Segunda-feira, 7 de Abril de 2008

EMIDIO NAVARRO

                                                                                                      

      

                                                                             

          CONSELHEIRO EMIDIO NAVARRO

 

     Advogado, Conselheiro de Estado, Ministro das Obras Públicas (1886-1889), Jornalista e Escritor, Emídio Júlio Navarro nasceu em Viseu a 19 de Abril de 1844 e faleceu emLuso a 6 de Agosto de 1905
           Era filho de André Navarro, de Alicante (Espanha) e de D. Carlota Joaquina do Carmo Machado, natural de Guimarães.
Quando tinha apenas 9 meses de idade seus pais deixaram a sua terra natal para fixarem residência em Bragança onde iria iniciar os seus primeiros estudos, frequentando o seminário local até ao 2ºano do curso de Teologia, seguindo mais tarde para Coimbra com o fim de ali se formar.
         Por não se sentir verdadeiramente inclinado para seguir a carreira eclesiástica e com a concordância dos seus pais , desistiu, matriculando-se nas Faculdades de Matemática e Filosofia com o desejo de vir a formar-se em medicina , curso que trocou depois por Direito.
         Assim, matriculou-se naquela Faculdade cuja formatura concluiria com brilho no ano de 1869, regressando a Bragança onde abriu o seu escritório. Ainda em Coimbra, o seu entusiasmo pelo jornalismo começa a ter notoriedade com os artigos que publica no Conimbricense, evidenciando grandes qualidades de crítico e polemista.
       Com Simões Dias, Lopes Graça e outros, funda naquela cidade o jornal A Academia que, ao tempo, foi um semanário de grande relevo no meio académico coimbrão. Sempre muito atraído pelo jornalismo, foi então convidado a colaborar no Jornal de Coimbra, onde os seus artigos eram recebidos com o maior interesse e frequentemente transcritos pelos jornais lisboetas de maior cotação.
       Mais tarde, já em Lisboa, filiou-se no Partido Progressista-Histórico e de imediato toma parte do corpo redactorial do jornal País, órgão do mesmo partido. Fundou com António Enes o jornal Progresso de que viria desligar-se para, logo a seguir, fundar o Correio da Noite, um dos mais importantes jornais políticos da época, dando largas ás suas extraordinárias qualidades e desassombrada frontalidade dos seus escritos atacando o rei e a política do seu poderoso ministro chamado Fontes Pereira de Melo.
     Foi deputado em várias legislatura se eleito pela primeira vez por Avis, em 1879 e 1880, por Arouca em 1882 e 1884 e por Coimbra em 1887 e 1890.
    Como ministro das Obras Públicas produziu fecunda actividade desenvolvendo a viação, ampliou de forma notável o ensino técnico comercial, industrial e agrícola -mandou rasgar grande número das mais importantes estradas de Portugal, ampliou os serviços florestais, criando, protegendo, erigindo e consolidando tudo o que podia ser útil e indispensável ao urgente desenvolvimento do património nacional.
     Publicou o decreto que, finalmente, tornou uma realidade a grande remodelação do porto de Lisboa e que, até então, vinha sempre a ser adiada com prejuízo do país.·
    A ele deve a cidade do Porto o prolongamento da linha-férrea até ao centro da sua urbe e a implantação da monumental estação de S. Bento, cujo projecto foi muito contrariado pelos delatores da época e ainda o ramal da alfândega.
   Como consequência natural da sua reconhecida capacidade, da força demolidora dos seus escritos e da acção desenvolvida como Homem de Estado, teve, como sempre sucede aos homens de grande valor, muitos e ferozes inimigos, que o obrigaram, por vezes, a participar em duelos, como aconteceu com Manuel Vaz Preto, em que foi ferido.
    Uma vez terminadas as suas funções de ministro das Obras Públicas, foi designado Secretário do Tribunal de Contas, cargo de que se demitiu em 1891 por ter sido nomeado Ministro Plenipotenciário de Portugal em Paris, para onde seguiu em 1892 e onde prestou os mais relevantes serviços.
    A sua famosa e demolidora pena, que alguém um dia disse valer um exército, volta de novo a refulgir na defesa intransigente do que considerava ser o interesse do País, apavorando os seus contendores com os artigos que publicou neste período no jornal      As Novidades, que fundou em 1885, até que a sua saúde lhe permitiu fazê-lo. Entre os muitos artigos que publicou neste período da sua actividade jornalística, destacamos o da questão dos tabacos que provocou os mais extraordinários episódios políticos dessa época. Só a doença seria capaz de impedir que Emídio Navarro continuasse a brandir o famoso ‘Estadulho’ que ele próprio celebrizou. Acolheu-se com a sua família, na sua Quinta do Viso, em Luso, onde viria a falecer subitamente ao findar do dia 16 de Agosto de 1905.
O Luso perdia nesse dia longínquo, o português insigne que apesar de não ter nascido aqui, deu toda a dedicação em prol do seu progresso.·
(M.R.A. in Jornal da Mealhada de 1/10/1987)

publicado por Peter às 20:21
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