Sexta-feira, 29 de Junho de 2007

SANTA CRUZ DO BUSSACO

 .  

         CONVENTO DE SANTA

          CRUZ DO BUSSACO

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    Quando a Ordem dos Carmelitas Descalços pensou em fundar no reino de Portugal um ermitério ou clausura para fazer penitência , procurou local propiciador duma vida simples , pobre, e isolada de modo a poder cumprir cabalmente o rigor penitente das regras do carmelo. Por isso fugiu da serra de Sintra e da proximidade de Lisboa e entre umas serras em Miranda do Corvo e uns terrenos da mitra na serra do Buçaco, optou por estes, não só pela beleza e condições das mesmas mas também pela facilidade e empenho do Bispo Conde de Coimbra D. João Manuel na cedência do sitio, tranquilo e prazível.

  Frei Ângelo Domingos, reitor então do colégio dos ditos na cidade, aproveitou a oferta do bispo que por palavras dizia ser “…um lugar de sua propriedade na serra do Luso, lugar de matas e terras a que chamam Bussaco…” e que, julgava ele João de Melo eram”…conforme os propósitos da congregação para a fundação do ermitério,” mais tarde chamado de Santa cruz do Bussaco.

  Visitado o sítio pelo padre geral da ordem, não só o aprovou e decidiu definitivamente sobre a localização da clausura, como teve um comentário mais ou menos textual, conforme segue: “… Aqui é vontade de Deus que se funde; murem este sítio, que nele têm o melhor deserto da ordem. Porque se agora, inculto, rude e tosco, é o que admiramos, cultivado será um paraíso terreal”.

 Procedeu-se então á louvação do Buçaco, justo pelo valor de 180.000 mil reis “ por ser infrutífero e de pouco rendimento”.

 Assim, a 29 de Junho de 1628, hospedaram-se no Luso, vindos de Aveiro, Frei Tomas de S. Cirilo, primeiro vigário, Frei João Batista e Alberto da Virgem,”…trazendo cada um um cobertor para a mesa e dez cruzados para o começo da obra.”

  O Luso era na altura um pequeno lugar de moleiros e pastores, dividido entre os lugares do Luso da Igreja e D’Além, uns explorando mós na extensão do ribeiro que, saindo da nascente de S. João, um charco comum e comunitário, fazia fértil o vale da Vacariça, os outros guardando gado pelas encostas da serra em pequenos rebanhos de carneiros, cabras e ovelhas. Neste lugar, na parte chamada De Além, se instalaram os frades em rua e casa que, ainda que transformadas, existem hoje.

 A 25 de Julho juntaram-se a estes mais três camaradas, Frei António do Espírito Santo, Frei Bento dos Mártires e o irmão António das Chagas, oficial de alvenaria. A 7 de Agosto desse mesmo ano de 1628 terão subido de vez a serra e lançaram a primeira pedra iniciando assim a construção do mosteiro. A19 de Março de 1630 davam inicio á sua vida de comunidade regular.

  Na altura, o Bussaco era já um local de pujante arvoredo podendo referenciar-se por testemunhos escritos da época e entre espécies indígenas a existência de pinheiros, loureiros, carvalhos, aroeiras, azereiros, espinheiros, castanheiros, olaias, catrapeiros, pirliteiros, acácias, vidoeiros, medronheiros, salgueiros, murtas e giesteiras.

Ora os frades descalços não só conservaram esta vegetação abundante como trataram de enriquecer os 105 hectares de mata murada com a introdução de espécies exóticas trazidas por uma igreja que se espalhava pelo novo mundo entretanto aberto, como freixos do México, cedros dos Himalaias, bétulas norueguesas, sequóias gigantes da América, nogueiras pretas, araucárias, choupos do Canadá, ciprestes da Califórnia, criptomerias do Japão, acerácias, tílias, etc e subtraindo simultaneamente á devassa pública o espesso território, conseguindo para o efeito , do papa Urbano VIII , uma sentença de excomunhão contra quem se atrevesse a violar a cerca com o fito de destroçar a vegetação.  FS

publicado por Peter às 00:17
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Quinta-feira, 28 de Junho de 2007

DO BUÇACO,DO LUSO, DO CANTARO

BUÇACO,

TAMBÉM DO LUSO

 OU DO CÂNTARO

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Também chamada do Luso, de Carvalho ou do Cântaro, a Serra do Buçaco estende-se na direcção nascente poente desde a chamada livraria do Mondego perto de Penacova, até á Cruz Alta seu ponto mais alto, por vinte quilómetros de cume. Para o interior estende-se a Beira Alta por um mar ondulante de colinas de pequena altitude até ao recorte do Caramulo, do Açor e da Estrela, para o litoral a planura abre-se livremente até ao oceano Atlântico.

