Sábado, 1 de Dezembro de 2007

MONUMENTO POLIVALENTE

 

UM MONUMENTO POLIVALENTE

 

                                                                                                           

             

                                                                                                                                                         

Jorge A. R. Paiva in ‘Luso no tempo e na história’
Professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, investigador botânico,
ecólogo, membro do Grupo de Arqueologia e Arte do Centro (GAAC)


A Mata do Buçaco foi conhecida primeiramente por Mata de Alcoba, não se sabendo quando mudou para o nome actual (COSTA; 1932).

Várias origens têm sido atribuídos ao nome BUÇACO, algumas de cariz popular e tradicional. Assim se conta que o nome resultou do hábito que um pastor tinha em mandar o cão BUSCAR o SACO. Dai resultou BUSCASACO “ BUSS...SAO “ BUSSACO.

Também se conta que o nome deriva de um escravo negro a que chamavam BOÇAL ou BUCAL que, fugindo ao seu senhor, se foi esconder numa gruta na Mata. O homem tornou-se depois um assassino e ladrão, transportando um SACO e atacando as gentes das redondezas. De BUCAL mais SACO resultou BUSSACO. Ainda hoje há quem indique a “cova” onde o escravo se escondia na Mata. A “Cova do Negro” ou “Cova do Boçal” é um conjunto de rochedos sobrepostos entre os penedos situados na parte posterior da Ermida do Sepulcro.

Também se conta que o termo terá derivado das respostas que dava um devoto e venerável ancião que frequentava a Mata procurando sossego e silêncio, pois ali “nem chus nem bus”. Sempre que lhe perguntavam o que ia fazer à Mata, o “santo” velho respondia sorridente: “d’aquelle monte “SACO BUS”.” Da inversão da ordem dos termos resultou BUSSACO.

Todas estas origens são fantasiosas, sem o mínimo fundamento, pois basta referir que o termo BUZACO aparece já escrito em documentos do século X (919) e os negros só aparecem entre a população portuguesa depois das descobertas (Século XVI). O nome Buçaco tem, na realidade, uma origem um pouco incerta. Segundo o versão mais corrente, o nome parece derivado de “Bosque Sagrado” ou “Bosque Sacro”, ou de “Sublaco”, ou “Subiaco”, um nome dado pêlos frades beneditinos que residiam no Mosteiro da Vacariça (Luso) em recordação da gruta de “Subiaco” perto de Roma onde o patriarca S. Bento fizera penitência e onde aquela ordem fundara 12 mosteiros.

A poetisa Bernarda Ferreira de Lacerda, nas suas “Soledades de Buçaco” (1634), refere-se a esta etimologia:
”En aquelles siglos de oro, y venturosas edades, (Qual el de Lacio) Subiaco Solia el Monte LIamarse.”


A palavra teve várias grafias como “Buzaco”, “Buzacco”, “Buzzaco”, “Bussaco” e “Buçaco”. O que é certo é que se trata de um termo conhecido apenas para designar aquele arboreto e respectiva localidade, assim como um lugar do concelho de Arcos de Valdevez. Existe ainda o nome “BUSSACOS” para um lugar do concelho de Paços de Ferreira.

A Mata do Buçaco está situada a 40° 33’ N e 8° 28’ W, a 40 km do litoral atlântico, no concelho da Mealhada, no extremo NW da Serra do Buçaco, também conhecida por Serra do Luso, Serra de Carvalho, Serra de Santo António e Serra do Cântaro, onde a montanha atinge a altitude de 547 metros na Cruz Alta e se inicia a inclinada vertente para o Luso. Tem um comprimento máximo de 1450 m e a largura máxima de 950 m entre a Porta de Sula e as Portas de Coimbra. O arboreto reveste majestosamente parte da porção do planalto próximo do cume da serra e a vertente para o Luso, estando cercado por um muro de 5750 metros de comprimento e 3 metros de altura, limitando uma área de 400 hectares.

