Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007

LUSO , BREVE RESENHA HISTÓRICA

 

LUSO, BREVE RESENHA HISTÓRICA

          

                                                                                                                                                                       

 Tanto quanto se sabe, a certidão de nascimento do Luso tem a data de 1064, recolhida num inventário de vilas e lugares entre Vouga e Mondego, pertenças do Mosteiro da Vacariça, onde se refere, entre outras, a "villa de Luso, que fuit de Abba Noguram cum su ecclesia vocábulo Sancti Tomé", mas o Monte Buzaco onde se aninha, é já referenciado em 919. De Buzzaco, Buzaco ou Buzacco, a primeira noticia encontrada é uma doação do lugar de Gondelim feita por Gundezindo e outros ao Mosteiro de Lorvão, no ano de 919, que diz…cum suas ualles que discurrunt de monte buzaco (Portugalie Monumenta Histórica,vol 1, pág.14) .

Da primitiva paróquia da Vacariça desliga-se o Luso em 1834 quando da execução dos forais da Terceira, e mantém-se independente até à actualidade.
Terra de água, floresta, pastoreio e milheirais, foi a partir de meados do século XVIII que as virtudes do precioso líquido nascendo com abundância dum olho de água quente foram propagandeadas, tendo contribuído para tanto o Dr. José Morais, da Lameira de S. Pedro e o Dr. Costa Simões, entre outros. Por aquela altura escrevia-se que, "abaixo duma copiosíssima fonte de água fria, rebenta um olho de água quente, a que chamam o banho", isto é, então como hoje, abaixo da actual fonte de S. João rebenta a fonte termal a uma  temperatura de 28 graus. Em 1837, referenciavam-se no local cinco barracas de madeira, que a Câmara da Mealhada substituiu por uma casa de alvenaria, no ano seguinte.

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A excelência da água, a pureza, a mineralização, a radioactividade, as propriedades terapêuticas que abrangem um grosso leque de aplicações em tratamentos renais, reumáticos, hipertensão, respiratórios ou no stress citadino, canalizaram para o Luso grande número de banhistas, fenómeno que despoletou um crescimento acelerado da pequena aldeia, a que não foi alheia a acção do jornalista, ministro e conselheiro, Emídio Navarro canalizando gente e recursos para o desenvolvimento local. Tem um busto erguido na avenida de seu nome desde 1917.

Ajuda este despoletar da terapia termal a moda aristocrática dos séculos XIX e XX que, aliada á expansão do caminho-de-ferro e á industrialização, desenvolve hábitos e costumes que estão nos prenúncios da actividade turística que se estendeu até aos nossos dias e ramificou do luxo á massificação.

Mercê deste fenómeno social de grande envergadura, pequenos lugares como o Luso e outras terras ganharam uma importância que lhes trouxeram fama e condições de vida qualitativamente melhores. Esse crescimento, que foi contínuo deste a descoberta das virtudes do dito olho de água quente, elevou a aldeia á categoria de vila no ano de 1937, pois de facto o simples lugarejo sem importância, havia-se transformado numa pequena e bem urbanizada estância balnear, das primeiras a obter os benefícios da electricidade, do saneamento, do telefone, dum casino, dum teatro, além do pioneirismo que lhe coube no turismo e na hotelaria.

 Do património arquitectónico, destaca-se a Igreja Matriz com esqueleto do século XVII, donde se salienta escultura da Virgem com o Menino (Nª Srª do Rosário), do mesmo século, uma capela baptismal com retábulo seiscentista e uma imagem de S. Silvestre em pedra, do sec. XV. A igreja foi refeita em finais do séc. XIX sob o impulso de Navarro, donde lhe vem a torre sineira com traço dum arquitecto suíço. Na Fonte de S. João, ou das onze bicas, há uma capela dedicada a S. João Evangelista datada do séc. XVIII com uma pequena imagem do santo, em madeira, do tipo corrente e do mesmo século.
De referir alguns edifícios modernos pelo seu porte e valor arquitectónico, como o palacete do Marquês da Graciosa, hoje pensão Alegre, o"chalet" de Emídio Navarro, o Hotel das Termas, traço do arquitecto Cassiano Branco, o Centro de Férias do INATEL, ex-Hotel Lusitano, a Art Nova do Casino e algumas "villas" ainda hoje existentes, património não catalogado, não identificado, nalguns casos em franca degradação, mas que em qualquer caso constituem um conjunto harmonioso de ‘chalets’que marcam um estilo e uma época que ao tempo se multiplicou por todo o continente europeu.
      No Buçaco, cujo património intra muros está classificado, o Palácio Hotel é obra do arquitecto e cenógrafo italiano, Luigi Manini, encomendada no último quartel do século XIX para pavilhão de caça do rei D. Carlos, um monumento neo-manuelino de feição revivalista, obra da escola de cantaria coimbrã, enquadrado no ambiente sereno e acolhedor da mata. Os cento e cinco hectares construídos da Cerca são um recanto de rara beleza e motivo de visita de inúmeros nacionais e estrangeiros e a par de Coimbra o maior recurso turístico da região centro. No interior do palácio, como nas galerias exteriores, merece destaque a azulejaria do artista Jorge Colaço bem como toda a cantaria em pedra de Ançã, como se disse, da escola coimbrã. Mas também o complexo herdado dos frades carmelitas, Mosteiro e Via-sacra, com esculturas da paixão de autoria de Costa Mota, Sobrinho, são um património considerável, de extrema simplicidade no que toca ao espólio religioso, de boa qualidade na parte escultural da Via-sacra. No interior da igreja conventual, chama a atenção um retábulo de Nª Sª do Leite, óleo de Josefa de Óbidos.

