Terça-feira, 22 de Julho de 2008

DE VOLTA ÁS TERMAS

 

 

                                                                                                                                     

                    

                                    Piscina do hotel(postal ilustrado) 1960                    

 

                                                                                                                                 

                              DE VOLTA ÁS TERMAS DO LUSO
   .
    Passou-se há quarenta anos talvez, quando não havia febre pela televisão e as tertúlias de jovens se juntavam todos os dias á noite para fazer teatro. Eram peças clássicas, sobretudo comédias ou farsas e um dia, por acidente, uma revista. Entre Salve-se Quem Puder ou Alto lá com Isso, ficou com o segundo nome e por empréstimo chamou-se oficialmente Costa do Sol em Festa, uma revista de Cascais que já tinha passado pelo crivo da censura e estava portanto ao abrigo do lápis vermelho do santo oficio salazarento que tinha tanto de engano como de ser enganado.
   Claro que o texto era o nosso, escrito em noitadas de arrebatadas ceias tiradas em casa deste e daquele mas sobretudo do ensaiador, discípulo da Corina Freire. Um bloco de papel numa das mãos, um naco de chouriça, uma bebida alcoólica e a boa disposição donde disparavam quase instantaneamente as piadas, os quadros, os intérpretes.
   No seu desenvolvimento, entre danças e cenas, a coisa tinha um compere á maneira do Salvador no Parque, um bife, o Santos e era numa destas mudanças de número quando eu cruzava rapidamente o palco com um balde de cal na mão direita e um pincel de cerdas na outra, que a Maria Aurora me perguntava com cara de admirada:
   -Olha lá Manel, onde é que vais com tanta pressa?
   E respondia eu com a solícita prontidão dum trolha enfarinhado:
   -Olha, para cumprir as leis da Câmara pintei as casas todas do Luso, agora vou pintar a Câmara, que bem precisa!!!!
   Perante o texto simples desta passagem de urgência, espécie de 115, desabava a rir, da plateia á geral, o Teatro Avenida e semanas depois o Teatro Messias, sem que nós próprios descortinássemos o motivo da pilhéria, a não ser no inesperado desconcerto da sumaríssima acção.
 E só no fim do gargalheio é que o senhor Silva, sentado no banco do piano de cauda, levantava a cabeça, dava o dó e prosseguia a dedilhar a música…
 Quarenta anos depois, comparativamente, a Câmara voltou a assumir esta figura pateta do olha para o que digo não para o que eu faço, ditado antigo destinado a tipificar o desenfreado apetite de alguns monjes e abades, passe o exagero, quando se refere permanentemente ao Luso e ao Buçaco como a sala de visitas do concelho turístico para ter a sala abandonada, em termos práticos, quanto toca a trabalhar pela defesa e desenvolvimento dessa riqueza e património. Podemos desculpar aos autarcas a distracção, a ignorância, a incompetência, mas, reconhecendo embora o nervosismo e a desorientação por que passam, de hipocrisia politica já chega!!! Estamos fartos!!!!
   Não vou pormenorizar o caso da obra na fonte de S. João que podia ser requalificada em trinta dias e não em duzentos e setenta se a autarquia soubesse o que anda a fazer e tivesse algum respeito pela actividade de quem vive disto, mas sim desse outro caso que foi o assentar da administração da concessionária das águas no banco do diálogo, não pela acção da Câmara da Mealhada, mas pela acção dum grupo de pessoas das termas que vêm a sua vida a andar para traz, precisam de viver e por isso de lutar pela reanimação das mesmas e da terra, quando os eleitos, quer os locais quer os municipais, o não sabem fazer.