Este muro apresenta várias entradas (Mapa): a Porta do Luso, a noroeste, a mais próxima das termas do Luso; a Porta das Ameias ou do Ramal, assim chamadas pelas ameias que lhe servem de remate, sendo uma das utilizadas pela rede rodoviária; a Porta das Lapas, a que se situa na parte mais inferior da Mata, abrindo para a estrada Luso-Penacova; Portas de Coimbra ou Portaria da Mata, com dois grandes portais e a cerca de 100 m da precedente; a Porta da Cruz Alta, perto do cimo da serro; a Porta do Telégrafo, nõo longe da precedente; a Porta de Sula, na vertente sudeste, abrindo sobre uma esplanada e cerca da povoaçâode Sula; a Porta da Rainha, cerca da Capela das Almas e da Fonte Férrea, não longe da estrada Luso-Viseu, e dando acesso ao monumento comemorativo da Batalha do Buçaco, sendo este acesso utilizado pela procissão que se realiza habitualmente a 27 de Setembro; a Porta do Serpa, que dá acesso ao Cruzeiro; a Porta dos Degraus, logo seguida da escadaria; e a Porta de S. Joáo, próxima da Capela de S. Joáo e a mais recente entrada da Mata, situada perto do final da subida da Alameda Emídio Navarro.

Além da Igreja do Bussaco, arquitectonicamente pobre, existem na Mata onze capelas designadas por Ermidas de (o):
Santa Teresa; Santo Elias; Nossa Senhora da Conceição; S. Miguel; S. José; Calvário; Sepulcro; S. Joáo; Nossa Senhora da Espectaçâo; Nossa Senhora d’Assunçâo; Sacramento.

A área ocupada pela Mata do Buçaco é constituída fundamentalmente pelo Vale do Sacramento a norte e Vale do Carregai a sul, ladeados a norte pela Costa do Sol e a sul pela Costa do Sacramento. Os dois vales estão separados por uma ligeira crista onde se encontra o Hotel e coalescem pelas alturas da Fonte Fria, formando o designado Vale dos Fetos   

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O clima da Serra do Buçaco é ameno, com raras e rápidas geadas e excepcionalmente neva. A pluviosidade anual é de cerca de 1500 mm, com cerca de 130 dias anuais de chuva. A humidade relativa apresento valores ca. 80 mm, com uma evaporação total de 690 mm.

A temperatura oscila entre os 39-40° C máxima no Verão e 1°C no Inverno e os ventos dominantes são de NW, mas no Inverno ocorrem também ventos de SE.

Na Mata do Buçaco os nevoeiros são muito frequentes e densos, sendo menos frequentes na Primavera e Inverno do que no Veráo e no Outono. A maioria das vezes o nevoeiro só se dissipa ao fim do manha, particularmente na zona da Cruz Alta (547 m) e noutros locais elevados da Serra.

A Mata do Buçaco é, indubitavelmente, uma das melhores colecções dentrológicas da Europa. Este arboreto e o Parque da Pena em Sintra constituem os dois mais ricos conjuntos de plantas lenhosas exóticas em Portugal.

A Mata
, além da humidade atmosférica própria do microclima daquela zona da Serra, tem várias linhas de água e fontes, sendo a principal a Fonte Fria. É uma obra majestosa muito degradada quando foram abolidas as ordens religiosas, tendo sido reedificada a partir de 1866, mas com uma traça diferente da original e modificada ainda em 1881. Outras fontes são a Fonte de Santa Teresa, a Fonte do Carregai, a Fonte de S. Silvestre, a Fonte de Santo Elias, a Fonte de S. Miguel, a Fonte da Espectaçáo, a Fonte da Samaritana e a Fonte Nova. Além destas, existem muitas outras com menor importância (“bicas”).
A Mata do Buçaco constitui um valioso património, por diversas circunstâncias:

 

