no que diz respeito á Fonte Fria, foi criticada a utilização de mármore da região de Lisboa e de pedra de Ançã , tomado como a negação do modesto embrechado de seixos pretos e brancos  dos eremitas , da natureza simples e bela da mata, da cortiça rude  e tosca , da austeridade imposta e seguida até então.

  

Ainda a Fonte Fria de 1866

Da persistência destas criticas ao considerado mau gosto das transformações nasceu nova remodelação em 1881, agora com a transformação das rampas laterais em escadas, destruição dos degraus centrais e sua substituição pela corrente de água aberta tal qual como a conhecemos hoje. Foram eliminadas as pias, as bicas, o encanamento até aos patamares e  a nascente foi remodelada com  calcário  trazido da região de Condeixa .

  Das grandes beneficiações que fez Morais na Mata , ficou na Fonte uma inscrição que dizia o seguinte:

 “Foi reconstruída por iniciativa do exmº Conselheiro R. de M. Soares, director geral do commercio e industria no ministério das obras públicas, sendo administrador geral das mattas do reino o conselheiro Ernesto de  Faria , administrador do Bussaco padre Maurício José Pimenta, e encarregado das obras no Bussaco o engenheiro inspector de florestas João Maria de Magalhães, em 1866.” 

Esta lápide , segundo o livro O Bussaco de Silva Mattos e Lopes Mendes, que a viram, foi mandada retirar pelo próprio Morais Soares.Luso,2009.FS

                                                                                                                                                                   

publicado por Peter às 11:10
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