    Estes pontos nos ii são essenciais para se perceber mais uma vez a qualidade de quem comanda os destinos políticos do município, (e da freguesia!) de novo numa postura negligente e absolutamente nula no que toca á defesa dos interesses vitais do mesmo. Claro que não me movem as pessoas enquanto pessoas, apenas como actores e intérpretes da farsa politica que representam á qual nós, cidadãos, assistimos e a qual devemos, pela cidadania que nos cabe, analisar e criticar.
 Na minha perspectiva, os novos factos traduzem-se assim:
 Depois de no mês passado sermos brindados com o plano estratégico dum Luso Inova camarário de 50 milhões de euros para satisfazer contínuos vazios políticos de consciências angustiadas, eis que é anunciado um mês depois, por força da pressão activa do mesmo grupo de pessoas junto do Ministério da Economia, o falado Luso 2007, desta vez pela mão apressada da SAL numa parceria com uma empresa de clínicas dentárias, donde nascerá, eventualmente, uma hipotética empresa termal onde a autarquia Câmara, curiosamente, não tem assento nem voz, colocando-se mais uma vez de lado, silenciosa, muda, a ver passar os comboios…Com este executivo podia ser de outra maneira? Dramaticamente, não!
 Não faço ideia se o parceiro apresentado pela SAL é bom ou mau, se tem experiência em termas e Spa’s ou não, mas tem-no, isso é líquido, em clínicas dentárias luxuosas. Vamos esperar  mais três meses pelos projectos prometidos!
    Registe-se no entanto que o investimento anunciado de três milhões de euros (investimento total confirmado em entrevista ao MM pelo nº 2 da concessionária de seiscentos mil contos antigos) numa área de mil e quatrocentos metros quadrados, para fazer e meter um novo centro de bem estar ou spa e uma clínica, onde já estão umas termas e um bloco de fisioterapia á espera da modernidade que a concessionária lhe não tem dado, será suficiente? (Para que melhor se possa comparar a dimensão dos números, lembremos que a Câmara se propõe fazer uns novos paços municipais por dez milhões de euros, o edifício, a preços actuais))
 Será que a nova empresa termal a constituir (?) vai abrir-se a novos investidores?
 Será que depois da concessionária ter vendido o hotel e os terrenos que destinava ao SPA, irá readquirir os mesmos e recriar o seu ex- parque hoteleiro?
 Será que as novas (?) estruturas darão acesso pela via económica a toda a gente?
 Será que a autarquia Câmara aproveitou para exigir garantias escritas?
 Neste item, claro que não. Mais uma vez politicamente apalermada, pôs-se de lado, riu-se, bateu palmas e continuou a não obter nenhum compromisso escrito de mais estas promessas, bem pelo contrário, no dia imediato apressou-se a desembargar umas obras que tinha mandado embargar á concessionária, não se sabe se por cautela se para propaganda politica e juntou ao acto a ignorância de declarar que este projecto, que ainda nem sequer existe e que prevê um investimento de três milhões de euros, é melhor que o seu plano estratégico do Luso Inova que previa, disseram-no há poucos dias publicamente com claras intenções propagandísticas, um investimento de cinquenta milhões de euros!!!
 Saberão do que falam??? Saberão para quem falam? Com investimentos da concessionária das termas, para lá dos três milhões, não se podem contar. Faltam quarenta e sete milhões para o Inova. Quem vai continuar ou completar o pomposo plano estratégico do Luso? A Câmara e o seu executivo, tão falho de estratégias como de ideias, já encontrou algum parceiro?????   
 PS- Parabéns sim ao grupo de cidadãos. Sem o poder negocial nem o poder de dissuasão da autarquia, não só os obrigou a correr aflitivamente até ao Ministério da Economia como os obrigou a abrir um canal para o diálogo. Porque afinal, eles têm medo como se demonstrou facilmente! Um medo directamente proporcional á inaptidão política da maioria da Câmara! FS
Luso,maio 2008FS Jornal da Mealhada
                                                                                                         