  • Possui uma das melhores e mais majestosas colecções dendrológicas da Europa e ainda alguns retalhos da vegetação natural tipo climácica, que representa a floresta primitiva com idênticas aptidões ecológicas, que existia nas montanhas do centro de Portugal.
  • Constitui também uma “reserva paisagística”, pelo ambiente paradisíaco que ali se desfruta.
  • Possui património arquitectónico pelas obras que encerra, como o F-lotel, a 357 m de altitude e a cerca de 200 m do topo da Serra, as Portas de Coimbra, a Fonte Fria, as Ermidas e as Capelas. Na portaria da Mata (Portas de Coimbra) estão as lápidas onde se lê a tradução da Bula Papal de 1622 (GREGORIO XV), proibindo a entrada de mulheres nas casas de ermo de Espanha, e a Bula do Papa URBANO VIII (1643), que excumungava quem cortasse árvores ou praticasse outros danos nos domínios eclesiásticos da Serra.
  • É um repositório militar, nõo só pela proximidade dos campos da “Batalha do Buçaco”, como porque o General Arthur Wellesley (Lord Weilington) esteve hospedado no Mosteiro, hoje Hotel, cerca de oito dias, antes e depois de terminada a referida batalha. Além disso, entre a Porta de Sula e a Porta da Rainha, embora fora do muro que ladeia o arboreto, está um Monumento Militar, padrão comemorativo daquela batalha; cerca da Porta da Rainha está a Capela das Almas do Encarnadouro (presentemente Capela da Vitória), onde muitos feridos franceses foram tratados pêlos frades do Buçoco, tendo sido construído ao lado desta capela o Museu-Biblioteca com documentação museológica e literária referente àquele acontecimento militar.
  • A Serra do Buçaco constitui um sistema geológico muito variado, com formações desde o Arcaico (Ante-Ordovícico) até ao Quaternário; muito rico paleontogisamento, especialmente na zona designada por Bacia Carbonífera do Buçaco, de onde têm sido descritos muitos fósseis.
  • É um “santuário” para as aves e outros animais já muito raros, como a lontra e a salamandra-de-cauda-com-prida.
  •                                                                                               
  •                                                                                         
  • A Mata do Buçaco é pois um monumento polivalente:
    natural, botânico, zoológico, geológico e paleontológico, militar, religioso, histórico e tradicional.

    Náo conseguimos dados que possam garantir com exactidão a introdução de árvores exóticas no Buçaco. Como o cedro-do-bussaco (Cupressus lusitanica Miller) é a árvore mais “célebre” da Mata e aquela que julgamos ter sido a primeira espécie arbórea exótica introduzida no Buçaco, baseamos as nossas pesquisas nesta planta, citada por vários poetas, entre os quais, José Freire de Serpa Pimentel, escrita no século passado:
    ”Eil’o, que o vejo, esse sitio caro, Essa montanha sacra, esse retiro, Que busco à tanto; eil’o que o conheço Pelas pontas vergadas d’altos cedros, Pêlos prainos do mar, que ao longe brilhâo,”

    Pode garantir-se que, antes do bispo de Coimbra D. João Manuel ter dado aos Carmelitas descalços “umas matas e terras na serra de Luso” para ali fundarem “uma casa de deserto neste reino”, já se tinha processado a introdução de exóticas nas referidas “matas da Serra do Luso” em “Bussaco”. A doação, “vencidas algumas contradições e dificuldades” teve lugar em 1628. Segundo CASTRO (1932), “Quando os Carmelitas descalços alcançaram do bispo de Coimbra, em 1628, a deveza do Buçaco, já havia ali grande número de árvores corpulentas (algumas dos quais ainda hoje subsistem)”. Em 7 de Agosto de 1628 foi lançada a primeira pedra do convento “dentro da mata que já então existia” (ROXA; 1858) (“e a comunidade deu começo à regularidade eremita em 19 de Março de 1630. Podia admitir-se que a introdução de árvores exóticas se deveria ter processado após a chegada dos três primeiros frades carmelitas (Tomaz de S. Cirilo, Joáo Batista e Alberto da Virgem) ao Buçaco em princípios de 1628, mas estamos convencidos que essa introdução de exóticos é anterior a essa data (1628).
    Alguns autores consideram que a introdução da “Cedrus lusitanica Miller”, a árvore mais notável do Buçaco, sendo até conhecida por Cedro-do-Buçaco, mas, sem dúvida originária da América Central (México, Guatemala), se tenha efectuado em 1644, ano em que o Reitor M. de Saldanha inaugurou (15.08.1644) a capela de S.José (FRANCO, 1945).

