Domingo, 28 de Dezembro de 2008

LUSO, A CRISE DAS EXCELÊNCIAS

 

     

 

  RIQUEZA  BARATA ,

RIQUEZA ROUBADA ??

 

A nascente da água do Luso situa-se cerca de cem metros acima da nascente termal, o velho olho de água quente do século XVIII que deu origem á estância e sendo vizinhas e praticamente irmãs, diferem na sua composição e na temperatura com que emergem á superfície. Ambas são no entanto manifestações protagonizadas por um grande aquífero existente sob a serra do Buçaco que vai acumulando ano após ano, século após século, um manancial substancialmente elevado e impoluto.

 Foi a segunda nascente que deu origem ao desenvolvimento da estância termal e a primeira, a céu aberto, que deu o logótipo á localidade. Mercê das duas, o Luso, pequena e escondida aldeia nas abas da serra do Bussaco, onde os moinhos seriam provavelmente das principais actividades, em conjunto com o pastoreio e exploração florestal, ganhou a categoria administrativa de vila, no ano de 1937. Era o culminar da estância que na área do turismo, fez parte do pioneirismo nacional e deu ao país inúmeros e competentes profissionais. O expoente da descoberta das termas, da sua utilização por uma classe aristocrata, misturada com uma burguesia de pequena estatura e dimensão, mas também de classes mais modestas que prolongavam pelo mês de Outubro a época anual. Que potenciou hotéis, pensões, casas de quartos, de comidas.

   Se foi a água que na sua componente termal desenvolveu a terra e lhe conferiu património e riqueza, é a mesma água que, na sua componente industrial coloca hoje em risco a vila, cada dia mais pobre, cada dia mais abandonada pelo poder privado, pelo poder público, pela população que, á falta de condições se vê obrigada a procurar trabalho fora do chão e fazer parte desse conjunto de emigrantes que procuram fora e pelo mundo, aquilo que as vanguardas intelectualizadas, imbecilizadas e detentoras do poder nunca conseguiram fazer, isto é, dar ao cidadão próprio uma vida civilizada e digna. È a história que o conta e a realidade que o continua a confirmar.

  O Luso, que tanta fama teve como referência termal, vive dessa fama, porém em nada corresponde já a esse presumível estatuto, só por ignorância ou deturpação se pode continuar a acreditar nas termas como tal e na vila como exemplo.

  E a razão número um está bem á vista, deriva exactamente da nossa incapacidade, na nossa irresponsabilidade, do nosso atávico destruir dos bens comuns em proveito de terceiros, de exploradores, de aventureiros, de simples negociantes espantados com a prodigalidade lusa, com o desapego das gentes , pela negação imbecil dos seus próprios interesses, em favor duma prosápia ignorante de baronetes de terceira classe a quem se dá o privilégio e a aventura de governar o nosso barco. Lordes do gamanço e do ripanço, administradores de mão leve, a chamada excelência da nata do capital! E simultaneamente da politica, quando não também, e nos nossos dias, do futebol!

  A água do Luso é a única riqueza do Luso. As termas, a que a água deu origem, deram o património construído. A actividade o now  out, obtido. As pessoas, o seu contributo recebendo a sua compensação. No tempo em que as perspectivas eram honestas, em que se acreditava nas pessoas, na dignidade de processos, no futuro. Havia disciplina e palavra, prometia-se e cumpria-se.

 A única riqueza do Luso é a água. E a riqueza água, que é de nossa propriedade por intermédio do Estado é entregue por esse mesmo Estado, a terceiros. Agora, estrangeiros, mas para o caso é igual, o Estado espolia-nos da riqueza e entrega-a despudoradamente ao grande capital. Negócios de milhões, porque ao grande capital apenas interessam os milhões. E o Estado espolia-nos na medida em que entrega as concessões por preços irrisórios. Na medida em que não se interessa por elas. Na medida em que não tem poder para impor os interesses nacionais aos interesses do liberalismo da derrota, da espoliação, da sociedade esclavagista que está a construir. A quem interessa esta omissão?

 Numa pequena escala, não tão pequena como isso como realidade e exemplo, a concessionária, como se disse único beneficiário da riqueza da terra, abandonou praticamente as termas e dedica-se á exploração desenfreada do negócio da venda de água. A verdadeira água do Luso, mas também degenerada em água com limão, com morango, com maçã, com qualquer coisa que sirva para vender, mas curiosamente, com a cobertura da água da nascente, o verdadeiro e único produto da terra, tanto do Luso como dos lusos, que dá riqueza, que é natural, que é puro. È que a empresa concessionária, para vender uma garrafa de água com manga, com groselha ou com abacaxi, ou uma horrível água com limão, oferece em contrapartida uma garrafa de pura água do Luso. Água do Luso que é leader do mercado, que vende o que produz!

Será esta a excelência de suas excelências?

Quanto às termas, do prometido nada se vê. No fim do período da velha promessa, há-de surgir nova promessa e para além do beato Cabral da Câmara da Mealhada, haverá alguém que ainda acredite numas termas, fisioterapia, spa e clínica por seiscentos mil contos? É a conivência total, só não se sabe com que  proveitos!

águasdoluso.blogs.sapo.com

 

sinto-me:
publicado por Peter às 12:43
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Setembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
24
25
26
27
28
29
30

.posts recentes

. QUEM ACODE Á MATA ????

. PALACIO

. A CERCA

. BANCOS

. CALVÁRIO

. VIA SACRA ,VEREDA

. ERMIDAS AO ABANDONO

. CAPELA DE S.ANTÃO

. SILVEIRAS DA VIA SACRA

. O PERIGO É A FUNDAÇÃO

. OS FOGOS E O BUÇACO

. CRUZ ALTA

. RIO DA MULA

. DO LUSO AO BUÇACO

. ALICE

. DIA DAS FLORESTAS

. ÁLCACER QUIBIR

. O BUÇACO

. BUÇACO VERSUS SINTRA

. DESTRUIÇÃO DO BUÇACO

. BOLA DE FOGO NO BUÇACO

. EXPOSIÇÃO ESTIVAL

. RAMPA DO BUSSACO

. ROMARIA DA ASCENÇÃO

. CERCO DE BADAJOZ

. AURORA

. PORTA DO TELEGRAFO

. PORTA DE SULA

. ESTÁ TUDO GROSSO...

. BTL-LUSO-BUÇACO

. CRUZ ALTA

. L'EFFETTO SERRA

. PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE ...

. A SENHORA CRISTAS

. SUBI LENTO À CRUZ...

. DESFILE

. CRUZ ALTA DO BUSSACO

. 205ANOS BAT BUSSACO

. BUÇACO ESQUECIDO

. TJOLOHOLMS SLOTT

. A BATALHA E O CONVENTO

. SUBIACO

. 1904-POSTAL

. SEGUNDA-FEIRA

. CAPELAS EM RISCO

. AQUI COMEÇA A VIA

. O PORTÃO DOS PASSARINHOS

. PORTA DO LUSO

. SERPA MACHADO

. PAUL GAUGUIN

.arquivos

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Outubro 2013

. Agosto 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Janeiro 2012

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Julho 2011

. Abril 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Julho 2009

. Junho 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

.tags

. todas as tags

.favoritos

. ♥ Lay all your love on me...

.links

.as minhas fotos

.VISITAS

blogs SAPO

.subscrever feeds