Quinta-feira, 27 de Maio de 2010

SOUVENIR-POSTAIS

 

 

Colecção de oito postais SOUVENIR DE BUSSACO

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publicado por Peter às 22:26
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Terça-feira, 11 de Maio de 2010

BATALHA BUSSACO-3ª INV-A DEFESA-5

 

 

 A DEFESA EM LINHA

 

 Como deixamos dito em Almeida, Arthur Wellesley, o comandante do exército anglo luso, foi recuando das posições assumidas desde Celorico, antecipando pela frente os movimentos do invasor á medida que lhe ia adivinhando as intenções e o rumo. Retirando os seus efectivos pela estrada da Beira, esperou que os franceses definissem o caminho com a intenção de os atrasar na sua caminhada até ás Linhas de Torres, cujas obras de defesa, é uma hipótese, não estariam ainda totalmente concluídas e para que isso acontecesse era preciso ganhar algum tempo. No dia 20 deixou o convento de Lorvão onde pernoitou e dirigiu-se para o Buçaco onde se instalou, deixando ás milícias de Trant a tarefa de se ocupar a retardar o mais possível a marcha dos franceses que o seguiam a pouca distância.

Aqui devemos fazer uma pausa para explicar que estas milícias portuguesas comandadas por um oficial britânico, Trant, não eram um bando de guerrilheiros sem regra nem função mas sim as milícias municipais ensaiadas por D. Sancho I e criadas a seguir por D. Sancho II, tal como as Ordenanças que foram fundadas por D. Dinis e existiram sempre na nação portuguesa em tempo de conflitos. As primeiras, organizadas em terços, prontas para acudir a uma invasão pelas fronteiras, as segundas próprias das fortalezas para resolver questões internas. Ambas organizando-se apenas na altura das necessidades, ambas também fontes de fornecimento de recrutas para o exército regular desde que começou a existir em permanência, a partir da guerra da restauração.

Quer o exército permanente que foi desmobilizado por ordem de Napoleão aquando da tomada de Lisboa por Junot, quer estas estruturas independentes mas paralelas, foram reorganizadas por William Beresford  a partir de 1808 e vieram a constituir as forças  portuguesas que expulsaram os franceses. Oriundos destas estruturas foram o Corpo Académico Militar de Coimbra, Os Voluntários do Comércio de Lisboa e do Porto, os voluntários de Portalegre, Beja, Coimbra, ou a Leal Legião Lusitana.

Quando Massena no dia 18 de Setembro chegou a Viseu encontrou a cidade deserta, abandonada, incapaz de satisfazer as necessidades de abastecimento dum grande exército em marcha. Eram mais de sessenta mil efectivos nos três corpos e a busca de alimentos eram cada vez mais difíceis e demoradas pois a população, saindo da cidade,  ou seguiu na peugada dos anglo-lusos ou acoitou-se com alguns haveres pelos montes e matas em redor e embora toda a máquina de guerra marchasse agora ordeira e desejosa por alcançar as férteis planícies vizinhas de Lisboa, a lentidão deste comboio era grande e pouco ajustada ás exigências da conquista, um contraste abissal com a marcha de Junot durante a primeira invasão que, partindo de Castelo Branco por péssimos caminhos ultrapassou todos os obstáculos a tempo de chegar a Sacavém  pouco depois das  últimas naus da corte deixarem o Cais de Belém rumo ao  Brasil.

Desta vez porém a lentidão ultrapassou o razoável, talvez pelas dificuldades do terreno, pelas investidas das milícias, por animosidades entre os oficiais, talvez até por, segundo Santana Dionísio, o comandante beneficiar da companhia de uma garbosa amazona que o acompanhava desde Salamanca sob o disfarce dum imberbe oficial….

Mandou avançar Reynier pela via de Mangualde e Carregal  e os  corpos de Ney e de Junot por Tondela e Mortágua .

A serra do Bussaco  começa a surgir aos franceses como um grande obstáculo pouco depois do rio Dão, mas de facto não é grande a montanha, nem alta nem sequer larga, mas é robusta e comprida nos seus vinte quilómetros de cumeeira, as suas encostas íngremes levantam-se de ravinas profundas, ásperas, numa constante subida entremeada de valeiros e cabeços que só um esforço físico violento poder superar. E vista recortada num pôr de sol escarlate que desaparece atrás do cume aninhando-se no suposto oceano, dá a ilusão dum monstro comprido como se um gigantesco sáurio ali se tivesse esticado a sucumbir, fossilizando então. Mas nada disso é, embora se pesquisem e encontrem pequenas trilobotes do Silúrico a serra nada tem de dinossáurico, estende-se preguiçosamente entre o rio Mondego em Penacova, até á Portela de Oliveira e Santo António do Cântaro, dois colos de passagem, depois até á Cruz Alta, o seu ponto mais elevado e continuando a noroeste desce então pelos moinhos de Sula e Águia até ao desfiladeiro em Algeriz no vale do rio da Serra ou de Vila Nova. Note-se que em tempos recuados, foi conhecida por Alcoba pois a vertente caramuleira do oeste e sul identificou-se assim em épocas remotas até aos confins do Bussaco.