    Começamos por notar que o cronista Frei Leão de Thomas, no tomo l de Benedicta lusitana, datada de 1644, no que se refere à ermida de S. José, afirma: “Entrose nelia por hü jardimsinho com sun fonte, tem seus passeyos a roda com outras fontes, & muitas árvores, & entre ellas os primeyros cedros que neste Reyno se virão plantados.” Portanto em 1644 já ali estavam essas árvores (cedros), que não têm um crescimento extraordinariamente rápido.

    Em 1634, nas “Soledades do Buçaco” a poetisa Bernarda Ferreira de Lacerda, referindo-se à rua que parte da Porta de Coimbra, afirma:
    ”...Alli el funesto cypres Con el vitorioso lauro De Ias hoyos, y saúcos Estan recibiendo abraços...”

    O “cypres” não é mais que a “Cupressus lusitonica Miller”, visto que a outra árvore conhecida em Portugal como cipreste, a “Cupressus sempervirens L.” (originária do Mediterrâneo Oriental), não existia, nessa altura, na Mata do Buçaco, pois em 1719 TOURNEFORT não a menciona, nem a cita também na lista das plantas que localizou no Buçaco e arroladas na sua “Topographie botanique”. “Cupressus mocrocarpa Hartweg” e “Cupressus goveniana Gord.”, ambas da Califórnia, são as outras espécies de “Cupressus” existentes no Buçaco, sendo os exemplares mais antigos os da última espécie existente na Cova de S. Pedro. Mas a introdução destas duas espécies é posterior a 1850, ano em que a Mato passou para a Administração Pública, assim como de mais algumas outras espécies de “Cupressus”, de introdução relativamente recente.

    Se no Buçaco houvesse desde o início da ocupação dos carmelitas descalços mais do que uma espécie de “Cupressus”, o notável botânico francês TOURNEFORT não se teria referido apenas à “Cupressus lusitanica” (“Cupressus lusitanica patula fructu minore”) quando visitou o Buçaco em 1689. O mesmo aconteceria a GOETZE, que, ao referir-se, numa carta escrita e dirigida a M. MASTERS em 1894, à visita que efectuara à Mata do Buçoco em 1866, quando conservador do Jardim Botânico de Coimbra, apenas cita magníficos exemplares de “Cupressus glauca” (C. lusitanica Miller).

    Antes dos frades carmelitas descalços se instalarem no Buçaco, a serra do Buçaco pertencera ao Mosteiro dos Beneditinos da Vacariça, povoação situada a 5 km do Buçaco. No entanto, os frades beneditinos do Mosteiro Bubulensej não podem ser responsabilizados pela introdução de árvores exóticas, particularmente esta “Cupressus” oriunda da América Central, por terem ocupado aquele Mosteiro, pelo menos, entre o século VI e IX, época ainda muito distante da descoberta do Novo Mundo. A partir de 1094 o Mosteiro da Vacariça passou a pertencer ao Bispado de Coimbra, data muito anterior à descoberta da América. Sabe-se, de qualquer modo, que os monges que residiam no que restava do Mosteiro se deslocavam periodicamente às capelas do Buçaco, já ali existentes antes da chegada dos referidos carmelitas.