publicado por Peter às 18:05
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TERMAS DO LUSO

 

               

 

TERMAS    DO    LUSO
 
 Quatro hotéis, várias clínicas de estética, spa’s, ginásios, dezenas de estabelecimentos comerciais, centros de investigação, parque industrial, mil empregos, saúde, beleza, bem estar, enfim cinquenta milhões para investir, se aparecer por aí um rei Minos, lembram-se do rei Minos... ???
 A propósito, ainda este ano me mascarei pelo natal e o meu neto comeu-a quando debaixo da barba branca, seguro da mística figura arremedei a voz grossa dum fadista de Lisboa e disparei, entrando de rompante na sala de jantar :
   -Ah!... Ah!... Ah!... chegou o pai natal !!!!!!
 Olhou silencioso, depois admirado, espantado e finalmente encantado! Entre respeito e medo, não me reconheceu! Tem três anos …! Não me desmanchei, mas perante um sapatito pequeno, piccolo, piccolo, que nem se via debaixo das bugigangas, relembrei os meus magros tempos de criança e murmurei para comigo:
   -Não há fome, que não dê em fartura!!!!
    O Luso está na mesma.
   -Não há fome que não dê em fartura!!! Diz-se...
    E dei comigo a pensar:
 - ...se até aqui era a concessionária das águas a enganar o Luso e o Concelho com as suas promessas, agora é um executivo da Câmara politicamente alucinado que se junta ao coro, tentando vender aos eleitores a mesma cartilha que há vinte anos lhe vem sendo impingida pela concessionária , isto é, sonhos, mentiras e incumprimentos!
 Numas termas que, de degradação em degradação, caíram em agonia permanente, a fartura é tanta que o pobre não só desconfia, não acredita...! Nem concessionária nem câmara têm crédito para oferecer seja o que for porque a verdade é que já não se pode acreditar   em quem não nutre o mínimo respeito pelo factor humano dirigindo-lhes sucessivas e insultuosas lérias.
 O administrador sal que esteve na apresentação privada da estratégia encomendada pelo município para o Luso , pediu com todo o á vontade a paciência das pessoas para o seu próprio plano do Luso 2007 que já devia estar executado e nem sequer projecto tem. Segundo relata a imprensa que esteve presente, metendo as mãos pelos pés pediu ao Luso que se tranquilizasse, dando conta que a empresa não perdeu de vista a restruturação do Luso-cujo projecto previa o inicio das obras em 2007-pedindo paciência á população e tranquilizando-a ao dizer que brevemente o projecto começará a ser desenvolvido.
 É curioso que se tenha esquecido de que o plano apontava para 2007 como ano de inauguração e não do começo de obras, e é tanto mais sintomática esta afirmação na medida em que não se acredita que o administrador não saiba a calendarização dos compromissos da sua empresa . Também não se sabe se aquele administrador sabia ou não sabia, ele não o disse, se naquele momento a empresa ainda era propriedade da Newcastle , ou se já era   da Heineken, pois acabara de ser transaccionada mais uma vez, por tal motivo não chegaremos a saber em nome de qual empresa falava e prometia e não acreditamos que a distraída Câmara da Mealhada o não soubesse. Soubesse ou não, calou. É preciso dizer basta a políticas de branqueamento quer de incapacidades , quer de incompetências ou de preparativos de futuros actos eleitorais.
   Numa leitura transversal a vinte anos de promessas feitas, é legitimo concluir que se tratou de mais uma mistificação desta vez com a conivência e apoio duma autarquia que não entende nem defende os interesses do município. Não é que o plano estratégico não seja necessário , neste capitulo a câmara anda atrasada quatro anos, desde que lhe foi sugerida a urgência dum plano e duma nova empresa para as termas, porém não é dum plano irrealista e megalómano que se precisa ,mas dum plano exequível, razoável, com alicerces, sustentação e credibilidade.
   É mais que oportuno saber até onde vai o apoio da concessionária á construção de quatro novos hotéis, se há bem pouco tempo vendeu o Grande Hotel que era um dos marcos da hotelaria do centro do país e lhe pertencia ! Para quê mais quatro hóteis se a capacidade hoteleira instalada está longe de ser ocupada a cinquenta por cento ? Quem delineou a estratégia conhece a realidade das termas do Luso ? Parece tratar-se duma brincadeira , não das brincadeiras de carnaval a que estamos habituados, mas coisa mais séria e responsável !
   A Câmara da Mealhada, em termos políticos absolutamente ignorante e desnorteada em relação ao Luso e a uma politica termal, tenta lavar as mãos que tem completamente sujas por incapacidade na obrigação de fazer cumprir o plano Luso 2007, comprando ela própria uma estratégia para a qual não tem competência suficiente enquanto a concessionária da água de mesa for a mesma concessionária das termas e não definir ela própria até onde vai a sua intervenção, com quem, com que abertura , com que estrutura ou com que parceiros ,já que por ela própria também é há muito tempo evidente que não quer , não sabe, não lhe interessa nem   pretende intervir nas termas . Isto, que é tão claro como a água, para a Câmara da Mealhada é chinês, e tanto mais chinês desde que em termos políticos se vendeu em definitivo pelos tostões litros.
 Se a concessionária queria intervir nas termas, não tinha vendido os terrenos para onde projectava a modernização. Não tinha cedido o hotel nem deslocado o seu apoio administrativo para Vila Franca de Xira. A concessionária quer apenas vender água e levar os lucros para fora do município, não quer mais nada.
 Para os sucessivos proprietários, umas modestas termas perdidas num cubículo da europa, internacionalmente desconhecidas, penduradas em negócios do liberalismo selvagem em que a desregulamentação e a impunidade dominam, servem para alguma coisa? Não pondo sequer a hipótese da sua sobrevivência, concluem que se isso não dá uns milhões, fechem-se. Depois, acabam por saber que é nestas termas que está pendurada a concessão da venda da água de mesa e aí, travam, mandam remendar o telhado, substituir três ou quatro banheiras partidas e não fecham a porta. Porque não podem. Têm medo. Pelo que se vê, sem razão, mas têm mêdo !
 E nós, nós autarquias, nós ministérios, nós governos, não temos uma concessão para discutir ? Ou nem aquilo que é nosso sabemos defender ??? Quem lucra ?????
 Na minha opinião, de positiva, apenas a presença da CCRC, disposta, com o quadro de apoio existente, a colaborar. Mais claro que a presença não vejo como, mas será que os projectos , como se ouviu, aparecem ? Ou será sempre e só o escandaloso golf ao lado dos carris e do barulhento nó ????
   Também como mera opinião, os autarcas deviam ter a honestidade política suficiente para reconhecer os seus condicionamentos, demitindo-se, dando assim lugar a eleições antecipadas capazes de gerar, no menor espaço de tempo, um executivo capaz de perceber o sítio onde vive e aproveitar as oportunidades que surgem..
 Quanto ás termas, não há ninguém que as viva que não saiba, até empiricamente, dizer como começar. SAL e Câmara é que não querem entender. Estranha cegueira !
Nervi,Fev.2oo8                                                                       lusotemas.blog.com
 
publicado por Peter às 17:37
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