  Também o Museu Militar, recordando a batalha que aqui teve lugar em 1810 contra o exército de Napoleão comandado por Massena, é testemunho vivo do património militar do Buçaco.

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A serra, que domina a região, aparece já como ponto de referência na doação de 919 e, rebuscando a martelo nas encostas, as "trilobites" do lugar de Louredo, são testemunhos fossilizados do Silúrico, bem no berço da criação do mundo.

Em 1628, a Ordem dos Carmelitas Descalços, resolveu fundar um cenóbio nas encostas da serra, o único aliás construído pela ordem em Portugal e assim nasceu o Mosteiro de Santa Cruz do Bussaco, cuja vida monástica teve início em 1630. Aos frades que aqui penitenciaram e á sua devoção pelo arvoredo , se deve muito da actual riqueza da floresta, um parque botânico impar na comunidade europeia.

 Em 1810, nas vésperas da Batalha do Buçaco, o Convento serviu de hospedaria e quartel ao Duque de Welington, e foi ponto de apoio na renhida luta que se travou nas imediações, fora dos muros, na vertente de Sula.  Relembram-se todos os anos, em 27 de Setembro, os acontecimentos decorrentes das invasões napoleónicas, que opuseram no local as tropas anglo-lusas ao exército francês e no museu recentemente renovado pode verificar-se o espólio dos combates em sugestivas encenações.


Hoje a freguesia é uma estância termal em franca degradação, apesar de possuir um apetrechado centro de fisioterapia, bom equipamento hoteleiro, salas de congressos e exposições, posto de turismo, museu, banco, piscinas, ténis, campos de tiro e um recente centro de estágios para diversos desportos, herança da realização do euro-2004 de futebol em Portugal. É servida pela estação dos caminhos-de-ferro da Beira Alta e dista sete quilómetros da auto-estrada Lisboa -Porto, com bons e rápidos acessos a qualquer uma destas cidades, bem como a Coimbra, Aveiro, Viseu, Guarda ou Salamanca.
Industrialmente, de anotar ainda a exploração da água mineral de mesa, a conhecidíssima Água de Luso, que é o maior empregador do concelho da Mealhada mas também o único beneficiário da riqueza que brota das nascentes, pois  a freguesia em si, está bloqueada na sua actividade principal, o turismo, de cujas termas tem a concessionária a responsabilidade. Muitas das potencialidades da freguesia continuam por despoletar mercê da prossecução sistemática de objectivos que nada tem a ver com os interesses locais.


Administrativamente pertence ao distrito de Aveiro, confinando nos seus limites com os distritos de Coimbra e Viseu. Dela fazem parte os agregados populacionais de Barrô, Buçaco, Carpinteiros, Carvalheiras Lameiras de S. Pedro e Stª Eufêmia, Louredo, Luso, Monte Novo, Salgueiral e Várzeas. Os antigos lugares de Moinhos e Venda-Nova fazem hoje parte do tecido urbano do Luso. Em termos jurídicos pertence à Comarca de Mealhada e religiosamente à Diocese de Coimbra. Teve por oragos S. Tomé, S. Silvestre e actualmente a padroeira é a Sª da Natividade. Existe na igreja matriz um retábulo dos finais do séc. XIX com a imagem da Santa em madeira tipo corrente.

Ferraz da Silva (texto actualizado em 12/2007)
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publicado por Peter às 19:30
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