                                                                                           

          

                                                                              
Assim se compreende que quando em 29 de Agosto de 1626, pela primeira vez, dois carmelitas visitaram a serra do Buçaco aconselhados por JOÃO FIGUEIREDO, um proprietário rural de Vilaredo (Vacariça), ao subirem a serra tenham visto “em Bussaco tanta variedade de árvores”. Este facto leva-nos a admitir que já ali deviam existir árvores exóticas. A floresta natural daquela zona, de que há alguns retalhos como por exemplo próximo da Cruz Alta, não só não é muito variada no que se refere a árvores, como as árvores não atingem portes que pudessem maravilhar os frades.

Na realidade parece que a floresta era já variada e rica antes dos carmelitas descalços a habitarem. Segundo alguns autores (COSTA, 1932), “Era tal o desvelo dos religiosos pela conservação e augmento da sua querida floresta, que, para obviar aos cortes e estragos que furtivamente se lhe faziam, alcançaram de Urbano VIII uma sentença de excomunhão maior, “ipso facto incurrenda”, contra quem violasse a clausura a fim de destroçar seus arvoredos. Esta sentença foi assignada pelo pontífice em 28 de Março de 1643”;

Vistando os frades eremitas de Nossa Senhora da Graça com frequência o Buçaco e permanecendo ali largos períodos de isolamento, foram, com certeza, eles que introduziram as primeiras árvores exóticas da Mata.

As árvores exóticas mais antigas do Buçaco são plantas oriundas do continente americano, particularmente da América Central, colonizada pêlos espanhóis. É natural que entre os eremitas do Colégio de Nossa Senhora da Graça de Coimbra tenha havido algum vigário espanhol nomeado para o Mosteiro da Vacariça e que tivesse “visitado” a América Central. Aliás já JÚLIO HENRIQUES (1911) admitia que a C (usitaníca Milier tivesse sido primeiramente cultivada na Espanha e deste pais trazida pêlos frades, para Portugal.

Portanto, a introdução de árvores exóticas no Buçaco parece ser anterior à chegada ali dos frades carmelitas descalços (1626) e posterior ao descobrimento do México (1518) de onde é originária a Cupressus lusitanica Miiler.

Esta espécie (Cupressus lusitonico Miiler) não é de origem asiática como se pensava inicialmente, tendo sido conhecida até por Cedro-de-Goa (SLOANE, 1684; RAY, 1688;

HERMANN, 1687; PLUKENET, 1696; MILLER, 1768; HENRIQUES, 1885 e 1895), mas sim das montanhas do México e Guatemala (HENRIQUES, 1911; FRANCO, 1945, 1986).

Quando em 1689 o notável botânico francês TOURNEFORT visitou o Buçaco, tendo herborizado na Mata, assinalou seis espécies arbóreas (1676-1690), sendo “Cupressus lusitanica Miller” a única exótica j21). Assim, julgamos que na Mata havia já bastantes exemplares desta espécie tal como hoje. A partir de 1834 a Mata passou a fazer parte dos bens nacionais e em 1850 foi entregue à Administração Geral das Matas. A maioria das árvores exóticas foram introduzidas a partir de 1856 particularmente sob a acção de R. de MORAES SOARES e S. BERNARDO LIMA.

A Mata encontra-se situada no cimo de Serra do Buçaco que, sendo uma elevação de baixa altitude, a vegetação é uniformemente luxuriante em toda a sua área.

O convento foi transformado -num sumptuoso palácio neo-manuelino, passando à actividade hoteleira a partir de 1909.