   Se é certo que muita da vegetação nativa era anterior á presença dos frades carmelitas descalços,  verdade que foi a sua instalação e a consequente acção de plantio que inundou, digamos assim, este parque botânico de variadas espécies, trazidas com abundância do mundo português por diligentes priores que tudo fizeram por expandir a fé no mundo descoberto.

   Notícia de Frei João Batista, nascido em Silves, refere que durante treze anos de vida cenobita plantou há sua conta grande número de espécies com zelo igual no poiso e na conservação. Diz bem a regra conventual ao fazer depender de decisão do capítulo, que era o órgão máximo da estrutura do convento, o abate das espécies.

   Pouco tempo depois da vinda dos frades penitentes, foi introduzido o chamado cupressos lusitânica ou cedro do Buçaco como ficou conhecido, para uns espécie nativa já existente, para outros trazido pela diligência dos missionários. Duma forma ou doutra, o viveiro foi fértil e a árvore multiplicou-se em pouco tempo e difundiu-se pelo país inteiro com o batismo que lhe foi dado. Dos primitivos exemplares sobrevive ainda o cedro de S. José plantado entre 1650/1660. Nativos ou oriundos de Goa, do México ou Líbano ou até da vizinha cidade de Coimbra, adaptaram-se excelentemente ao húmus das encostas e são hoje um símbolo vivo da riqueza da mata.

  A origem do Buçaco perde-se em testemunhos abundantes sobre a região e é desde tempos antigos referência privilegiada. 

  No princípio do século X, em 919, numa doação do lugar de Gondelim feita por Gundezindo ao mosteiro de Lorvão, refere-se a situação daquele lugar “ com seus vales que descem do monte Buzaco”. Quase um século depois, no ano de 1006, outra doação ao mosteiro da Vacariça, situa o lugar de Vila Nova, subúrbio de Coimbra, perto do monte Buzaco. Em 1094, juntamente com bens pertencentes ao mesmo mosteiro da Vacariça passa á jurisdição e posse da Sé de Coimbra. Em documentos de épocas posteriores citam-se lugares como Luso, Aguim, Horta, Tamengos, Casal Comba e outros, tomando sempre o Buçaco como referência indiscutível.

  Etimologicamente não é conhecido o fundamento do nome, apenas explicações onde a lenda e a presunção tomam lugar principal. Há quem associe o nome ao penitente deserto de Sublaco, em Itália , fundado por S. Bento e há quem veja na serra numa suposta gruta, um negro fugitivo das galés a assolar povoações vizinhas em busca de sustento. A sua boçalidade deu-lhe nome de boçal e deste boçal erectus derivou depois Buçaco na tradição popular. Mas pode derivar simplesmente de boscum sacro ou da expressão popular “naquele monte, saco bus”.

 Napoleão, ao escrever as suas memórias em Stª Helena, chamou-lhe de Alcoba, uma clara confusão com o vizinho Caramulo.

  Subsistiu mais de duzentos anos o convento de Santa Cruz do Bussaco , foi extinto pelo decreto de Maio de 1834 com todos outros mosteiros masculinos do reino.  FS

 

 

 

Consultar:

Guia de Portugal,III,Beira Litoral,Fundação Cloute Gulbenkian

Guia Histórico Viajante no Buçaco-Simões de Castro

Novo Guia Histórico do Bussaco-Carvalhão Santos

Caracterização Mata nacional do Buçaco-Álvaro Santos

Crónica Carmelitas Descalços- Frei J Sacramento

A Mata do Buçaco-Jorge Paiva

Memórias do Buçaco-Forjaz Sampaio

Soledades do Bussaco-B.Lacerda

Bussaco-Palace Hotel- J.T.Silva e outros

publicado por Peter às 20:15
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