Por estes sítios e termos, temos aldeias e lugares que ficaram registadas nos escritos dos contendores e são assim adereços do evento, quer em escritos ingleses, quer franceses. Vale de Açores, Lourinha, Alcordal, Vale de Vide, Cerdeira, Moura, Sula, Carvalho, Coiço, Gondolim, Algeriz, Monte Novo, Santo António do Cântaro, Palheiros, Botão, Palmazes, Portela de Oliveira, entre outros.

Foi ao longo da estreita cumeeira que tem cerca de vinte quilómetros de extensão que o general Wellington postou o exército anglo-luso decidido a opor-se ao inimigo. A posição defensiva era excelente e Massena, não propriamente um amador das coisas da guerra, incompreensivelmente encurralou o seu exército frente a uma muralha natural impossível de escarpar. Inexpugnável, diriam depois alguns dos seus oficiais, entre eles os próprios comandantes dos seus exércitos que chegados a 26 pouco depois do meio-dia, a não quiseram atacar sem a palavra do marechal que chegou quase de noite. O próprio Napoleão, quando mais tarde escreveu sobre o Bussaco da prisão em Santa Helena diria: ‘ se a reputação de Massena acabou no Bussaco, é apenas á doença que podemos atribuir essa súbita desgraça. Não conseguindo montar a cavalo, nem ver pelos seus próprios olhos o que se passava, ele já não era ele mesmo… se o fosse, nem atacaria as linhas inexpugnáveis do Bussaco nem teria deixado Wellington acolher-se ás linhas de Torres Vedras…’

De tão privilegiadas linhas defensivas esperaram os anglo-lusos tirar o melhor proveito, pois Wellesley depressa percebeu as dificuldades que esperavam o atacante, assim conseguisse aliar a estas perfeitas condições a coesão das forças, a confiança das tropas, a disciplina. Todos os combatentes, quer ingleses, quer portugueses, eram enquadrados por generais britânicos, pois se havia confiança na bravura dos soldados ingleses, outro tanto não tinha sido ainda demonstrado pela parte portuguesa, constituída por recrutas alistados á pouco tempo, intensamente preparados sob a direcção de Beresford mas sem qualquer experiência de combate. Era imperioso que a hierarquia funcionasse e que a par da posição morfológica positiva o comportamento fosse firme, rígido e corajoso. De mão beijada, tal como acontecera a Massena com a explosão de Almeida, surgia agora ao inglês Wellington a oportunidade única de, mercê duma incompreensível análise do inimigo, o levar de vencida.

Foi ao longo da estrada construída entre os dois extremos da serra que o duque montou a estratégia, preparada para receber o inimigo em qualquer ponto e com o sentido de, para qualquer ponto por onde o inimigo tentasse atacar, movimentar rapidamente reforços e ajuda, uma mobilidade essencial que funcionou no embate de Reynier.

Entre o Ninho da Àguia, a noroeste, a Cruz Alta e a Livraria do Mondego a sudeste, a coberto do reconhecimento inimigo colocou os efectivos. Os primeiros, na confluência dos rios Alva e Mondego eram constituídos pela cavalaria portuguesa, pelo corpo de Hill postado entre o  Coiço, Gondelim, Casal e Palmazes  e depois a Senhora do Monte Alto ocupada pela Leal Legião Portuguesa e a brigada portuguesa Campbell da divisão Picton até ao cruzamento da Portela de Oliveira. Entre esta Portela e a de Santo António do Cântaro, dispunha-se em linha a Divisão Leith, Seguiam-se as Divisões Picton e Spencer ocupando as alturas da serra até ao Cerquedo. Atrás destas estabeleceu o seu posto de comando pouco acima das posições de artilharia que defendiam a estrada de Lisboa. Para a sua esquerda, já na direcção da Moura e Sula, as Divisões Crawford e Bercley, a brigada portuguesa PacK e a brigada Colleman fechavam o caminho a quem descia para o Luso e Mealhada depois  do acesso ao Convento, em cujo muro foram feitas algumas destruições, como ameias defensivas.

Para terminar este longo corredor até ao Ninho da Águia, nos cabeços sobranceiros ao lugar do Milijioso, postava-se a divisão alemã no lugar de Monte Novo, seguida de parte da brigada Campbell. Finalmente perto da Mealhada estacionava a cavalaria inglesa e Trant com as milícias, este com o encargo de patrulhar a via que de Mortágua rompia pelo Sardão para Boialvo e Avelãs.

Num breve resumo que mesmo assim se torna fastidioso para o leitor, aqui fica o dispositivo de defesa estabelecido por Lord Wellington para a defesa do Buçaco.

Deve ainda acrescentar-se que o comandante supremo das forças, William Beresford, o homem que havia organizado e preparado as forças portuguesas, instalou o seu quartel general na vizinha aldeia da Lameira de Sª Eufémia mas só a 27, depois dos combates, pernoitaria na livraria do convento.

Luso, Maio, 2010 FS (200 anos da Batalha)

publicado por Peter às 19:19
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