Como se disse, o microclima da Serra do Buçaco é húmido e temperado com frequentes dias de nevoeiro, Assim, muitas das árvores introduzidas no século passado, atingem, actualmente, dimensões notáveis. São exemplos os seguintes espécimes:

 

  • “Araucária bidwillii Hook”, árvore com cerca de 35 m de altura, junto ao Hotel. Esta, espécie nativa de Que-ensland (Austrália), é cultivada em vários parques de Portugal.
  • “Araucária angustifolia” (Bertol.) O. Kuntze (o “pinheiro do Pará”), originária do sul do Brasil e Argentina, cujos pinhões, com um tamanho ± duplo da amêndoa com “casca”, comestíveis, utilizados pêlos bandeirantes por isso (existem vários exemplares que não frutificam)
  • Existem vários exemplares de “Cedrus deodora” (Roxb. ex D. Don) G. Don f. espécie originária dos Himalaias e Afeganistão com cerca de 35 m de altura.
  • Entre os espécimes “Cedrus atlântica” (EndI.) Carrière originário das montanhas da Argélia e Marrocos, salienta-se o que se encontra próximo da Casa do Guarda das Portas de Serpa, com 30 m de altura.
  • “Cupressus lusitanica Miller” com vários espécimes na Mata, o mais célebre, o Cedro-de-S. José, considerado o exemplar mais velho em Portugal, com 22 m de altura. Rodeia-o um gradeamento metálico, o que parece desnecessário e, além de inestético, constitui um objecto de poluição visual.
  • Próximo da Fonte Fria estão dois belos exemplares de “Fraxinus pennsylvaca Marsh” (o freixo-vermelho) espécie originária da América do Norte.
  • Junto da Casa do Guarda da Porta das Lapas encontra-se o maior exemplar do país de “Pseudotsuga menziezii” (Mirbel) Franco (Abeto-de-Douglas), (45 m de altura). Outra espécie originária da América do Norte e de que os Serviços Florestais, devido ao seu grande interesse económico efectuaram diversos povoamentos no País, particularmente em Manteigas, Serra da Lousa e Serra da Padrela.
  •                                                                     
  •                                                                 
    - Como nõo podia deixar de ser, na Mata do Buçaco foram também introduzids as árvores mais célebres do globo, pela sua altura: as Sequoias, originárias da Costa do Pacífico dos Estados Unidos (Oregõo e Califórnia). Próximo da Fonte de Santa Teresa encontra-se a “Sequoia sempervirens” (Lamb.) EndI. plantada em 1879 e com 45 m de altura. São desta espécie as árvores mais altos do globo, atingindo cerca de 113 m de altura na Califórnia. “Sequoiadendron giganteum” (Lindiey) Buchholz é a outra espécie de Sequoias, que na Califórnia atingem cerca de 90 m de altura, mas que na Mata do Buçaco não atingem ainda altura significativa.

    - Como náo podia deixar de ser, ao que nada temos a opor num arboreto, na Mato do Buçaco também existem eucaliptos e acácias. Os eucaliptos são originários da Austrália, Tasmania e ilhas vizinhas, e as espécies de acácias que estão naturalizadas em Portugal são, na sua quase totalidade, espécies originárias da Austrália. No Buçaco merece destaque o exemplar de “Eucaliptus obliqua” L’Hér. plantado em 1877, ladeando a estrada de acesso ao hotel, com cerca de 44 metros de altura e um exemplar de “Eucalyptus regans” F. Muell. plantado em 1882, com cerca de 60 metros de altura, num vale nõo longe do Hotel. Esta última é a espécie de eucalipto mais alta no pais de origem (Austrália) e muito cultivada em Portugal, “Podocarpus mannii” Hook. f. é uma espécie endemia em S. Tomé, e, apesar de ser uma árvore pouco elevada, assinalamos o exemplar existente junto à Fonte de S. Silvestre, como uma das raridades da Mata, e que é um bom indicador do microclima húmido da Serra do Buçaco.

    Mencionamos ainda a “Araucária columnaris” (Forst.i Hook, originária da Nova Caledónia, também introduzida no Buçaco, não atingindo ainda grandes proporções. O restritivo especifico desta Araucária relaciono-
    -se com a imagem que COOK e os seus marinheiros tiveram ao avistarem a Nova Caledónia na segunda viagem ao Pacífico Sul. Ao longe as árvores pareceram-lhes grandes colunas de basalto. Na Mata do Buçaco, além de três espécies de pinheiro espontâneos em Portugal,-o pinheiro bravo (Pinus ainaster Aitonj; o pinheiro manso (xPinus pinea com um enorme exemplar (30 m de altura) ao fundo do Va!e dos Abetos; e o pinheiro-da-casquinha (Pinus sylvestris) existem outras origináris de outras zonas da Europa, Canárias e América.
    Os abetos (abias) são outras Pináceas, cultivados no Buçaco. Das varias espécies destacamos “Abios olbo” vlill., particularmente os do Vale dos Abetos situados “.a torta supeior do Vale de S. Elias e os da Costa do Sol.

    Há exemplos no Vale dos Abetos que atingem cerca de 40 m de altura.

 

  • Na Mata existem também exóticas caducifolias, sendo de assinalar a faia (“Fagus sylvatica L.”) pela cor outonal do folhagem.
  • Felizmente também se cultivam no Buçaco árvores da flora portuguesa, como o azevinho (“Ilex aquifolium L.”), havendo exemplares que frutificam abundantemente próximo da Capela de S. Elias; e o teixo (“Taxus bacca-ta L.”) cerca da Fonte Fria.
  • Ao lado do Hotel encontra-se a oliveira (“Olea euro-paea L.”) a que Weilington prendeu o cavalo após a Batalha do Buçaco.


A mata do Buçaco não é só importante por constituir um notável arboreto com muitas espécies arbóreas exóticas, pois ali também vegetam belos exemplares lenhosos e plantas raras da flora de Portugal.
Como não podia deixar de ser, na Mata do Buçaco também existem carvalhos, alguns espontâneos como o carvalho-negral (“Quercus pyrenaica Wilid.”) o carvalho-roble ou carvalho-alvarinho (“Quercus robur”) e o sobreiro (“Quercus suber”).
Da flora climática da Serra do Buçaco, salientamos algums lenhosas como o azereiro (“Prunus lusitania”), um endemismo l25) ibérico; o aderno (“Phillyrea latifolia”) com um notável exemplar de 15 m de altura cerca da capela do Jordão; o folhado (“Viburnem tinus”); a pereira brava (“Pyrus communis”); a aveleira (Coryius avellana”) e o lentisco bastardo (“Phillyrea angustifolia”).
Das espécies herbáceas realçamos bulbosas como “Narcis-sus bulbocodium” e os endemismos ibéricos “Fritiliaria lusitanica Wilkstrôm” e “Crocus serotinus Salisb.” (açafrão-bravo); várias espécies de orquídeas, como a orquídea com as flores mais pequenas da nossa flora “Neotinea maculata” (Desf.) Steam; “Serapias cordigera” “Orchis máscula” subsp. máscula (satiráo-macho); “Orchis moris”; “Ophrys apifera” Hudson subsp. apifera (erva-abelha); “Epipactis palustris” Crantz.; “Neothia nidus-avis” L. C. M. Richard, muito rara no nosso Pais; e outras herbáceas como o sêlo-de-salomão (Polygonatum odoratum (Miller) Dra-ce); o morangueiro-bravo (“Fragarias vesca”); as violetas (“Viola riviniana” Reichnb. e “Viola canina”; a “Sanicula europaea”, uma umbelifera dos sítios montanhosos e pouco frequente em Portugal.

Além de antófitas (plantas com flor), a Mata do Buçaco contém também Pteridófitas invulgares, espontâneas como “Davailia canariensis” Sm. (feto-dos-carvalhos) e “Phyilitis scolopendrium” Nowman subsp. scolopendrium (lingua-de-vaca), ou exóticas como a “Dicksonia antárctica Lab”. originária da Austrália e Tasmânia, que é o feto arbóreo no “Vale dos Fetos”.
Como testemunhos da humidade existentes na Mata salientamos a riqueza de Briófitas (hepáticas e musgos).

Das hepáticas estão assinaladas 25 espécies circumboriais e 35 espécies europeias. Não são conhecidos endemismos de hepáticas. Dos musgos estão assinaladas 113 espécies dos quais duas são endémicas, “Hyophila lusitanica” Cond. & Dix. e “Hyophila machadoana” C. Sérgio e duas são introduzidas e originárias da zona do PAcífico, “Hypopterygium muelleri Hampe” e “Clapodium whippieanum” (Sull.) Ren. & Card.

Estão também assinalados para a Mata muitos líquenes, algas e fungos mas estes grupos não foram ainda tão bem estudados na Mata do Buçaco, como os outros grupos de plantas referidas anteriormente.

Finalmente, não queremos deixar de referir a importância faunística da Mata do Buçaco.

Entre as 23 espécies de mamíferos assinalados para o Buçaco, interessa salientar a ocorrência da lontra (Lutra lutra), espécie protegida por lei e extremamente rara nos outros países europeus.

SEABRA (1905) assinala 80 espécies de aves, mas acreditamos que na Mata do Buçaco exista maior número destes vertebrados.

Estão assinaladas 10 espécies de répteis e, entre as 9 espécies de anfíbios, salienta-se a salamandra-de-cauda-comprida (Chioglossa lusitanica”), um endemismo ibérico estritamente protegido.

Conhecem-se cinco espécies de peixes, 22 de moluscos e 134 borboletas (70 diurnas e 64 nocturnas), mas tal como nas aves, acreditamos ocorrerem ali um maior número de espécies destes insectos.

Não seria curial terminarmos esta “resenha” sem realçarmos a importância geológica da Serra do Buçaco.

A designada Bacia Carbonífera do Buçaco aflora com uma orientação Norte-Sul ao longo da falha Porto - Coimbra -Badajoz -Córdova. A série sedimentar inicia-se por depósitos de leque aluvial, a que se seguem cerca de 40 m de depósitos de planície aluvial contendo uma flora fóssil do tipo do Rotii-egendes inferior, com a idade provavelmente correspondente ao Estefaniano (27) mais superior. A série termina por depósitos fluviais.

Esta Bacia Carbonífera do Buçaco é paleontologicamente muito importante e variada.

Os primeiros estudos geológicos que conhecemos sobre o Buçaco foram publicados por RIBEIRO (1850; 1853ª; 1853b). Não admira que muitas espécies fósseis estejam descritas sobre material colhido por aquele autor.

A Mata do Buçaco abrange uma área com predominância de formações do Pérmico, para norte triássico, para sudeste e Senoniano (Grés do Buçaco) (31) junto à Cruz Alta. Fora do âmbito da Mata o sistema geológico é mais complicado. A Serra do Buçaco é predominantemente constituída por formações do Estefaniano C, confinando a nordeste e oriente com o complexo xisto-grauváquico, com o Precambrico a noroeste quartzidos e xistos do Silúrico e Ordovícico a oriente; a sul confina com formações ante-ordovicicas (pre-cambrica) do complexo xisto-grouváquico. DELGADO (1908) foi o primeiro autor a publicar uma carta geológica detalhada da Serra do Buçaco e zonas limitadas.

As formações mais recentes , pertença do Plioceno - Quaternário encontram-se a noroeste e ocidente.
Devemos, no entanto realçar, além dos trabalhos já mencionados de RIBEIRO e de DELGADO, os estudos geológicos e paleontológicos de SOUSA. & WAGNER (1983), WAGNER & SOUSA (1983), WAGNER, SOUSA & WAGNER (1983), para .além dos de Décio Thadeu (1947) e W. l. Mitchell (1974).

 

publicado por Peter às 00:04
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